Crônicas
sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Final do Janeiro Branco; Não descuide de sua saúde mental
Saúde da mente influencia diretamente na qualidade de vida, assim como em aspectos fisiológicos como sono e disposição
Apatia, desesperança, solidão. A depressão é uma das doenças que mais cresce a cada ano. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), estima-se que 5% da população mundial, cerca de 330 milhões de indivíduos, convivam com o problema — destes, 12 milhões são brasileiros. Ao observar essa temática, em especial, o Janeiro Branco tem o objetivo de conscientizar a população quanto à importância dos cuidados com a saúde mental.
Especialista em fisiologia e meditação, Débora Garcia explica que ao contrário do que muitas pessoas acreditam, cuidar da mente demanda mais do que intenção ou desejo de acalmar emoções. “É importante entender ser natural sentir todas as emoções, que são iniciadas inconscientemente, mas que não necessariamente precisam controlar nossas atitudes”, aponta.
É fato que a qualidade do padrão de pensamentos e emoções impactam em diversos aspectos da vida, que vão desde relacionamentos — sejam eles pessoais ou profissionais — à produtividade, paciência e disposição. “Puxando para a fisiologia, as emoções são capazes de alterar nosso ciclo de sono e aprendizagem, por exemplo", avisa.
A negligência em relação à saúde emocional tem um preço alto, visto que nenhum indivíduo está 100% imune a um transtorno mental. “O que podemos e devemos fazer é ter um cuidado diário, mesmo porque os transtornos são resultados de não darmos a atenção necessária para a nossa inteligência emocional e ao fluxo de pensamentos, que em alguns casos mais perturbam que ajudam”, alerta.
Segundo a fisiologista, ações pontuais e espaçadas não terão resultados expressivos, dado que os maiores benefícios são consequência da constância. “Imagina uma pessoa que trabalha apenas um mês e pensa que com isso pode gastar para o resto da vida, não faz muito sentido. Com as emoções e a mente é a mesma coisa, afinal, nós precisamos delas todos os dias e os hábitos de alto cuidado devem fazer parte da nossa rotina como o banho”, elucida Débora.
Não há mágica quando o assunto é autocuidado emocional, é necessário cuidar hoje para poder ter mais qualidade de vida e bem-estar a curto, médio e longo prazo, visto que a melhora é cumulativa.
1) É hora de procurar ajuda
Débora Garcia aponta que a depressão esbarra em pré-conceitos, levando quem sofre com o problema a ter dificuldades em fazer acompanhamento com um profissional da saúde mental. “Lembre que o profissional que vai te ajudar a fazer uma coisa que você não foi treinado para fazer, afinal não é da nossa cultura cuidar das nossas emoções desde criança e se autoconhecer”, diz.
Mesmo porque existem alterações neurofisiológicas “negativas” quando as emoções estão fora de controle, um profissional pode ajudar a usar as ferramentas corretas para reorganizar a parte fisiológica também. “Um ponto que pode ajudar é perceber se as suas tentativas até agora estão sendo eficientes. Existem diversos profissionais que podem auxiliar para uma melhor saúde mental, sejam psicólogos, terapeutas ou até mesmo especialistas em terapias alternativas” aponta.
2) O corpo afeta a mente
Melhorar hábitos alimentares e fazer exercícios físicos afeta diretamente a saúde da mente. “Com uma ligação direta chamada cérebro-intestino, nossa alimentação pode influenciar de variadas formas nossa melhor saúde tanto física como mental. Já os exercícios, por exemplo, ajudam a reduzir o hormônio cortisol, relacionado ao estresse. Ou seja, para equilibrar a mente, um estilo de vida saudável conta bastante”, comenta.
3) Escolha a calma
Percepção e clareza de ideias são habilidades que podem ser treinadas. Não há obrigatoriedade em responder a toda categoria de ideia ou pensamento que surge. Filtrando e trazendo qualidade de pensamentos. “Aderir a uma técnica de relaxamento e de respiração consciente é muito eficiente e ajuda a aumentar o nosso pavio emocional. Essas práticas causam mudanças positivas no funcionamento do nosso cérebro, que promove a mudança positiva de dentro para fora”, garante Débora Garcia.
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"O homem de 58 e 62, o bom e maravilhoso Mané"
"Mané Garrincha : O maior de todos os tempos"...Campeão mundial pela seleção 58/62...
Vida de Mané Garrincha
"Mané Garrincha : O maior de todos os tempos"...Campeão mundial pela seleção 58/62...
Garrincha Prime
Mané Garrincha foi o Inspirador do "Olé" no Futebol
JOÃO SALDANHA
(Texto extraído do livro Os subterrâneos do Futebol, de João Saldanha, lançado em 1963 pela editora Tempo Brasileiro).
O Estádio Universitário ficou à cunha. Cem mil pessoas comprimidas para assistir ao jogo. É muito alegre um jogo no México. É o país em que a torcida mais se parece com a do Rio de Janeiro. Barulhenta, participa de todos os lances da partida. Vários grupos de “mariaches” comparecem. Estes grupos, que formam o que há de mais típico da música mexicana, são constituídos de um ou dois “pistões” e clarins, dois ou três violões, harpa (parecida com a das guaranias), violinos e marimbas. As marimbas são completamente de madeira, mas não vão ao campo de futebol, sendo substituídas por instrumentos pequenos. O ponto alto dos “mariaches” é a turma do pistão, do clarim e o coro, naturalmente. No campo de futebol, os grupos amadores de “mariaches” que comparecem ficam mais ativos em dois momentos distintos: ou quando o jogo está muito bom e eles se entusiasmam, ou, inversamente, quando o jogo está chato e eles “atacam” músicas em tom gozador.
No jogo em que vencemos ao Toluca, que estava no segundo caso, os “mariaches” salvaram o espetáculo.
O time do River era, realmente, uma máquina. Futebol bonito e um entendimento que só um time que joga junto há três anos pode ter. Modestamente, jogamos trancados. A prudência mandava que isto fosse feito. De fato, se “abríssemos”, tomaríamos um baile.
Foi um jogo de rara beleza. E não foi por acaso. De um lado estavam Rossi, Labruña, Vairo, Menéndez, Zarate, Carrizo. De outro, estavam Didi, Nilton Santos, Garrincha etc. Jogo duro e jogo limpo. Não se tratava de camaradagem adquirida em quase um mês no mesmo hotel, mas sim da presença de grandes craques no gramado. A torcida exultava e os “mariaches” atacavam entusiasmados.
Estava muito difícil fazer gol. Poucas vezes vi um jogo disputado com tanta seriedade e respeito mútuos. Mas houve um espetáculo à parte. Mané Garrincha foi o comandante. Dirigiu os cem mil espectadores. Fazendo reagirem à medida de suas jogadas. Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do “Olé”, tão comumente utilizada posteriormente em nossos campos. Não porque o Botafogo tivesse dado “Olé” no River. Não. Foi um “Olé” pessoal. De Garrincha em Vairo.
Nunca assisti a coisa igual.
Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um “Olé” daquele tamanho. Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: “Ôôôôô”! O som do “olé” mexicano é diferente do nosso. O deles é o típico das touradas. Começa com um ô prolongado, em tom bem grave, parecendo um vento forte, em crescendo, e termina com a sílaba “lé” dita de forma rápida. Aqui é ao contrário: acentua-se mais o final “lé”: “Olééé!” – sem separar, com nitidez, as sílabas em tom aberto.
Verdadeira festa. Num dos momentos em que Vairo estava parado em frente a Garrincha, um dos clarins dos “mariaches” atacou aquele trecho da Carmem que é tocado na abertura das touradas. Quase veio abaixo o Estádio Universitário.
Numa jogada de Garrincha, Quarentinha completou com o gol vazio e fez nosso gol. O River reagiu e também fez o dele. Didi ainda fez outro, de fora da área, numa jogada que viera de um córner, mas o juiz anulou porque Paulo Valentim estava junto à baliza. Embora a bola tivesse entrado do outro lado, o árbitro considerou a posição de Paulinho ilegal. De fato, Paulinho estava “off-side”. Havia um bolo de jogadores na área, mas o árbitro estava bem ali. E Paulinho poderia estar distraindo a atenção de Carrizo.
O jogo terminou empatado. Vairo não foi até o fim. Minella tirou-o do campo, bem perto de nós no banco vizinho. Vairo saiu rindo e exclamando: “No hay nada que hacer. Imposible” – e dirigindo-se ao suplente que entrava, gozou:
– Buena suerte muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá.
O jogo terminou empatado e uma multidão invadiu o campo. O “Jarrito de Oro”, que só seria entregue ao “melhor do campo” no dia seguinte, depois de uma votação no café Tupinambá, foi entregue ali mesmo a Garrincha. Os torcedores agarraram-no e deram uma volta olímpica carregando Mané nos ombros. Sob ensurdecedora ovação da torcida. No dia seguinte, os jornais acharam que tínhamos vencido o jogo, considerando o tal gol como válido. Mas só dedicaram a isto poucas linhas. O resto das reportagens e crônicas foi sobre Garrincha.
As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao “Olé”. As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o “Olé”. Foi assim que surgiu este tipo de gozação popular, tão discutido, mas que representa um sentimento da multidão.
Já tentaram acabar com o “Olé”. Os árbitros de futebol, com sua inequívoca vocação para levar vaias, discutiram o assunto em congresso e resolveram adotar sanções. Mas como aplicá-las? Expulsando a torcida do estádio? Verificando o ridículo a que estavam expostos, deixam cada dia mais o assunto de lado. É melhor assim. É mais fácil derrubar um governo do que acabar com o “Olé”.
Não poderia ter havido maior justiça a um jogador que a que foi feita pelos mexicanos a Mané Garrincha. Garrincha é o próprio “Olé”.
Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante,
Acordo União Europeia–Mercosul: avanço estratégico em um mundo mais protecionista
*Por Gustavo Menon
A assinatura do acordo de livre-comércio entre a União Europeia e o Mercosul marca um momento histórico nas relações econômicas internacionais. Após quase 30 anos de negociações, o tratado finalmente sai do campo das intenções para se tornar um instrumento concreto de integração comercial entre dois grandes blocos, em um contexto global cada vez mais marcado por políticas unilaterais, disputas geopolíticas e tendências protecionistas.
Do ponto de vista econômico, trata-se de um acordo de grande envergadura. União Europeia e Mercosul somam mais de 700 milhões de consumidores e uma produção estimada em mais de US$ 22 trilhões. A redução gradual de tarifas e a eliminação de barreiras comerciais têm potencial para ampliar significativamente os fluxos de comércio e investimento entre as regiões, fortalecendo cadeias produtivas e criando novas oportunidades para empresas de ambos os lados do Atlântico.
Um dos aspectos mais relevantes do acordo é a incorporação de temas que vão além da liberalização comercial tradicional. A inclusão de compromissos relacionados à agenda ambiental, compras públicas e a previsibilidade regulatória em cadeias produtivas estratégicas reflete uma mudança de paradigma nos acordos internacionais, especialmente sob a ótica europeia. Ao mesmo tempo, esse enfoque impõe desafios adicionais aos países do Mercosul, que precisarão conciliar competitividade, sustentabilidade e adaptação regulatória.
Para a América do Sul — e, em especial, para o Brasil — o acordo representa uma oportunidade relevante de ampliar o acesso ao mercado europeu, sobretudo para produtos do agronegócio e bens de origem primária. Não por acaso, o setor agroexportador brasileiro acompanha o tratado com grande expectativa. Em contrapartida, a União Europeia tende a expandir suas exportações de produtos industrializados e de maior valor agregado para o subcontinente sul-americano, reforçando sua presença em segmentos industriais estratégicos.
Esse movimento, contudo, não está isento de riscos. É preciso reconhecer que a abertura comercial pode gerar distorções e aprofundar assimetrias em setores sensíveis de ambos os blocos. As resistências enfrentadas ao longo do processo, especialmente por parte de produtores agrícolas europeus — com destaque para a França —, evidenciam o receio de impactos sobre a produção doméstica e a renda rural.
A própria arquitetura do acordo reflete essas preocupações. A liberalização ocorrerá de forma escalonada, com prazos que podem chegar a 15 anos para a plena integração. Esse período de transição busca mitigar choques econômicos, permitindo que setores mais vulneráveis se ajustem gradualmente à maior concorrência internacional.
Se bem implementado, o acordo União Europeia–Mercosul pode se tornar um vetor importante de crescimento econômico, aumento da competitividade e integração do Brasil às cadeias globais de valor. No entanto, seus benefícios não serão automáticos. Eles dependerão da capacidade dos países do Mercosul de formular políticas públicas consistentes, investir em inovação, infraestrutura e sustentabilidade, além de preparar seus setores produtivos para competir em um ambiente mais aberto e exigente.
Mais do que um simples tratado comercial, o acordo representa uma escolha estratégica. Em um mundo fragmentado, optar pela cooperação e pela integração pode ser um diferencial competitivo. O desafio, agora, é transformar essa oportunidade em desenvolvimento econômico equilibrado e sustentável.
*Gustavo Menon é especialista em Relações Internacionais e Direito Internacional e atua como coordenador do curso de mestrado em Estudos Jurídicos da American Global Tech University (AGTU). Site: www.agtu.us/pt.
Eduardo Betinardi
P+G Trendmakers
E-mail: eduardo@pmaisg.com.br
Site: www.pmaisg.com.br
Conhecimento virou poder estratégico: quem não domina a inovação ficará fora do futuro
*Por Susane Garrido
Durante muito tempo, conhecimento e tecnologia foram tratados como esferas distintas, uma ligada ao pensamento, outra à execução. Esse modelo, no entanto, já não explica a complexidade do mundo atual. Na sociedade contemporânea, o conhecimento tornou-se o principal ativo estratégico e sua articulação com tecnologias de inovação passou a definir competitividade, desenvolvimento econômico e inclusão social.
Essa mudança exige mais do que adaptação técnica, exige uma revisão profunda da forma como aprendemos, ensinamos e produzimos valor. Não estamos falando apenas de novas ferramentas, mas de uma nova lógica de pensamento. Quem não compreende a relação entre conhecimento e inovação corre o risco de se tornar irrelevante em um mundo movido por inteligência, dados e criatividade.
A discussão ganha ainda mais relevância diante das transformações impostas pela inteligência artificial, pelas competências digitais e pelos avanços das neurociências aplicadas à educação. Nesse cenário, o conhecimento deixa de ser acumulativo e passa a ser conectivo, interdisciplinar e orientado à solução de problemas reais.
Agora, a educação global vive um ponto de inflexão. As tecnologias de inovação estão redesenhando os processos de ensino-aprendizagem. O desafio não é mais acesso à informação, mas a capacidade de transformar informação em significado, decisão e impacto social.
Outro ponto central envolve as barreiras que ainda limitam esse avanço — como desigualdade de acesso, resistência cultural e formação inadequada para o uso crítico das tecnologias. Ignorar essas tensões é comprometer o próprio futuro do desenvolvimento social e econômico. Inovação não é neutra. Ela amplia oportunidades, mas também pode aprofundar desigualdades se não houver políticas, educação e consciência crítica.
Ao analisar megatendências globais, precisamos promover a integração entre conhecimento e tecnologias de inovação. Essa conexão será decisiva para a formação de profissionais capazes de atuar em um mundo instável, complexo e em constante transformação. O futuro não será definido apenas por quem domina a tecnologia, mas por quem sabe pensar com ela.
*Susane Garrido, pós-doutora em Tecnologias da Inteligência e Design Digital, é coordenadora dos Programas dos Mestrados em Educação da American Global Tech University (AGTU).
Eduardo Betinardi
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