*A TRAGÉDIA DO PIPOQUEIRO*
*1965* *MAIO*
Mês encantador, *o mês de Maria nossa Mãe*
*A igreja estava em festas*.
Coroação, barraquinhas, quentoes, canjicas...tudo a gosto.
A época, frequentava as barraquinhas, uma menina, um encanto... parecia um anjo...
Cabelos castanhos... olhos cor de mel. Foi amor a primeira vista.
A emoção de pegar na sua mãozinha...era enorme. Ela chegava às 19 e ia embora as 21 horas.
*O pipoqueiro*
Toda festa do mês de Maria, tinha seu pipoqueiro.
E aqui também tinha.
Ele chegava por volta de 18 horas, e estacionava seu Carrinho ...na antiga rua Nova, com Marzagania.
Ele era um ser muito pobrinho... muito mesmo.
*A TRAGÉDIA*
Eu Sempre chegava, por volta das 18 horas, para esperar a Amada.
Neste dia da tragédia...eu fui até a esquina onde estava o carrinho estacionado.
O pipoqueiro já tinha estourado suas pipocas. Prontas para a venda...na esperança de ótimos negócios.
Nisto apareceu um bando de moleques, em algazarra, perseguindo uns aos outros.
Na confusão, avançaram sobre o Carrinho ...que ato continuo... *espatifou - se no chão*.
O pipoqueiro...gritou para os moleques...mas a tragédia estava feita.
*O carrinho arrebentou todo*... vidros e madeira pra todos os lados...vasilhas ao chão...pipocas espalhadas ...
*O Pipoqueiro, ajoelhou se ao chão*...sobre a tragédia e pôs-se a chorar.
Eu, de forma solidária , ajoelhei e abracei o pipoqueiro. ( Ele era meu vizinho e amigo)
Porém, entre lágrimas...*me deu uma vontade de comer as pipocas*, *terrível*...meu Deus.
*O pipoqueiro*, custou para recuperar seu carrinho.
Após as festas....
A bela Amada, apaixonou-se por outro, sumiu...
Nunca mais a vi...
Eu, continuei apaixonando e amando pela vida...
*É isto*


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