quarta-feira, 1 de novembro de 2023

CACHOEIRA DO CAMPO SE PREPARA PARA A 31ª FESTA DA JABUTICABA

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Ouro Preto

31 de outubro de 2023
Imagem - Ane Souz

Por Josilaine Costa

Nos próximos 10, 11 e 12 de novembro a praça da Matriz, em Cachoeira do Campo será palco da 31ª Festa da Jabuticaba.

A festa que já faz parte do calendário cultural da região desde 1992 e desenvolvida pelo Lions Clube de Cachoeira do Campo, atualmente tendo como governador do distrito Lions LC4 Paulo Marcos Xavier da Silva e o presidente Antônio F. S. Sobrinho. 

Assim como todos os anos, quem comparecer à festa poderá se deliciar com diversos produtos provenientes da jabuticaba incluindo os tradicionais licor, compota e geleia. Os organizadores do evento afirmam que “o público se surpreenderá com grandes novidades que serão comercializadas, num espaço voltado exclusivamente para os produtores de derivados”. Além da oficina de boas práticas, especialistas da gastronomia irão avaliar e dar o reconhecimento à melhor produção inédita derivada da jabuticaba. O chefs de cozinha que confirmaram a presença e que irão avaliar as produções serão Petterson Tonini, Jaime Tonini e Bruna Tonini, Juliano Caldeira, Natércia, Ana Sandim, Guilherme Medeiros, João Bruno e Milsane Sebastião que também é coordenadora das oficinas.

Milsane Sebastião é a coordenadora das oficinas.

Desde a edição passada, em 2022, a festa assumiu um novo formato, buscando atender a diretriz contemporânea da Nova Cozinha Mineira. Segundo os organizadores, “Desde que a festa assumiu esse novo formato, todas as ações giram em torno da fruta e é ela quem dita as regras de produção do evento, começando pela data, que obedece ao calendário da safra”. E esse ano não será diferente e todas as barraquinhas deverão apresentar produtos derivados da fruta.

Nesse ano a festa terá três palcos, palco gastrônomo, palco da praça e palco do largo do cartório, os dois últimos palcos serão de atrações musicais com estilos variados destinados a todas as idades, desde o Rock como a Orquestra Ouropretana de Rock às tradicionais e centenárias Banda de Cima e Banda de Baixo (Bandas Civis Euterpe Cachoeirense e União Social), e o palco do Cozinha show, que nessa edição estará ao lado dos produtores, em frente à Igreja de Nossa Senhora de Nazaré.

A Festa da Jabuticaba conta com o apoio da Prefeitura de Ouro Preto, Condes, Senar, Sumo da Terra, Secretária de Agricultura OP, Secretária de Turismo de OP, Camara dos Vereadores. Os patrocinadores são Ferro Puro, Sicredi, Pedreira Irmãos Machado, produção executiva Saulo Filardi, coordenador geral Marco Aurélio Xavier Pinto, coordenador de comunicação Gilson Fernandes e coordenadoria gastronômica Milsane Sebastião.

Confira a Programação: 

Sexta feira - 10/11

  • 20:00 - Locomotive Guns (Cover  Guns n' Roses)
  • 22:00 - Orquestra Ouropretana de Rock 

Sábado - 11/10

  • 12:00 - Celso Alves (MPB)
  • 14:00 - Toca Raul 
  • 16:00 - Vira Saia - Tuca Costa 
  • 19:00 - Missa com Padre Harley
  • 20:00 - Lord Stone (Rock n' Roll)
  • 23:00 - Harley Queen (Clássicos do Rock)

Domingo - 12/11

  • 10:00 - Missa com Padre Harley
  • 11:00 - Banda Euterpe Cachoeirense 
  • 11:00 - Banda União Social 
  • 12:00 - Pele Cósmica (Jovem Guarda anos 60 e 70)
  • 14:00 - Binha e a Turma da Brincando de Brincar
  • 14:00 - Oficina slime show gratuito
  • 16:00 - Pirulito da Vila (Samba)
  • 19:00 - Missa com Padre Harley
  • 20:00 - MagoZen
Jornal O Liberal
Região dos Inconfidentes

Quilombolas são as principais vítimas em conflito por terra no estado do Maranhão

Maranhão é o 3°estado do país com maior número de conflitos agrários 

 
Vivemos o embate da violência e forte racismo contra o povo quilombola. De forma associada a isso, o peso das disputas territoriais promovidas por fazendeiros e outros atores com poder econômico responsáveis por diferentes ataques às comunidades. 

 
Na última sexta-feira (27), o líder de uma comunidade quilombola, no interior do Maranhão, foi assassinado a tiros. Liderança da comunidade Jaibara dos Rodrigues, na zona rural de Itapecuru-Mirim, a 108 km de São Luís, José Alberto Moreno Mendes, é o décimo quilombola assassinado no Maranhão entre os anos de 2020-2023. 

Episódios como esse devem ser severamente investigados, os responsáveis identificados e responsabilizados. Contudo, sem que haja atuação coordenada de enfrentamento à violência, esses crimes têm ocorrido em índices cada vez mais alarmantes. O Maranhão é o terceiro estado que mais registra conflitos agrários no Brasil. As violações vão desde invasão e grilagem de terras a racismo religioso e assassinatos. Segundo relatório Conflitos no Campo Brasil 2023 da Comissão Pastoral da Terra (CPT), de 2020 a junho de 2022, 14 lideranças foram assassinadas e mais de 30 mil famílias estão ameaçadas nos territórios quilombolas e comunidades tradicionais maranhenses. Foram registrados 178 conflitos no estado só esse ano. 
 

Regional Nordeste 5 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM-Brasil), manifestam profundo repúdio e de forma veemente denunciam a escalada de violência perpetrada contra o povo Quilombola do Maranhão. Acesse  

 

O arcebispo da arquidiocese de São Luís do Maranhão e presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia da CNBB, Dom Gilberto Pastana, falou sobre a escalada de violência na região. “Nós vivemos uma escalada de violência muito alta, altíssima, sobretudo, aqui, no campo do nosso Maranhão. Entre os anos 2005 e 2023, 50 quilombolas foram assassinados em todo o país. Desses, 20, que representam 40%, são do estado do Maranhão”. 

 

Dom Gilberto comentou o assassinato do quilombola José Alberto, conhecido na região como Doka. Segundo ele, esse é um “crime bárbaro” que exige uma intervenção do governo. Os quilombolas de Monte Belo, por exemplo, aguardam  mais de 20 anos a regularização fundiária do seu território e esse processo não andaé uma morosidade grande. Será que vai ser necessário morrer mais pessoas ainda?”, questiona.  

 

“A impunidade desses crimes é uma aberração contra a justiça e a dignidade da vida humana. Nós queremos acreditar e ser esperançosos de que haverá, por parte dos órgãos públicos, um maior combate a essa violência”, destacou o presidente da Comissão.  

 

O racismo estrutural enraizado na sociedade, resulta em situações inadmissíveis, tais como a privação do acesso à terra e água para as comunidades quilombolas, a intolerância religiosa, o encarceramento em massa da juventude negra, e a violência contra as populações moradoras das favelas, a imensa maioria também afrodescendentes. Das 1.327.802 pessoas quilombolas registrados no país, quase 90% ainda vivem em comunidades que não foram tituladas. Quase 500 territórios estão em alguma fase da delimitação. 

 

O Censo do IBGE mostra que foram contabilizadas 426.449 pessoas quilombolas nos municípios da Amazônia Legal, o que representa 1,60% da população residente total da região, sendo 32,11% do total da população quilombola residente no Brasil. A presença da população quilombola residente na Amazônia Legal nos territórios oficialmente delimitados é superior ao cenário nacional: enquanto na Amazônia Legal 18,97% da população quilombola reside em territórios delimitados, para o conjunto do país esse percentual é de 12,59%. 

 

Para lidar com esses conflitos, é fundamental garantir o respeito aos direitos das comunidades quilombolas, incluindo o reconhecimento e a demarcação de suas terras, bem como a promoção de diálogo e mediação entre as partes envolvidas. A implementação de políticas públicas que valorizem a cultura, a autonomia e os direitos territoriais das comunidades quilombolas também desempenha um papel importante na busca por soluções pacíficas e justas para esses conflitos. 



Afastado vínculo de emprego pretendido por pedreiro com dona da obra de imóvel residencial

O pedreiro trabalhou na construção de imóvel residencial da ré em 2022. Contou que recebia remuneração semanal de R$ 750,00 e que trabalhou de forma de pessoal, habitual, onerosa e subordinada, mas a dona da obra não registrou o contrato de emprego na sua carteira de trabalho. Pretendeu o reconhecimento do vínculo empregatício, a anotação da CTPS e o pagamento das verbas trabalhistas correspondentes.

Mas, ao decidir o caso, o juiz Iuri Pereira Pinheiro, no período em que atuou na 1ª Vara do Trabalho de Barbacena, afastou a relação empregatícia, reconhecendo a existência de contrato de empreitada entre o pedreiro e a dona da obra. O magistrado constatou que o trabalhador prestou serviços com autonomia, sem a presença da subordinação jurídica imprescindível à configuração da relação de emprego. Observou ainda que, por se tratar de imóvel destinado à moradia, a dona da obra não se enquadra como empregadora, nos termos do artigo 2º da CLT, por não exercer atividade econômica ligada à construção civil.

A dona da obra reconheceu a prestação de serviços do autor, mas sustentou que ele atuou de forma autônoma, sem os requisitos do vínculo de emprego, principalmente a subordinação.

Na sentença, o magistrado pontuou que o reconhecimento da prestação de serviços, como no caso, faz presumir a existência do contrato de emprego, nos termos do inciso I do artigo 7º da Constituição Federal, que assegura aos trabalhadores a relação de emprego devidamente protegida. Por essa razão, cabia à dona da obra provar a autonomia do autor na prestação de serviços, o que foi feito, de forma satisfatória, na visão do julgador.

O próprio autor, em depoimento, reconheceu que a prestação de serviços se deu na construção do imóvel destinado à moradia da reclamada. De acordo com o julgador, em casos como esse, a jurisprudência é no sentido da contratação por empreitada, considerando que o dono da obra não se enquadra como empregador, nos termos do artigo 2º da CLT, por não explorar atividade econômica relacionada à construção civil.

Além disso, a dona da obra apresentou prints de conversas pelo aplicativo de mensagens WhatsApp, em que o pedreiro, por várias vezes, apenas informava sua ausência ou atraso no trabalho, o que, como observou o juiz, indica uma dinâmica de prestação de serviços com autonomia por parte do trabalhador.

Diante das circunstâncias apuradas, o magistrado concluiu que não havia um contrato de emprego, já que a reclamada atuava como dona da obra e não como empregadora, além de faltar o requisito da subordinação, necessário à configuração da relação empregatícia. O pedido de reconhecimento do vínculo empregatício foi julgado improcedente, assim como o pagamento das parcelas trabalhistas decorrentes.

Restituição de despesa com conserto de equipamento

No entanto, o Tribunal acolheu o pedido do autor referente à restituição de um valor de R$ 55,00 despendido por ele no conserto de uma furadeira de propriedade da reclamada. Ficou provado que o equipamento foi utilizado pelo pedreiro durante a prestação dos serviços e não houve prova de que a avaria decorreu de sua culpa, tendo sido atribuída ao desgaste natural ou a mau uso anterior. “Ausente culpa do trabalhador, deve a contratante arcar com a avaria do equipamento de sua propriedade, utilizado em seu benefício”, concluiu o juiz.

Indenização por ofensas morais

A reclamada foi condenada a pagar ao pedreiro indenização por danos morais de mil reais, por ofensas proferidas contra ele no ambiente de trabalho. O valor da indenização considerou a capacidade econômica das partes, a gravidade da conduta, a intensidade do dano e o caráter pedagógico da condenação.

O pedreiro alegou ter sido chamado de “vagabundo” e “moleque” pela dona da obra, o que não foi negado por ela, que se limitou a afirmar que as ofensas ocorreram no calor de uma discussão.

Mas, no entendimento do juiz, as ofensas, não contestadas pela reclamada, feriram a honra subjetiva do trabalhador, levando ao dever de indenizar, nos termos dos artigos 186 e 927 do Código Civil. Segundo o magistrado, o fato de terem ocorrido no contexto de uma conversa mais acalorada não afasta a gravidade das ofensas, até porque áudios apresentados no processo, ao contrário do que afirmou a reclamada, não demonstraram qualquer tentativa do trabalhador de desestabilizá-la.

O julgador ponderou, ainda, que a condição do reclamante de trabalhador autônomo não exclui a aplicação dos princípios fundamentais da dignidade humana e do valor social do trabalho, consagrados na Constituição Federal (artigo 1º, III e IV).

Em grau de recurso, a Sétima Turma do TRT-MG manteve integralmente a sentença. Não cabe mais recurso da decisão. O processo já está em fase de liquidação da sentença.

Visualizações: informação indisponível.

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    Tel.: (31) 3228-7286

Conselhos com muitas sabedorias...Com características de uma pessoa sábia...

Filtro solar - Pedro Bial - Clipe oficial

Parabéns, Felicidades, São Francisco de Assis te proteja sempre, minha netinha querida, estamos indo para as comemorações.

 Avô e Netos Franciscanos

Je suis mon soleil - Qual o papel dos animais em nossa evolução e caminhada espiritual?

Para reflexão: "No transcorrer de um campeonato, tem certas vitorias que vale o título, essa contra o Palmeiras, hoje, se o Botafogo ganhar, encaminha o título".

Frase do dia: "Tem certas coisas que só acontece com o Botafogo"...O Botafoguense é por natureza místico e supersticioso...

 Botafogo campeão - Beth Carvalho



Muitas Bicicletas nas Ciclovias da Alemanha

Cidade de Kiel
"Com a camisa do glorioso nas ciclovias da Alemanha"
Além do transporte que é de excelente qualidade, o Alemão usa muito a bicicleta para se locomover, ir ao trabalho e a escola, etc.
A maioria das cidades na Alemanha tem ciclovias e muitas bicicletas.
Visitei algumas cidades e todas tem ciclovias e muitas bicicletas.
É muito comum depararmos com um ciclista aqui, seja nos bairros, centros, etc.
Toda sinalizada e com dois metros de largura, as ciclovias ficam entre o passeio de pedestres e a rua dos carros.
O perfil do ciclista Alemão é variado, muita gente idosa, e muitos jovens também.

Álvaro Albergaria e Paulo Sérgio ex goleiro do Botafogo

Uma beleza no futebol ... Mané Garrincha, o maior de todos os tempos...Uma lenda do futebol mundial...incomparável...Bi Campeão Mundial...Duas Copas do Mundo 58/62...


Em 20 de janeiro de 1983, morria um dos maiores craques do futebol mundial, Mané Garrincha, o “anjo das pernas tortas”, a "alegria do povo". Deixou saudades. Com seus dribles, levava magia aos gramados e delírio às arquibancadas. Dele, dizia o poeta Carlos Drummond de Andrade: "Não há outro Garrincha disponível. Precisa-se de um novo, que nos alimente o sonho".

Com Elza Soares, grande amor da vida dele.
Juntos viveram grandes sonhos.

Se o Brasil é hoje conhecido como o país do futebol alegre e irreverente, boa parte desta fama se deve ao que Garrincha fez nas décadas de 1950 e 60. Considerado o maior driblador da história do esporte, o ex-ponta-direita ganhou duas Copas do Mundo com a camisa da Seleção (1958 e 1962), mas entrou mesmo para a história por conta das jogadas desconcertantes que fazia diante de seus marcadores.

Mané Garrincha foi o Inspirador do "Olé" no Futebol

 JOÃO SALDANHA

“OLÉ” NASCEU NO MÉXICO
(Texto extraído do livro  Os subterrâneos do Futebol, de João Saldanha, lançado em 1963 pela editora Tempo Brasileiro).

O Estádio Universitário ficou à cunha. Cem mil pessoas comprimidas para assistir ao jogo. É muito alegre um jogo no México. É o país em que a torcida mais se parece com a do Rio de Janeiro. Barulhenta, participa de todos os lances da partida. Vários grupos de “mariaches” comparecem. Estes grupos, que formam o que há de mais típico da música mexicana, são constituídos de um ou dois “pistões” e clarins, dois ou três violões, harpa (parecida com a das guaranias), violinos e marimbas. As marimbas são completamente de madeira, mas não vão ao campo de futebol, sendo substituídas por instrumentos pequenos. O ponto alto dos “mariaches” é a turma do pistão, do clarim e o coro, naturalmente. No campo de futebol, os grupos amadores de “mariaches” que comparecem ficam mais ativos em dois momentos distintos: ou quando o jogo está muito bom e eles se entusiasmam, ou, inversamente, quando o jogo está chato e eles “atacam” músicas em tom gozador.
No jogo em que vencemos ao Toluca, que estava no segundo caso, os “mariaches” salvaram o espetáculo.
O time do River era, realmente, uma máquina. Futebol bonito e um entendimento que só um time que joga junto há três anos pode ter. Modestamente, jogamos trancados. A prudência mandava que isto fosse feito. De fato, se “abríssemos”, tomaríamos um baile.
Foi um jogo de rara beleza. E não foi por acaso. De um lado estavam Rossi, Labruña, Vairo, Menéndez, Zarate, Carrizo. De outro, estavam Didi, Nilton Santos, Garrincha etc. Jogo duro e jogo limpo. Não se tratava de camaradagem adquirida em quase um mês no mesmo hotel, mas sim da presença de grandes craques no gramado. A torcida exultava e os “mariaches” atacavam entusiasmados.
Estava muito difícil fazer gol. Poucas vezes vi um jogo disputado com tanta seriedade e respeito mútuos. Mas houve um espetáculo à parte. Mané Garrincha foi o comandante. Dirigiu os cem mil espectadores. Fazendo reagirem à medida de suas jogadas. Foi ali, naquele dia, que surgiu a gíria do “Olé”, tão comumente utilizada posteriormente em nossos campos. Não porque o Botafogo tivesse dado “Olé” no River. Não. Foi um “Olé” pessoal. De Garrincha em Vairo.
Nunca assisti a coisa igual.
Só a torcida mexicana com seu traquejo de touradas poderia, de forma tão sincronizada e perfeita, dar um “Olé” daquele tamanho. Toda vez que Mané parava na frente de Vairo, os espectadores mantinham-se no mais profundo silêncio. Quando Mané dava aquele seu famoso drible e deixava Vairo no chão, um coro de cem mil pessoas exclamava: “Ôôôôô”! O som do “olé” mexicano é diferente do nosso. O deles é o típico das touradas. Começa com um ô prolongado, em tom bem grave, parecendo um vento forte, em crescendo, e termina com a sílaba “lé” dita de forma rápida. Aqui é ao contrário: acentua-se mais o final “lé”: “Olééé!” – sem separar, com nitidez, as sílabas em tom aberto.
Verdadeira festa. Num dos momentos em que Vairo estava parado em frente a Garrincha, um dos clarins dos “mariaches” atacou aquele trecho da Carmem que é tocado na abertura das touradas. Quase veio abaixo o Estádio Universitário.
Numa jogada de Garrincha, Quarentinha completou com o gol vazio e fez nosso gol. O River reagiu e também fez o dele. Didi ainda fez outro, de fora da área, numa jogada que viera de um córner, mas o juiz anulou porque Paulo Valentim estava junto à baliza. Embora a bola tivesse entrado do outro lado, o árbitro considerou a posição de Paulinho ilegal. De fato, Paulinho estava “off-side”. Havia um bolo de jogadores na área, mas o árbitro estava bem ali. E Paulinho poderia estar distraindo a atenção de Carrizo.
O jogo terminou empatado. Vairo não foi até o fim. Minella tirou-o do campo, bem perto de nós no banco vizinho. Vairo saiu rindo e exclamando: “No hay nada que hacer. Imposible” – e dirigindo-se ao suplente que entrava, gozou:
– Buena suerte muchacho. Pero antes, te aconsejo que escribas algo a tu mamá.
O jogo terminou empatado e uma multidão invadiu o campo. O “Jarrito de Oro”, que só seria entregue ao “melhor do campo” no dia seguinte, depois de uma votação no café Tupinambá, foi entregue ali mesmo a Garrincha. Os torcedores agarraram-no e deram uma volta olímpica carregando Mané nos ombros. Sob ensurdecedora ovação da torcida. No dia seguinte, os jornais acharam que tínhamos vencido o jogo, considerando o tal gol como válido. Mas só dedicaram a isto poucas linhas. O resto das reportagens e crônicas foi sobre Garrincha.
As agências telegráficas enviaram longas mensagens sobre o acontecimento e deram grande destaque ao “Olé”. As notícias repercutiram bastante no Rio e a torcida carioca consagrou o “Olé”. Foi assim que surgiu este tipo de gozação popular, tão discutido, mas que representa um sentimento da multidão.
Já tentaram acabar com o “Olé”. Os árbitros de futebol, com sua inequívoca vocação para levar vaias, discutiram o assunto em congresso e resolveram adotar sanções. Mas como aplicá-las? Expulsando a torcida do estádio? Verificando o ridículo a que estavam expostos, deixam cada dia mais o assunto de lado. É melhor assim. É mais fácil derrubar um governo do que acabar com o “Olé”.
Não poderia ter havido maior justiça a um jogador que a que foi feita pelos mexicanos a Mané Garrincha. Garrincha é o próprio “Olé”.
Dentro e fora de campo, jamais vi alguém tão desconcertante,
 tão driblador. É impossível adivinhar-se o lado por onde Mané vai “sair” da enrascada. Foi a coisa mais justa do mundo que Garrincha tivesse sido o inspirador do “Olé”.

Geração de Ouro do Botafogo