O futebol brasileiro se encontra em crise: clubes, com raríssimas exceções, em situação financeira complicada, dirigentes envolvidos em negociatas pouco confiáveis, insegurança nos estádios etc.
Diante disso, é necessária a união dos atores envolvidos na administração desse esporte, para diagnosticar os problemas e apontar soluções.
Essa reunião precisa ser democrática: deve contar, majoritariamente, com dirigentes (os famosos "cartolas"), mas também com representantes de autoridades públicas envolvidas na organização de espetáculos esportivos, representantes das torcidas etc.
Nessa reunião é preciso abordar a realidade do futebol brasileiro na sua totalidade e, após discussão, fazer uma espécie de plano diretor do futebol.
O plano diretor de um município é uma lei que organiza o convívio no espaço de uma cidade. Por analogia, o plano diretor do futebol seria uma lei contendo o conjunto de diretrizes gerais e regras especiais sobre as várias atividades envolvidas na prática do futebol, destacando-se três: administração e regras de compliance, direitos dos torcedores e, por fim, plano de carreira dos atletas.
Administração e regras de compliance
Atualmente, a grande maioria dos clubes está endividada. Isso se deve, sobretudo, a dois fatores: por um lado, à incompetência e, em alguns casos, infelizmente, à má fé dos dirigentes e, por outro lado, à pressão da torcida por resultados imediatos. Só vejo uma maneira de solucionar esse problema: criar um controle nos moldes da lei de responsabilidade fiscal: o dirigente que gastar mais do que arrecada responde pessoalmente, penal e civilmente, pelo dano causado ao clube. Isso faria que os dirigentes honestos tenham respaldo legal para resistir às pressões da torcida por contratações milionárias, incompatíveis com a realidade do clube. Os desonestos, que infelizmente hoje provocam os clubes brasileiros, nem teriam vontade de entrar...
Plano de carreira dos atletas
O plano de carreira dos atletas deve prever de forma clara as categorias (Infantil, juvenil, juniores e profissional), seus salários, formas de progressão, direitos e benefícios etc. Os salários devem ser proporcionais a cada categoria, aberta a possibilidade porém de o craque do time ter um salário um pouco diferenciado (respeitadas as regras de responsabilidade fiscal).
O plano de carreira deve contar ainda regras de produtividade, estabelecidas com base em critérios técnicos.
Naturalmente, o teto salarial de cada categoria do plano diretor deve ser estabelecido por cada clube, dentro de sua realidade financeira: cada um paga o que pode pagar.
Não deve haver nenhuma padronização nisso, porque a realidade de um clube pode ser, e de fato é, diferente da realidade de outro clube.
Direitos dos torcedores
O estatuto do torcedor já os prevê. O que é necessário agora é sua revisão, buscando o estabelecimento de medidas concretas para garantir a segurança e o bem estar nos estádios.
Mas não adianta apenas criar o Plano Diretor do Futebol Brasileiro. Uma vez criado, ele precisa ser cumprido com rigor. Sem isso, nosso futebol brasileiro caminha a passos largos rumo à decadência.
Detalhe de suma importância para o espetáculo
Durante uma partida de futebol, cada equipe pode fazer cinco substituições.
Seria interessante que depois de feitas as substituições, caso um jogador de uma equipe sofra uma fratura, seja possível, fazer a sexta substituição.
Um detalhe que reputo da maior importância para o bom espetáculo, óbvio, só em caso de uma possível fratura em um jogador.
Aconteceu com o futebol brasileiro
Muitas vezes passamos a vida distraídos, deixamos de estar conscientes para o que está acontecendo, em certos momentos somos atropelados pelas circunstancias.
Só com o fortalecimento dos clubes
O que precisamos é que todos estejam cada vez mais integrados no espirito de melhorias do futebol brasileiro.
Todo mundo trabalhando, todo mundo comunicando esses conceitos, seja entidade máxima do futebol brasileiro, federações esportivas estaduais, dirigentes dos clubes, torcidas e a imprensa esportiva.
Todos imbuídos do mesmo propósito de melhorias de todos os conceitos e em todos os níveis, do futebol brasileiro.
Nessa hora de crise é importante a união e a padronização de idéias das pessoas inseridas no processo.
Não vão nunca sozinhos, concertar o que conseguiram atrapalhar.
Tem que ser uma melhoria contínua, com um trabalho de todos.
Um trabalho a longo prazo, resultados imediatos não daria certo, não seria a solução.
Cristóvão Martins Torres
Levantando a taça do campeonato mundial de clubes
ESPORTES |
O Glorioso está à beira da falência |
| (Imagem: Vitor Silva | Botafogo) |
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Há apenas 16 meses, o Botafogo vivia o auge: era campeão brasileiro e da Libertadores após anos de dificuldades dentro e fora de campo. Só que a alegria no coração dos torcedores parece ter sido apenas uma “chuva de verão”. |
Nesta semana, a SAF do clube protocolou um pedido de recuperação judicial. Os números ajudam a explicar o tamanho do problema: |
R$ 2,5 bilhões em passivos totais; R$ 1,4 bilhão em dívidas de curto prazo, vencendo até o fim deste ano; R$ 287 milhões de prejuízo só em 2025; Patrimônio líquido de R$ 427 milhões negativos.
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Boa parte da crise veio de uma estratégia agressiva no mercado: contratações caras, compras parceladas de jogadores e aposta em receitas futuras. É como aquele seu amigo que torra o cartão de crédito todo mês. Uma hora dá ruim. |
Para se ter uma ideia, a situação é tão grave que o time carioca já reconheceu à Justiça não ter dinheiro suficiente em caixa pra pagar a folha salarial dos funcionários no próximo mês. |
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Como se não bastasse a crise financeira, o empresário americano John Textor foi afastado nesta quinta-feira do comando da SAF por decisão arbitral ligada à FGV. |
O tribunal apontou uma concentração perigosa de poder: o empresário assinou contratos simultaneamente como comprador, vendedor e representante da SAF, gerando conflitos de interesse que poderiam causar "danos irreparáveis". |
Mas isso não é uma exclusividade do Fogão |
Os clubes brasileiros, em geral, vivem uma situação financeira extremamente delicada. Entre eles, a situação é mais delicada para: |
Corinthians: Dívida de R$ 2,7 bilhões e um patrimônio líquido negativo de R$ 774 milhões — ou seja, mesmo se o clube vendesse todos os seus bens, continuaria com essa dívida; Atlético-MG: Dívida de R$ 1,7 bilhões, sendo R$ 400 milhões referentes à Arena MRV; Santos: Dívida próxima a R$ 1 bilhão, sendo mais de R$ 470 milhões de dívida de curto prazo.
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