quarta-feira, 29 de abril de 2026

 Um amigo inesquecível

Ao longo da minha vida, fiz, graças a Deus, muitos amigos, convivi sempre com figuras muito especiais e lamento o fato de muitos já não estarem mais por aqui.

Omar, era um desses amigos.
Amigos não tem defeitos, tínhamos uma amizade baseada na mútua admiração e na cumplicidade.
Sempre dizia a ele; que seguindo os seus passos, não erro o caminho.
A sinceridade era uma das qualidades que mais admirava nele, não mandava recado e, quando estava aborrecido ou não gostava de algo, falava na hora e na cara o seu descontentamento, não falava pelas costas.
Era uma pessoa de muita personalidade, muito carisma e, genial em sua simplicidade, com opiniões sempre claras e objetivas.
Se "Elvis Presley" era a voz” da época, Omar “era a dança".
Gostava de ir a bons bailes e de dançar, era um verdadeiro pé de valsa.
Nos bailes era comum vê-lo numa mesa rodeado de amigas e amigos.
Com muito traquejo social e muito influente na região, era uma pessoa que comunicava muito bem, sempre solícito e com um bom papo, educado, gentil e sempre disposto a dividir sua experiência com os amigos.
De memória privilegiada e facilidade de expressar, tinha um profundo conhecimento na arte de viver bem, o que não nos fazia imaginar, que por trás daquela voz, havia uma pessoa tão especial.
Com toda sua simplicidade, nos ensinava todos os dias; com experiências, gestos, palavras, sorrisos, companheirismo, sabedoria, solidariedade, principalmente com bons exemplos.
Por ter convivido com o público durante anos, já que era empresário, sempre dizia que conhecia as pessoas no primeiro olhar.
Pressentia quando a pessoa não era de boa índole, pessoa do bem.
Eu tive a sorte de poder conviver com ele e, tirar proveitos desses ensinamentos.
O apelido de "Professor", dado a ele por mim, lhe caía como uma luva.
Nas festas de aniversário da cidade, era comum vê-lo aproximar de pessoas que não via há muitos anos(pratianos ausentes), desejar boas vindas a cidade.
Não era pessoa de guardar todo o dinheiro que ganhava, gastava em bons carros e em viagens.
Omar, tinha uma maneira de enxergar e levar a vida.
Em vida, sua trajetória se confunde com a história de uma boa proza e bons bailes.
Sua cultura de festas e alegria, aliada a uma boa conversa, lhe garantia, ser admirado pelos amigos.
Era um verdadeiro gentleman, conheceu inúmeras mulheres, fez a opção de não se prender a nenhuma delas.
Gostava de falar que a vida só dá uma safra, que saber viver é a maior de todas as artes, Por ser uma pessoa muito correta, foi chamado por várias vezes para fazer parte de grupos políticos, nunca aceitou, tinha verdadeira aversão a política e políticos cassados por corrupção.
Nos dizia; essa não é a minha praia, arrumar sarna para coçar, quero tranquilidade na vida.
Esse foi o grande amigo da vida toda, esse sim, foi o cara que gostava muito de um bom baile, uma boa festa e uma boa proza.
"Abrir mão da vida para fazer o que gosta", era seu lema!
Pelo grande traquejo social que possuía, deixou um grande legado a sociedade pratiana.
Enquanto viveu, teve uma boa qualidade de vida e soube ser gente boa...

 Cristóvão Martins Torres




 Humanismo na Medicina

Conheci o Dr. Flavio Moretzsohn, já formado e exercendo a profissão de médico.
Filho de advogado, não seguiu a carreira do pai, mas assimilou bem seus ensinamentos: o que é ser dedicado e competente na profissão que escolheu.
Saindo cedo de sua terra natal, Piranga, para concluir seus estudos em Medicina. Depois de formado, exerceu a profissão de médico por muitos anos em Belo Horizonte.
Por gostar muito da profissão que escolheu e por ser muito competente, tinha muito prestígio junto aos pacientes e aos colegas.
Fez da Medicina um sacerdócio, tal a dedicação com que tratava seus pacientes, tanto da capital quanto do interior.
Enxergava seus pacientes, não como um doente, mas como um ser humano.
Ele tinha uma visão médica que envolvia solidariedade, compreensão e respeito absoluto do ser humano.
Durante sua carreira, tratou, curou e melhorou a vida de muitas pessoas, famosas e anônimas.
Por gostar muito da profissão que escolhera, resgatou o humanismo na Medicina.
A espiritualidade e as crenças que vão alem do conhecimento cientifico, fizeram parte de seu quotidiano profissional, já que era muito crente a Deus, religioso.
Gente boa para a convivência diária, com brilho confiável nos olhos, comedido em seus procedimentos, avesso as incursões politicas.
Entendia que uma doença desestabiliza o paciente, portanto, cabe ao medico com sua experiência, contribuir para que o equilíbrio se restabeleça..
Como um juiz de si próprio e aprecia a si mesmo, ele atendia o ser humano como criatura que merece respeito.
Estudos mostram que comunicação e empatia se desenvolve, os desafios vão desde a formação até a pratica.
A tudo isso ele dedicou na carreira que escolheu, ser medico.
Pessoa de muita sensibilidade, valorizava muito suas raízes. 
Embora morando muitos anos na capital, não perdeu aquele jeito mineiro do interior; sempre que tinha tempo, ia para sua terra natal, Piranga.
Só uma educação pautada em valores sólidos faz um profissional com tanta dedicação e ética.
Deixou um legado a ser seguido por todos aqueles que estão iniciando o exercício da profissão de médico.

Cristóvão Martins Torres



 Andar de moto é uma experiência única, que combina liberdade, emoção e adrenalina...Foi uma das minhas diversões na juventude...

 

 Honório tem a arte de viver, que é de saber conviver

Há um dito popular que reza: "não é grato aquele que não proclama sua gratidão".
Sou muito grato a algumas pessoas. Levando em conta o dito popular, é justo então que eu proclame essa gratidão.
Tenho uma boa lembrança de quando cheguei em Itabirito, em um domingo a tarde, no início da década de 1980.
Após um certo tempo as lembranças começam a perder suas cores, mas a essência, aquilo que é marcante, fica..
Como jogava futebol procurei informações sobre os clubes de futebol da cidade.
Havia várias possibilidades, mas me identifiquei com o União Esporte Clube.
A equipe de futebol do União era um timaço; tinha muitos craques e, por isso, não havia uma vaga para mim. Cheguei a participar dos treinamentos, mas foi como torcedor e amigo das pessoas que integram a comunidade do Unionense que construí minha história.
Após comprar uma cota fui conhecendo as pessoas e fazendo várias amizades.
Sócio do clube por várias décadas, sinto orgulho por fazer parte dessa família.
Por jogar e gostar muito de futebol, frequentava assiduamente os jogos do União. Foi então que tive a felicidade de conhecer uma pessoa que jogava futebol muito bem e estava sempre presente nos eventos esportivos da cidade.
Um grande desportista e comunicador, Honório, sempre solícito com todos, inclusive com as pessoas de fora. Ele me recebeu muito bem, tendo me incentivado a participar da comunidade Unionense. Isso foi muito importante para mim; o União era e continua sendo, para mim, uma espécie de refúgio do stress do dia-a-dia e de fazer boas amizades, um grande clube de recreação e entretenimento da cidade.
Honório é uma simpatia absoluta de pessoa, um gentleman!
Nunca o vi falar mal ou denegrir a imagem de alguém, isso não coaduna com o seu perfil de grande ser humano.
Conversar com ele é sempre uma preciosa oportunidade de tratar questões do esporte e questões humanas em geral. Ele tem sempre um bom conselho, uma observação precisa, uma boa ideia.
Boleiro, boa prosa, sempre alegre e descontraído, muito bem informado, não dá um passo na cidade sem cumprimentar uma pessoa ou mesmo parar para bater um papo.
Quem conversa com ele sai com o espírito leve, pois ele sempre tem uma palavra de otimismo e um sorriso no rosto, um equilíbrio e uma serenidade que impressionam.
É muito bom poder desfrutar, nas tardes de sábados na sauna e nas manhãs de domingo do Verdão, da agradabilíssima companhia do Honório.
Pai extremoso, dedicado permanentemente a família e ao trabalho, conseguiu transmitir aos seus filhos essa filosofia de vida que pratica.
Honório, que, sem sombra de duvida, desempenhou com dignidade todas as missões que aceitou, tem a arte de viver, que é a arte de saber conviver.

Cristóvão Martins Torres



 

*CHICO E O GATINHO PANCHO*






 *CHICO E O GATINHO PANCHO*


Conto

Em uma noite, chegou ao Centro Luiz Gonzaga, nas reuniões do Chico, um gatinho… Ele se deixou adotar.

Passou a assistir, frequentemente, às reuniões.
Chico passou a cuidar dele e, carinhosamente, começou a chamá-lo de Pancho (Francisco).

Todos tinham enorme carinho por Pancho.
Sempre presente nas reuniões, era o xodó de todos.

Certa vez, a reunião entrou madrugada adentro… De repente, Pancho começou a miar com insistência…

Todos ficaram inquietos, sem saber o porquê.

Não bastassem os miados, Pancho pulou na mesa de trabalho e dirigiu-se a Chico…

Todos ficaram assustados com a atitude de Pancho.

Aproximando-se de Chico, ele colocou a patinha sobre sua mão, como quem dizia: “É hora de parar…”

Porém, Chico não entendeu assim. Então, num ato contínuo, Pancho enfiou as unhas na mão dele.

Chico, espantado, parou imediatamente.
Todos ficaram indignados com aquela ação de Pancho…

Chico interveio:

— Pessoal, não façam nada… Pancho está me protegendo.

— Já é hora de encerrar os trabalhos. Pancho enxergou em mim minha exaustão… e que era hora de encerrar.

— Se eu insistisse mais, teria sérias consequências…

🌹🌼🙏

DIDI (Benevides)





Calúnia, na Visão do Jurista Amadeu Garrido

Se lhe atribuíram falsamente a prática de um crime, o pior modo de tripudiar sobre a honra alheia, tome suas providências judiciais; até porque, diversamente da injúria e da difamação, o que poderia ser considerado ato de indiferença nobre, pode ser havido como silêncio concordante e produzir consequências espúrias.
Mas, independentemente disso, sobretudo se a calúnia é a resposta ao bem, é hora de comparar caráteres. Constata-se que a torpeza é ingrediente de certas personalidades, movidas pela inveja, torpeza, futilidade ou simples desejo de desconstrução do alheio como meio compensatório da própria esqualidez moral e necessidade de compensação.
O indignado dorme, ainda que a sobressaltos. O caluniador sonha com seu mal, acorda, tem náuseas, atribula-se de diversos modos e por muitos anos, sem identificar a origem de seu mal. É o inconsciente detratante que veio à luz e a racionalidade incapaz de contê-lo em sua caverna mal cheirosa.
O caluniador sofre mais, ainda que imperceptivelmente, que o caluniado. Assim como o perdão faz mais bem a quem perdoa do que ao perdoado. Portanto, se o direito não o impedir, perdoe. É a mais honrosa benção que podemos receber das alturas, é o melhor presente que podemos dar a alguém e, ainda, sem que ninguém o saiba, porque o que se dá com uma mão a outra não deve ver.
Essas observações parecem vir na contramão num momento de muitos crimes praticados contra o pobre povo brasileiro. Não estamos, porém, a propor que a sociedade, por seus juízes, perdoe aos que cometeram crimes e lhes retiraram o pão da boca e a amenização dos sofrimentos de saúde. Não há nenhuma relação e, se houver, consiste em desfrutarmos de um futuro bem mais ameno do que esses malfeitores, independentemente dos Moros, que simplesmente cumprem suas funções.
Não há quem deixará de considerá-las metafísicas. Só há o real e o concreto. O idealismo de Kant, de Hegel e de tantos outros não terão contribuído à construção de um mundo mais ético?
Com todo respeito às ideias materialistas, devemos lembrar que, por exemplo, o materialismo de Marx não foi o materialismo grosseiro, mas a história do espírito de Hegel às avessas. Quem não se sente bem ao perceber o imaterial, o incomum, a caminhar para o reino dos deuses, destino de boa parte da humanidade, ao contrário de outra, que caminhará em sentido contrário?
Portanto, dê a seu caluniador um presente que só amaciará  mais seu coração generoso. O perdoado sofrerá enquanto viver e, esperemos que não, na eternidade.


Fazenda da vargem...



A Mula Palmeira volta para casa

Na década de 50, meu avô Tineco tinha uma mula pêga, animal resistente, adequado para longas viagens. Nela viajou por toda a região do Prata, Nova Era e de Itabira.
Após a morte de meu avô, o animal, que o serviu por longo tempo, teve tratamento especial por parte da família: tio Feliciano, que morava na Fazenda da Vargem, reconhecendo os serviços que Palmeira tinha prestado a meu avô, deu a ela tratamento especial, concedendo-lhe um dos melhores pastos da fazenda. Palmeira havia se tornado um animal de estimação da família.
A atividade leiteira era uma tradição na Fazenda da Vargem, passando de geração para geração. Na década de 50 a fazenda se tornou uma referência na produção de leite e, além disso, produzia arroz, feijão, café, milho e gado de corte de boa raça.
Desde a sua inauguração, a Fazenda da Vargem passou por três gerações da família, tendo sido meu avô Tineco seu último dono. Após seu falecimento, a fazenda encerrou suas atividades produtivas.
Na década de 60, em uma de minhas idas à Fazenda da Vargem, meu tio Feliciano me ofereceu a Mula Palmeira. Por ter sido ela um animal de estimação de meu avô, aceitei, com muito gosto, aquele presente do tio Feliciano. Acompanhado do amigo José Helvécio, segui para o Prata no lombo da mula, que, por já estar muito velha e ter uma deficiência no casco da pata esquerda, mancava muito. Além disso, Palmeira parava a todo instante, olhava para trás, em direção à fazenda, demonstrando querer ficar na casa onde tanto tempo tinha vivido. Por isso demoramos muito para chegar ao Prata.
A viagem foi longa e divertida. Saímos da fazenda após o almoço e chegamos ao Prata quando já estava escurecendo.
Quando chegamos ao Prata, meu pai ficou emocionado ao ver Palmeira, pois sabia que ela era o animal de estimação de Tineco. Em tom de espanto, disse: “- está ficando louco? Volta com essa mula para a Vargem! Ela não vai se adaptar aqui! O quintal é pequeno para ela, ela está acostumada com pastos grandes.”
Soltamos Palmeira no quintal da nossa casa. No meio da madrugada, acordamos todos com muito barulho: Palmeira estava batendo suas patas no portão, até que ele arrebentou. A barreira que impedia Palmeira de voltar para sua casa, a Fazenda da Vargem, caiu.   
O motivo que fez Palmeira voltar para a Fazenda da Vargem foi a saudade de seu verdadeiro lar. Mas, no Prata, a versão que ficou, e que passou a integrar o folclore da cidade, foi a seguinte: como Palmeira tinha uma falha grande na dentição superior, eu teria pedido a meu pai para fazer uma dentadura para a mula. Ele teria se negado a fazer a dentadura, e Palmeira, chateada com isso, teria nos deixado.

Cristóvão Martins Torres