terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Atividade Física Melhora os Relacionamentos

A boa qualidade de vida traz vantagens para o corpo e a mente; quando isso acontece a beleza física fica mais evidente.
As evidências mostram que o hábito da prática de exercícios físicos é um instrumento fundamental para a melhora da saúde, tornando o convívio entre as pessoas mais fácil e aumentando a autoestima.
A prática do esporte ajuda a melhorar todos os relacionamentos, sejam eles profissionais, amorosos e familiares.
O esporte foi sempre um território masculino; hoje, sofreu uma invasão feminina muito grande, melhorando a saúde e a beleza da mulher.
Nas academias as mulheres já são maioria, fazendo com que o local de ginástica seja confundido com um salão de beleza, onde as amigas colocam o papo em dia.
É muito comum ver casais praticando esportes juntos, seja nas corridas de ruas, nas academias, nos clubes, nas praias. Essa prática melhora o relacionamento entre os casais.
O momento de descontração do exercício permite a troca de experiência e a aproximação.
Temos exemplos de casais que fazem atividades físicas juntos; Álvaro e Isabela são maratonistas; treinam juntos, dando força e cuidando um do outro.
Parceiros na vida e no esporte, o casal, através da cooperação e cumplicidade que o esporte possibilita, criou mais um vínculo de fortalecimento de suas relações.
Cuidar do corpo e da saúde é a forma que encontraram para fortalecer ainda mais sua união.
Com muita experiência em caminhadas, Álvaro afirma: seus benefícios são comprovados para todas as idades, porque propiciam uma sensação de bem estar muito grande, além de melhorar o relacionamento entre casais que praticam atividades físicas juntos.
Afeta positivamente a saúde física e mental das pessoas; por isso sua prática tem tanta aceitação.
Quem pratica esporte aprende a competir e a se superar.
Esta é a geração saúde.

Cristóvão Martins Torres

Perdemos o Encanto de Cidade Rural

Nas cidades se concentram os principais serviços.

É preciso ressaltar que a zona urbana depende da zona rural e vice versa.
Serviços da zona urbana como escolas, sistema de saúde são oferecidos as pessoas da zona rural.
Portanto, as pessoas da zona rural se veem dependentes das cidades.
Quem chega as cidades pequenas fica impressionado com a quantidade de carros nas ruas..
Normalmente as ruas já são estreitas, e com carros estacionados dos dois lados das vias o espaço para o tráfego fica muito reduzido. Resultado: o trânsito fica um caos, em determinado momento, trava.
Parece que andar a pé faz parte do passado.
No passado, distâncias que hoje são percorridas em automóveis eram percorridas de maneira saudável: a pé.
Por que tanta circulação de automóveis em nossas ruas?  Compromissos urgentes ou ônus do progresso?
O fato é que as cidades pequenas, estão perdendo aquele encanto de cidade rural.
Aquele encanto bucólico!
E ao se locomoverem cada vez mais de automóvel, as pessoas não se encontram pelas ruas como antes; assim, aqueles agradáveis bate-papos de outrora estão sendo substituídos pela comunicação através das redes sociais...
Desde a entrada das cidade até o seu final é carro para todo lado.
Ninguém se locomove mais a pé, ou mesmo de bicicletas, um meio de locomoção que era muito usado nas cidades pequenas.
Quando adolescente, usei bicicletas para ir a escola, muitos colegas tinham bicicletas e iam nas suas, também, hoje num trajeto pequeno usa-se carros e ônibus.
Conheço pessoas que usam o carro para irem até a esquina de suas casas para comprar o pão e leite.
Temos que mudar esta cultura.
A imprensa fala todos os dias, sobre aquecimento global.
Mas o que nós estamos fazendo para mudar isto, temos que mudar nossa mentalidade.
O carro, que em princípio traz mobilidade, em excesso significa exatamente o contrário.
Dizem que as pessoas são seres de hábitos. Parece que muitas pessoas estão usando os carros por puro hábito.
O excesso de carros dificulta o cumprimento do acordo de Paris, cujo objetivo é reduzir as emissões de gases de seus signatários, a  fim de manter em níveis razoáveis a temperatura do planeta.
A fim de reduzir a emissão de gases, na França as autoridades estão solicitando que as pessoas deixem seus carros em casa, optando pelo transporte público.
Na medida em que os carros ganham espaço nas ruas da cidade as pessoas perdem saúde e a oportunidade de se comunicar.
Obvio, um hábito, uma comodidade que trás reflexos negativos para o  meio ambiente.

Cristóvão Martins Torres


Ao senhor Benjamim Gomes Torres, o carinho e a gratidão da familia pratiana nos 25 aniversário da E.E.M.A, pedra ângular da ciência e cultura da nossa terra...Antônio Roberto Lopes de Carvalho...Prefeito de S.D.Prata...1981...




Numa homenagem a papai, estou transcrevendo uma frase do Padre Geraldo Barreto Trindade, pároco de São Domingos do Prata nos idos de 1950, que encontrei nos meus alfarrábios.

  
Cartão escrito por Padre Geraldo Barreto Trindade(Pároco de Ponte Nova), datado de 1954, endereçado a Benjamim Torres, enaltecendo o seu trabalho para a implantação da Escola Técnica de Comércio em São Domingos do Prata

"Benjamin parece frágil, sendo magro e baixo, mas transmitiu tanta força para a realização do sonho grande de implantação do Ginásio Estadual Marques Afonso, que transcende a sua dimensão para se transformar em um símbolo da nossa cidade."   

Início da Construção do Colégio Marques Afonso

Benjamim Torres, fundador do Colégio Marques Afonso, durante a construção, junto a seu filho Carlos e aos Trabalhadores da obra 

A construção do Colégio Marques Afonso (levantando as paredes)

O Colégio Marques Afonso, já concluído

Benjamim Torres fazendo discurso de inauguração
do Colégio Marques Afonso

Inauguração do Oratório do Colégio Marques Afonso

Benjamim Torres Junto aos Professores do Marques Afonso
Há de ressaltar, a plena e irrestrita colaboração dos professores, que trabalharam sem receber salários, trabalharam de graça por um bom tempo

Primeira Turma de Formandos do Colégio Marques Afonso
 

Como meu pai enfrentou a velhice

Desse homem conheço numerosos fatos notáveis, mas nada é mais digno de admiração do que a maneira como enfrentou a velhice.
Todas as pessoas desejam viver muito, mas, quando ficam velhas, algumas se lamentam muito.
Certa ocasião, perguntei a meu pai se desejava viver muito tempo, ele respondeu:

  • nada tenho a reprovar em relação à velhice, os frutos dela são todas as lembranças que adquiri do passado;
  • os velhos não devem se apegar, nem renunciar ao pouco de vida que lhe resta, porque ninguém é bastante velho para não viver vários anos a mais;
  • saber distribuir o tempo é saber aproveitá-lo;
  • as pessoas agradáveis suportam facilmente a velhice; o temperamento e a beleza estão em todas as idades;
  • toda idade tem seu prazer e sua virtude. Não é a força nem a agilidade que marcam as grandes façanhas de um homem. O que importa é a maneira de pensar, a sabedoria, a humildade, o discernimento, a honestidade, a bondade e a verdade;

Portanto, meu Pai acreditava ser o ser humano a origem e o fim de todas as coisas na sociedade. Ele entendia que as pessoas, através do estudo e trabalho, buscam a sobrevivência e o crescimento da espécie.
Gostava de dizer: velho sim, velhaco jamais.
Enfatizava que chegou àquela idade tendo permanecido ativo, trabalhado sem descanso desde novo, sobretudo porque tinha perdído seus pais muito cedo, criado sua familia, participado do processo da construção do Colégio Marques Afonso e cultivado o caminho do bem.

A construção do Colégio foi uma boa lembrança que carregava consigo. Sentia que ela tinha propiciado às pessoas, desde o mais humilde ao mais abastado, sentarem-se lado a lado e terem as mesmas oportunidades na vida.
Seu grande sonho e desafio foi diminuir as desigualdades através da educação. Acreditava que não há limites para os sonhos e não importa o tamanho do seu sonho, o importante é acreditar.
Ele dizia que a razão que o motivou a lutar pelo colégio naquela época foi ter observado que muitos pais não tinham condições financeiras de manterem seus filhos estudando fora do prata.
Sua alegria foi muito grande ao perceber que, depois de construído, dentre os primeiros alunos matriculados no colégio havia não só pessoas do Prata, mas também de cidades vizinhas.
Fazia questão de ressaltar que tinha aprendido com sua esposa Auxiliadora, minha mãe, que o que fazemos de graça recebemos em graça.
Meu pai exerceu seu ofício(odontólogo) com profissionalismo, dedicação, amor e respeito aos clientes. 

As lembranças das coisas boas que realizou o confortaram muito na velhice. Dizia que seus cabelos brancos e suas rugas eram a recompensa de um passado exemplar que teve e concluía afirmando:
"assim como o bom vinho, as boas ações que praticamos no passado não azedam com o passar do tempo; Deus nos fornece, aqui na terra, um hotel provisório e não um domicilio definitivo".

Essas são as lembranças que tenho do meu Pai, Benjamim Torres. Guardo com muito carinho a imagem de um homem bom que se sentia muito bem em fazer o bem, que lutou muito para o bem da coletividade, que nos deixou muito orgulhosos com seus gestos, e soube envelhecer com sabedoria, embora tenha partido, continua vivo em meu coração.

Cristóvão Martins Torres

O Amor foi muito forte e mudou seus planos

Reza a lenda de família que Benjamim Torres, após um estágio como dentista em Ponte Nova, decidiu desempenhar sua profissão, para o qual havia estudado, na região do Vale do Aço.
Era uma área próspera, o que seria benéfico ao seu desenvolvimento profissional.
Ele não podia imaginar, no entanto, que sua história estava prestes a mudar; a caminho do Vale do Aço, passando por Nova Era, Benjamim foi surpreendido por uma tempestade, na estrada que levava a fazenda da vargem.
A tempestade foi tão intensa e forte, que acabou levando a ponte de madeira que servia de passagem, impedindo a viagem, pelo menos, temporariamente.
Ele foi até a sede da fazenda da vargem, onde foi recebido por Tineco, dono da fazenda, pediu a ele se poderia passar a noite na sede, já que não tinha como seguir viagem, seguir com seus planos.
O fazendeiro aceitou com bom gosto, e, durante a hospedagem, Benjamim acabou conhecendo a filha do fazendeiro, Maria Auxiliadora.
Benjamim, então, mudou seus planos.
Resolveu se casar e formar família com Maria Auxiliadora, desistindo dos planos de ir para o Vale do Aço..
Resolveu se estabelecer em uma cidade próxima, onde abriu um consultório de dentista.
Profissional dedicado, o pedido de casamento foi aceito prontamente por Tineco.
Foram morar no Prata, formaram família e realizaram seus sonhos.
No Prata viveram por cinquenta anos, tiveram cinco filhos e foram felizes juntos.

Cristóvão Martins Torres

Benjamim Torres fez da Odontologia um Sacerdócio em São Domingos do Prata, durante 53 anos de trabalho ininterrupto, atendeu os seus Clientes neste Consultório, que está fechado desde 1979, quando do encerramento das atividades profissionais do odontólogo.




Feitos para a comunidade pratiana se orgulhar

Recentemente, por uma fonte confiável, ficamos sabendo que o Ginásio Marques Afonso foi o décimo segundo ginásio estadual instalado no Estado de Minas Gerais. A notícia revela um fato, por mim desconhecido, que merece destaque no conjunto de circunstâncias que marcaram a instalação do nosso ginásio. Na década de 1950, mesmo com todas suas carências, o Prata se viu envolvido com o sonho de conseguir um ginásio estadual para a cidade. Um dos símbolos  desse movimento, Benjamim Torres, com a sua obstinação pela ideia, foi aos poucos contagiando as pessoas  e  acabou conseguindo uma mobilização  de forças atuantes na cidade para esse objetivo. Naquela época, ginásio estadual era coisa rara em Minas . O governo instalava poucas unidades por ano e priorizava as cidades com mais densidade populacional e econômica  do Estado. Não havia como furar a fila da hierarquia definida , porque era grande a disputa das cidades para ter o seu ginásio, uma vez que, por toda parte, a maioria dos jovens estava financeiramente impedida de fazer o curso secundário, disponível apenas em alguns colégios tradicionais, de propriedade privada, com pagamento de anuidade, e localizados fora de suas residências. Com tanta competição na área política, a única alternativa viável passou a ser idealizar um projeto para implantar o ginásio de forma diferente do que se adota hoje. Assim, a Secretaria de Educação delineou o que se pode chamar de " caminho das pedras", definindo como exigências que a cidade implantasse uma escola municipal de curso médio, como precursora do ginásio estadual, e construísse às suas expensas o prédio para o ginásio funcionar. Com isso, caberia ao governo apenas fazer a transformação de um estabelecimento de ensino em outro do mesmo nível, sem que houvesse constrangimentos com relação à hierarquia no meio político estadual.. Para conduzir os trabalhos previstos nesse pesado desafio, foi criada uma Fundação, de fé pública, denominada Sociedade Beneficente de Cultura, a quem se atribuiu as funções de coordenação dos trabalhos comunitários e a articulação dos contatos com o órgão do Estado. A primeira medida adotada pela Sociedade Beneficente de Cultura foi  instituir, no ano de 1954, a Escola Técnica de Comércio Pratiana, a qual funcionou no prédio do Grupo Escolar Cônego João Pio, em horário noturno, com a plena e irrestrita colaboração de professores, que trabalharam sem receber salários. Simultaneamente ao funcionamento da escola, a Sociedade Beneficente dava  início à construção do prédio onde deveria funcionar o ginásio estadual, quando criado. O prédio foi construído com dinheiro de doações  do povo e de amigos da nossa cidade. Depois de concluído, o prédio foi doado ao Estado ,  cumprindo-se , dessa forma, com muita dedicação e trabalho, as exigências fixadas pela Secretaria de Educação. Em 1956, foi assinado o ato de criação do Ginásio Estadual  Marques Afonso, e o Prata, brilhantemente passou à  frente de mais de quatrocentas outras cidades de Minas Gerais no objetivo de ter o seu ginásio. Os alunos matriculados no curso básico da Escola Técnica foram absorvidos pelo ginásio estadual, mediante prova de avaliação acompanhada pelo Ministério de Educação, retratando a correção e a seriedade dos procedimentos  nesta fase inicial do curso secundário. A Escola Técnica de Comércio Pratiana funcionou ainda por um bom período, após a inauguração do ginásio, porém, com o curso técnico, ampliando a possibilidade de formação de alunos no curso médio complementar ao secundário. Só admitindo algo como um sopro divino, presente nas grandes obras, e outro tanto do trabalho de pessoas com paixões intensas, é possível explicar essa história notável  da Sociedade Beneficente de Cultura, com o pensamento único de deixar um legado duradouro para os jovens pratianos. O prédio, hoje utilizado como grupo escolar, deve ser conservado como um marco histórico, pela sua importância na criação do Ginásio Marques Afonso. Pelo pouco aqui revelado, dá para se ver que há muitas  histórias ligadas ao nosso ginásio esperando para serem contadas, e  que ajudariam a formar a memória da cidade.

Cristóvão Martins Torres

Tentando entender a morte

O nascimento e a morte são as fronteiras da vida, com as quais temos de conviver. A aceitação da transitoriedade da condição humana ajuda a aliviar o sofrimento que a ideia da morte costuma trazer. Pode-se sonhar com o aumento da expectativa da vida, mas não se pode mudar o fato de que tudo vai acabar um dia, mesmo com os avanços da medicina moderna, e ainda que o maior desejo do homem seja a imortalidade. Pesquisas demonstram que pessoas com forte grau de envolvimento religioso, independentemente da crença, têm menos medo da morte. A fé ajuda a superar a ansiedade em relação à nossa finitude. Se há uma vida que se segue à morte, existiria então uma continuidade do espirito. A visão espiritual da morte nos dá alivio para enfrentá-la, mas também implica em desapego ás coisas materiais, e a ilusão de eterna beleza e jovialidade, comuns nos dias de hoje, acabam gerando mais tristeza e sofrimento com o fim inevitável de nossa existência. Um filósofo alemão pediu pelo menos um médico para acompanhar o seu enterro e que o seu caixão tivesse  as laterais abertas. Explicou que pretendia mostrar que o médico nada pode fazer quando a morte chega, e que as aberturas laterais permitiriam chamar atenção de que o morto segue de mãos vazias, nada levando consigo. Santo Agostinho escreveu a seguinte reflexão sobre a morte: Siga em frente, a vida continua. A  morte não é nada. É somente uma passagem de uma dimensão para outra. Eu estou, agora em uma outra vida , não podem atormentar essa minha passagem com tristeza e lágrimas. Vocês são vocês. Estão vivos , a vida não pode parar. O que eu era para vocês continuo sendo. A vida significa tudo que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Fala-me como sempre falaste. Dá-me o nome que sempre me deste. Não quero tristeza, não quero lágrimas, quero orações. 

Cristóvão Martins Torres

Auxiliadora Torres: Minha Querida Mãe

 

Há muito tempo venho querendo escrever uma crônica sobre minha Mãe, Auxiliadora Torres, mais conhecida (sobretudo em São Domingos do Prata) como Dona Dodora. Porém, quando começo a escrever sou tomado por uma emoção tão grande que chega a ser difícil terminar o texto.

Filha de Fazendeiros, criada na Fazenda da Vargem, minha Mãe foi e continua sendo muito querida em São domingos do Prata, sobretudo pelas boas ações que praticou. Mulher muito espiritualizada e de muita fé, pensava sempre no próximo. Dona Dodora não só acreditava no mandamento maior do Cristianismo, o do amor a Deus e ao próximo, como também e sobretudo o aplicava em sua prática cotidiana. Por isso, todos nós da família ficamos muito felizes pelo fato de, em São Domingos do Prata, ela ser lembrada com tanto amor ainda hoje.

Para mim, que sou seu filho, permanecem o amor e a saudade eternos de minha querida Mãe!




Ao senhor Benjamim Gomes Torres, o carinho e a gratidão da familia pratiana nos 25 aniversário da E.E.M.A, pedra ângular da ciência e cultura da nossa terra...Antônio Roberto Lopes de Carvalho...Prefeito de S.D.Prata...1981...

Discurso de Benjamim Torres, uma fala escrita que expressou suas ideias, pensamentos e intenções quando do Jubileu do Colégio Marques Afonso nos seus 25 anos...



Discurso de Benjamim Torres 

 



















"A educação é o principal fator, se quisermos viver em um país com mais desenvolvimento e com oportunidades para todos"...

Obrigado por tudo, meu pai...Numa homenagem ao dia do aniversário de papai, hoje, 30 de maio, estou transcrevendo uma frase do Padre Geraldo Barreto Trindade, pároco de São Domingos do Prata nos idos de 1950, que encontrei nos meus alfarrábios.

"Benjamin parece frágil, sendo magro e baixo, mas transmitiu tanta força para a realização do sonho grande de implantação do Ginásio Estadual Marques Afonso, que transcende a sua dimensão para se transformar em um símbolo da nossa cidade."   


Início da Construção do Colégio Marques Afonso

Benjamim Torres, fundador do Colégio Marques Afonso, durante a construção, junto a seu filho Carlos e aos Trabalhadores da obra 

A construção do Colégio Marques Afonso (levantando as paredes)

O Colégio Marques Afonso, já concluído

Benjamim Torres fazendo discurso de inauguração
do Colégio Marques Afonso

Benjamim Torres com sua esposa Maria Auxiliadora 
Inauguração do Oratório do Colégio Marques Afonso

Benjamim Torres Junto aos Professores do Marques Afonso
Há de ressaltar, a plena e irrestrita colaboração dos professores, que trabalharam sem receber salários, trabalharam de graça por um bom tempo

Primeira Turma de Formandos do Colégio Marques Afonso
 

Como meu pai enfrentou a velhice

Desse homem conheço numerosos fatos notáveis, mas nada é mais digno de admiração do que a maneira como enfrentou a velhice.
Todas as pessoas desejam viver muito, mas, quando ficam velhas, algumas se lamentam muito.
Certa ocasião, perguntei a meu pai se desejava viver muito tempo, ele respondeu:

  • nada tenho a reprovar em relação à velhice, os frutos dela são todas as lembranças que adquiri do passado;
  • os velhos não devem se apegar, nem renunciar ao pouco de vida que lhe resta, porque ninguém é bastante velho para não viver vários anos a mais;
  • saber distribuir o tempo é saber aproveitá-lo;
  • as pessoas agradáveis suportam facilmente a velhice; o temperamento e a beleza estão em todas as idades;
  • toda idade tem seu prazer e sua virtude. Não é a força nem a agilidade que marcam as grandes façanhas de um homem. O que importa é a maneira de pensar, a sabedoria, a humildade, o discernimento, a honestidade, a bondade e a verdade;

Portanto, meu Pai acreditava ser o ser humano a origem e o fim de todas as coisas na sociedade. Ele entendia que as pessoas, através do estudo e trabalho, buscam a sobrevivência e o crescimento da espécie.
Gostava de dizer: velho sim, velhaco jamais.
Enfatizava que chegou àquela idade tendo permanecido ativo, trabalhado sem descanso desde novo, sobretudo porque tinha perdído seus pais muito cedo, criado sua familia, participado do processo da construção do Colégio Marques Afonso e cultivado o caminho do bem.

A construção do Colégio foi uma boa lembrança que carregava consigo. Sentia que ela tinha propiciado às pessoas, desde o mais humilde ao mais abastado, sentarem-se lado a lado e terem as mesmas oportunidades na vida.
Seu grande sonho e desafio foi diminuir as desigualdades através da educação. Acreditava que não há limites para os sonhos e não importa o tamanho do seu sonho, o importante é acreditar.
Ele dizia que a razão que o motivou a lutar pelo colégio naquela época foi ter observado que muitos pais não tinham condições financeiras de manterem seus filhos estudando fora do prata.
Sua alegria foi muito grande ao perceber que, depois de construído, dentre os primeiros alunos matriculados no colégio havia não só pessoas do Prata, mas também de cidades vizinhas.
Fazia questão de ressaltar que tinha aprendido com sua esposa Auxiliadora, minha mãe, que o que fazemos de graça recebemos em graça.
Meu pai exerceu seu ofício(odontólogo) com profissionalismo, dedicação, amor e respeito aos clientes. 

As lembranças das coisas boas que realizou o confortaram muito na velhice. Dizia que seus cabelos brancos e suas rugas eram a recompensa de um passado exemplar que teve e concluía afirmando:
"assim como o bom vinho, as boas ações que praticamos no passado não azedam com o passar do tempo; Deus nos fornece, aqui na terra, um hotel provisório e não um domicilio definitivo".

Essas são as lembranças que tenho do meu Pai, Benjamim Torres. Guardo com muito carinho a imagem de um homem bom que se sentia muito bem em fazer o bem, que lutou muito para o bem da coletividade, que nos deixou muito orgulhosos com seus gestos, e soube envelhecer com sabedoria, embora tenha partido, continua vivo em meu coração.

Cristóvão Martins Torres


O Amor foi muito forte e mudou seus planos

Reza a lenda de família que Benjamim Torres, após um estágio como dentista em Ponte Nova, decidiu desempenhar sua profissão, para o qual havia estudado, na região do Vale do Aço.
Era uma área próspera, o que seria benéfico ao seu desenvolvimento profissional.
Ele não podia imaginar, no entanto, que sua história estava prestes a mudar; a caminho do Vale do Aço, passando por Nova Era, Benjamim foi surpreendido por uma tempestade, na estrada que levava a fazenda da vargem.
A tempestade foi tão intensa e forte, que acabou levando a ponte de madeira que servia de passagem, impedindo a viagem, pelo menos, temporariamente.
Ele foi até a sede da fazenda da vargem, onde foi recebido por Tineco, dono da fazenda, pediu a ele se poderia passar a noite na sede, já que não tinha como seguir viagem, seguir com seus planos.
O fazendeiro aceitou com bom gosto, e, durante a hospedagem, Benjamim acabou conhecendo a filha do fazendeiro, Maria Auxiliadora.
Benjamim, então, mudou seus planos.
Resolveu se casar e formar família com Maria Auxiliadora, desistindo dos planos de ir para o Vale do Aço..
Resolveu se estabelecer em uma cidade próxima, onde abriu um consultório de dentista.
Profissional dedicado, o pedido de casamento foi aceito prontamente por Tineco.
Foram morar no Prata, formaram família e realizaram seus sonhos.
No Prata viveram por cinquenta anos, tiveram cinco filhos e foram felizes juntos.

Cristóvão Martins Torres

Feitos para a comunidade pratiana se orgulhar

Recentemente, por uma fonte confiável, ficamos sabendo que o Ginásio Marques Afonso foi o décimo segundo ginásio estadual instalado no Estado de Minas Gerais. A notícia revela um fato, por mim desconhecido, que merece destaque no conjunto de circunstâncias que marcaram a instalação do nosso ginásio. Na década de 1950, mesmo com todas suas carências, o Prata se viu envolvido com o sonho de conseguir um ginásio estadual para a cidade. Um dos símbolos  desse movimento, Benjamim Torres, com a sua obstinação pela ideia, foi aos poucos contagiando as pessoas  e  acabou conseguindo uma mobilização  de forças atuantes na cidade para esse objetivo. Naquela época, ginásio estadual era coisa rara em Minas . O governo instalava poucas unidades por ano e priorizava as cidades com mais densidade populacional e econômica  do Estado. Não havia como furar a fila da hierarquia definida , porque era grande a disputa das cidades para ter o seu ginásio, uma vez que, por toda parte, a maioria dos jovens estava financeiramente impedida de fazer o curso secundário, disponível apenas em alguns colégios tradicionais, de propriedade privada, com pagamento de anuidade, e localizados fora de suas residências. Com tanta competição na área política, a única alternativa viável passou a ser idealizar um projeto para implantar o ginásio de forma diferente do que se adota hoje. Assim, a Secretaria de Educação delineou o que se pode chamar de " caminho das pedras", definindo como exigências que a cidade implantasse uma escola municipal de curso médio, como precursora do ginásio estadual, e construísse às suas expensas o prédio para o ginásio funcionar. Com isso, caberia ao governo apenas fazer a transformação de um estabelecimento de ensino em outro do mesmo nível, sem que houvesse constrangimentos com relação à hierarquia no meio político estadual.. Para conduzir os trabalhos previstos nesse pesado desafio, foi criada uma Fundação, de fé pública, denominada Sociedade Beneficente de Cultura, a quem se atribuiu as funções de coordenação dos trabalhos comunitários e a articulação dos contatos com o órgão do Estado. A primeira medida adotada pela Sociedade Beneficente de Cultura foi  instituir, no ano de 1954, a Escola Técnica de Comércio Pratiana, a qual funcionou no prédio do Grupo Escolar Cônego João Pio, em horário noturno, com a plena e irrestrita colaboração de professores, que trabalharam sem receber salários. Simultaneamente ao funcionamento da escola, a Sociedade Beneficente dava  início à construção do prédio onde deveria funcionar o ginásio estadual, quando criado. O prédio foi construído com dinheiro de doações  do povo e de amigos da nossa cidade. Depois de concluído, o prédio foi doado ao Estado ,  cumprindo-se , dessa forma, com muita dedicação e trabalho, as exigências fixadas pela Secretaria de Educação. Em 1956, foi assinado o ato de criação do Ginásio Estadual  Marques Afonso, e o Prata, brilhantemente passou à  frente de mais de quatrocentas outras cidades de Minas Gerais no objetivo de ter o seu ginásio. Os alunos matriculados no curso básico da Escola Técnica foram absorvidos pelo ginásio estadual, mediante prova de avaliação acompanhada pelo Ministério de Educação, retratando a correção e a seriedade dos procedimentos  nesta fase inicial do curso secundário. A Escola Técnica de Comércio Pratiana funcionou ainda por um bom período, após a inauguração do ginásio, porém, com o curso técnico, ampliando a possibilidade de formação de alunos no curso médio complementar ao secundário. Só admitindo algo como um sopro divino, presente nas grandes obras, e outro tanto do trabalho de pessoas com paixões intensas, é possível explicar essa história notável  da Sociedade Beneficente de Cultura, com o pensamento único de deixar um legado duradouro para os jovens pratianos. O prédio, hoje utilizado como grupo escolar, deve ser conservado como um marco histórico, pela sua importância na criação do Ginásio Marques Afonso. Pelo pouco aqui revelado, dá para se ver que há muitas  histórias ligadas ao nosso ginásio esperando para serem contadas, e  que ajudariam a formar a memória da cidade.

Cristóvão Martins Torres


Tentando entender a morte

O nascimento e a morte são as fronteiras da vida, com as quais temos de conviver. A aceitação da transitoriedade da condição humana ajuda a aliviar o sofrimento que a ideia da morte costuma trazer. Pode-se sonhar com o aumento da expectativa da vida, mas não se pode mudar o fato de que tudo vai acabar um dia, mesmo com os avanços da medicina moderna, e ainda que o maior desejo do homem seja a imortalidade. Pesquisas demonstram que pessoas com forte grau de envolvimento religioso, independentemente da crença, têm menos medo da morte. A fé ajuda a superar a ansiedade em relação à nossa finitude. Se há uma vida que se segue à morte, existiria então uma continuidade do espirito. A visão espiritual da morte nos dá alivio para enfrentá-la, mas também implica em desapego ás coisas materiais, e a ilusão de eterna beleza e jovialidade, comuns nos dias de hoje, acabam gerando mais tristeza e sofrimento com o fim inevitável de nossa existência. Um filósofo alemão pediu pelo menos um médico para acompanhar o seu enterro e que o seu caixão tivesse  as laterais abertas. Explicou que pretendia mostrar que o médico nada pode fazer quando a morte chega, e que as aberturas laterais permitiriam chamar atenção de que o morto segue de mãos vazias, nada levando consigo. Santo Agostinho escreveu a seguinte reflexão sobre a morte: Siga em frente, a vida continua. A  morte não é nada. É somente uma passagem de uma dimensão para outra. Eu estou, agora em uma outra vida , não podem atormentar essa minha passagem com tristeza e lágrimas. Vocês são vocês. Estão vivos , a vida não pode parar. O que eu era para vocês continuo sendo. A vida significa tudo que ela sempre significou, o fio não foi cortado. Fala-me como sempre falaste. Dá-me o nome que sempre me deste. Não quero tristeza, não quero lágrimas, quero orações. 

Cristóvão Martins Torres


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