sábado, 14 de março de 2026

Conto sobre Chico : *PEDINDO ESMOLA PARA ENTERRAR O EX-PATRÃO*

 



*PEDINDO ESMOLA PARA ENTERRAR O EX-PATRÃO*


Conto sobre Chico

Chico levantara-se cedo e, ao sair de charrete para a fazenda, encontra-se no caminho com Flaviano, que lhe diz:

— Sabe quem morreu?
— Não!
— O Juca, seu ex-patrão. Morreu na miséria, Chico, sem ter nem o que comer…
— Coitado! A que horas é o enterro?

— Creio que vão enterrá-lo a qualquer hora, como indigente, no caixão da prefeitura, isto é, no rabecão…

Chico medita, emocionado, e pede:

— Flaviano, faça-me um favor: vá à casa onde ele faleceu e peça para esperarem um pouco. Vou ver se lhe arranjo um caixão, mesmo que seja barato.

Flaviano despede-se e parte.

Chico desce da charrete e manda um recado para o seu chefe.

Recorda-se do patrão, que tão bem lhe fizera, e faz uma prece a Jesus, lembrando seu ex-patrão, figura humilde, quanto amparo trouxera à sua família.

Na súplica, Chico pede a Jesus que o ajude a pagar, ao menos em parte, a gratidão que devia ao patrão.

— Ajude-me, Senhor.

Então, tirando o chapéu da cabeça e virando-o de copa para baixo, à guisa de sacola, foi bater de porta em porta, pedindo esmola para comprar um caixão e enterrar o falecido amigo.

Daí a pouco, toda Pedro Leopoldo sabia do sucedido e estava perplexa, senão comovida, com o gesto de Chico.

Seu pai soube e veio ao seu encontro, tentando demovê-lo daquele pedido de esmolas.

— Não, meu pai. Não posso deixar de pagar tão grande dívida a quem tanto colaborou conosco.

Um pobre cego, muito conhecido em Pedro Leopoldo, foi informado da nobre ação de Chico, a quem estimava. Quando encontrou Chico, disse:

— Por que tanta pressa, Chico?
— Meu nego, estou pedindo esmolas para enterrar meu ex-patrão.

— Seu Juca? Já soube… Coitado, tão bom! Espere aí, então, Chico. Tenho aqui algum dinheiro que me deram de esmolas ontem e hoje.

E despejou no chapéu de Chico tudo o que havia arrecadado até ali.

Chico olhou-lhe os olhos sem luz e os viu cheios de lágrimas. Comoveu-se ainda mais.

— Obrigado, meu nego! Que Jesus lhe pague o sacrifício.

Chico, então, com o dinheiro arrecadado, comprou o tão sonhado caixão.

Providenciou o enterro e acompanhou o amigo até o cemitério.

Já tarde, regressou para casa.

Tinha vivido um grande dia.

Sentou-se à entrada da porta.

Lá dentro, os irmãos e o pai observavam-no, comovidos.

Chico, entre lágrimas e em silêncio, agradeceu a Jesus.

Emmanuel lhe aparece e lhe sorri. O sorriso de seu bondoso amigo lhe diz tudo.

Chico, com sua bondade e humildade extremadas, ganhara o dia.

Pagara uma dívida e dera seu testemunho de gratidão e amor ao Divino Mestre.

❤️🙏

DIDI (Benevides)


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