quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

“O que importa não é o que você faz entre o Natal e o ano novo, mas entre o ano novo e o Natal.”

 

EDITORIAL

Crescemos ouvindo essa frase nos almoços de fim de ano. À primeira vista, parece apenas um ditado bem-intencionado, quase automático, repetido entre sobremesas e brindes.

Mas ela carrega uma dualidade profunda: disciplina e desleixo.

Para quem atravessou o ano com constância — cuidando do corpo, das finanças, das relações — a frase soa como alívio. Uma confirmação silenciosa de que o caminho importa mais do que os tropeços ocasionais.

Para o oposto, para quem viveu de excessos e passou o ano buscando atalhos, soluções mágicas e recomeços imediatos, a mesma frase provoca desconforto. Ela expõe algo difícil de encarar: não existe compensação rápida para a ausência de direção.

De maneira quase mágica, essa época do ano revela uma verdade simples e incontornável: o que transforma não são os excessos pontuais, mas os hábitos repetidos.

Esse marco simbólico dos 365 dias, que chamamos de ano, é muito convidativo aos “balanços”.

Balanço patrimonial, balanço da sua saúde, do seu nível de alegria e também dos relacionamentos — sim, é um conselho óbvio, mas quem nos dera se tivéssemos feito o óbvio durante todo o ano.

Na figura de aluno, tire um tempo para olhar o que passou e nesse exercício, pense que você está sentado em uma cadeira de colégio, daquelas de madeira simples, com o local de colocar o caderno embaixo.

Não caia na armadilha de se projetar em um tribunal. É bom lembrar que o dia do juízo ainda não chegou pra você. O passado ajuda mais quando é professor, mesmo que muitos insistam em tratá-lo como juíz.

Uma dessas óticas forma caráter, ajusta direção e devolve clareza. A outra apenas paralisa, culpa e consome energia que deveria estar a serviço do futuro.

Diretamente do Chat GPT quando pedi uma frase de efeito que resumisse esses parágrafos: “O que passou só cumpre sua função quando se oferece como lição, não como sentença”.

Por isso, não adianta brigar com o que já foi. Isso já cumpriu seu papel: revelar quem você pode ser se não escolher ser melhor e aprender.

Não se engane, no entanto, com a ideia confortável de que “ainda há tempo de mudar” como se o tempo, por si só, resolvesse alguma coisa. O tempo não corrige rota — decisões fazem isso.

A escolha que importa é sempre a próxima, nunca a passada. Mais que justificativa, essa época do ano pede aprendizado.

Faça seu balanço. Ajuste o rumo. Uma virtude a mais, um vício a menos.

Que seu próximo ano não seja uma fuga do anterior, mas consequência do que você aprendeu com ele. A estrada segue. O que muda é a forma como você caminha.

Ah… Para fechar com mais uma clássica e clichê: “O ano não muda se você não mudar”. Boas festas!


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