segunda-feira, 28 de maio de 2018

Ministro diz que não pode realizar mais nenhuma concessão aos caminhoneiros

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou nesta ao jornal "Bom Dia Brasil", da TV Globo, que não há mais espaço para o governo federal realizar qualquer concessão adicional aos caminhoneiros. Na entrevista, o ministro disse que o governo foi ao limite do que é possível ser feito para atender aos manifestantes e, igualmente, respeitar a responsabilidade fiscal e a Petrobras. "Fomos até o limite do que era possível dentro do nosso quadro fiscal", disse Guardia, acrescentando que a solução apresentada atende aos pedidos do movimento, que é a redução do preço do combustível na bomba.

Questionado se é o contribuinte que vai pagar a queda de R$ 0,46 no preço do diesel, o ministro respondeu: "Exatamente". Ele afirmou que, obviamente, existe custo para fazer o acordo com os caminhoneiros. "Essa conta está sendo paga com muito sacrifício através do Orçamento Geral da União", disse Guardia.

O ministro afirmou que a alta recente do diesel reflete o fato de o preço do petróleo ser determinado pelo mercado internacional. "Então o aumento que observamos no período recente se deu por conta do aumento do preço do petróleo no mercado internacional e da desvalorização do real", afirmou.

O ministro descreveu que a queda do preço será compensada por dois mecanismos. Um deles é a redução de impostos no preço do diesel, num total de R$ 0,16 no preço do diesel na bomba a ser compensado pelo ganho resultado do projeto de reoneração da folha de pagamento, a ser aprovado no Congresso. "Nos termos da lei não podemos reduzir impostos no exercício financeiro sem uma compensação', disse Guardia.

O outro mecanismo é destinar recursos do Orçamento Geral da União para compensar a queda de R$ 0,30 no preço do litro do diesel na bomba. Guardia explicou que essa parcela é que irá gerar um impacto de R$ 9,5 bilhões até o fim do ano nos cofres públicos. "Com relação aos R$ 9,5 bilhões, usaremos a margem financeira de R$ 5,7 bilhões do Orçamento e outros R$ 3,8 bilhões por cortes de gastos", disse.

Na entrevista, Guardia foi questionado se a redução do preço do diesel não é um contradição para esse governo que sempre foi contrário a subsídios e transferência de recursos da União para o setor privado. "O que me preocupa sempre são os subsídios que não passam pelo Orçamento Geral da União", disse, o ministro, afirmando que buscou uma solução que fosse compatível com a situação fiscal e que fosse absolutamente transparente.

Guardia reiterou ainda que a reoneração da folha de pagamento é crucial para a redução dos impostos sobre os combustíveis. Ele disse que espera a aprovação do projeto no Congresso ao longo desta semana. Somente com a reoneração da folha, será possível reduzir o preço do diesel na bomba em R$ 0,16, concluiu.
O Tempo

Um Passeio de Bike pelas Ciclovias em Kiel na Alemanha


 Kiel: cidade à beira-mar e porta para o Mar Báltico.
Capital do estado de Schleswig-Holstein, Kiel foi durante muitos anos uma importante cidade portuária e naval, sendo marcada hoje por uma cena estudantil ativa, um estilo de vida despreocupado e o charme urbano.

domingo, 27 de maio de 2018

Reunião termina sem acordo e caminhoneiros não vão desmobilizar greve em SP

O governador de São Paulo, Márcio França (PSB), deixou na tarde deste domingo, 27, reunião com representantes de caminhoneiros sem um acordo. "Não conseguimos encontrar um jeito para que o prazo para o desconto no diesel aumentasse para 60 dias. Como era uma das reivindicações, eles preferiram não desmobilizar a categoria", disse o governador, em entrevista a jornalistas, após o encontro.

França começou a entrevista afirmando que, segundo o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Carlos Marun, duas demandas dos caminhoneiros já haviam sido atendidas: o desconto de 41 centavos no preço final do diesel e a proposta de medida provisória para retirada, em todo o Brasil, do pedágio no eixo levantado. Depois, ainda citando Marun, disse que o governo conseguiu, nas negociações de hoje, elevar o desconto no diesel para 46 centavos.

O governador disse que 90% dos caminhoneiros que estavam em greve no Estado já se desmobilizaram. Como a greve deve continuar, em razão da falta de acordo em relação ao prazo do desconto, os 10% restantes devem continuar protestando. Antes, eram 13 mil homens em protesto. Agora, são 1,3 mil.

A reunião de França com caminhoneiros, a segunda em dois dias, ocorreu no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo estadual. Foi acertado hoje que as medidas tomadas ontem, antes previstas para começar a vigorar na terça-feira, agora ficam para quinta-feira, como o desconto no preço do pedágio no Estado. O adiamento se deve à possibilidade de o governo federal aprovar medida semelhante para todo o País.

O governador chegou a dar uma declaração de apoio aos caminhoneiros, ao dizer que, na ponta do lápis, os profissionais não conseguem, hoje, ter o mínimo de lucro. "Nenhuma manifestação dura tanto tempo se não houver um fundamento muito forte", afirmou. França disse que tentará falar com o presidente Michel Temer ainda hoje para pedir uma solução para a greve.

Segundo França, o abastecimento de serviços essenciais no Estado não preocupa. Ele disse que há 210 escoltas sendo feitas em São Paulo para levar os produtos necessários aos serviços essenciais "Tudo o que é nosso serviços essenciais do Estado de São Paulo está abastecido com folga para bastante tempo", disse.
O Tempo

Em Minas Gerais, 34 usinas suspenderam venda de etanol


A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou que as exportações brasileiras de açúcar e etanol e a produção de cana já foram impactadas pela paralisação dos caminhoneiros. Os embarques atuais estão com produtos em estoque nos terminais portuários. Caso não seja restabelecida a normalidade no abastecimento nos primeiros dias da semana, todos os embarques de açúcar e etanol serão paralisados.

Além da dificuldade de transporte, a falta de diesel também tem impactado a continuidade da colheita. Em Minas Gerais, 34 usinas suspenderam as vendas de etanol. No Paraná, três unidades reduziram suas operações de produção. Em São Paulo, até o momento, 10 usinas estão paradas.
O Tempo

Perda de vendas nos supermercados brasileiros já é de R$ 1,3 bilhão


Com a greve dos caminhoneiros, os supermercados brasileiros já perderam vendas equivalentes R$ 1,320 bilhão por conta do desabastecimento de produtos perecíveis, frutas, verduras, legumes, laticínios e carnes in natura. Só os supermercados do Estado de São Paulo deixaram de vender cerca de R$ 400 milhões de produtos perecíveis desde o início da greve. O cálculo é do superintendente da Associação paulista de Supermercados , Carlos Correa.

"É um estimativa conservadora", frisa o executivo. Apesar de a greve durar quase uma semana, ele considerou nos cálculos a perda de vendas de cinco dias porque, nos primeiros dias da greve, havia produtos perecíveis nas lojas e as vendas não foram prejudicadas. Correa diz que os produtos perecíveis respondem 36% das vendas dos supermercados e que a greve já afeta hoje 80% do abastecimento desses itens.

As estimativas de prejuízo correspondem à realidade encontrada pelos consumidores nas lojas.

Além da batata, a cebola, o tomate e as verduras estão entre os produtos que o consumidor mais sentia falta na manhã de ontem. Em uma outra loja da Rua Domingos de Morais, no mesmo bairro, as hortaliças já tinham acabado desde sexta-feira. No freezer em que elas costumam ficar guardadas, o lojista colocou garrafas de suco de laranja, para preencher parte do espaço vago.

O matemático Luiz Xavier, de 55 anos, faz as contas: "Se eu levar mais um pacote de arroz, fico tranquilo para os próximos dias". Ele, que vai todos os sábados ao supermercado, diz que o movimento aumentou ontem e que as pessoas parecem estar exagerando nas compras. "Sempre que tem uma ameaça de falta de produtos, as pessoas reagem estocando alimento em casa, o que só faz acelerar a escassez. Eu vou continuar comprando o que costumava levar, lembro bem do desabastecimento do Plano Cruzado (em 1986)."

O baixo movimento desanimou os feirantes do "varejão" da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (Ceagesp). O sábado, que costuma ser o dia mais movimentado, foi mais curto e muitos feirantes não foram embora antes do fim da feira. Eles estimam que metade das barracas nem abriram e o movimento caiu entre 60% e 70%.
O Tempo

Engenheiros da Petrobras pedem mudanças na política de preços dos combustíveis


A Associação dos Engenheiros da Petrobras (Aepet) publicou nota em defesa de mudanças na atual política de preços adota pela empresa. "A Petrobras é uma empresa estatal e existe para contribuir com o desenvolvimento do País e para abastecer nosso mercado aos menores custos possíveis. A maioria da população quer que a Petrobras atue em favor dos seus legítimos interesses, enquanto especuladores do mercado querem maximizar seus lucros de curto prazo", traz o comunicado.

O argumento da entidade se baseia na perda de mercado interno para importadores, desde que a Petrobras passou a acompanhar os preços praticados no mercado internacional, em outubro de 2016. "A partir de então foram praticados preços mais altos que viabilizaram a importação por concorrentes. A estatal perdeu mercado e a ociosidade de suas refinarias chegou a um quarto da capacidade instalada", afirma. Segundo a Aepet, a exportação de petróleo cru disparou, enquanto a importação de derivados bateu recordes. A importação de diesel se multiplicou por 1,8 desde 2015, dos EUA por 3,6. O diesel importado dos EUA, que em 2015 respondia por 41% do total, em 2017 superou 80% do total importado pelo Brasil, de acordo com a entidade.

"A atual direção da Petrobras divulgou que foram realizados ajustes na política de preços com o objetivo de recuperar mercado, mas até aqui não foram efetivos. A própria companhia reconhece nos seus balanços trimestrais o prejuízo na geração de caixa decorrente da política adotada", informa a Aepet, que contraria o argumento da atual gestão da empresa, de que, durante o governo petista, a empresa perdeu dinheiro, principalmente, com a retenção dos preços nas refinarias. "A verdade é que a geração de caixa da companhia neste período foi pujante, sempre superior aos US$ 25 bilhões, e compatível ao desempenho empresarial histórico", complementa.
O Tempo

Manifestantes favoráveis à greve dos caminhoneiros fazem ato em BH

Manifestantes favoráveis à greve dos caminhoneiros protestam na praça da Liberdade, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, neste domingo (26). Com faixas e bandeiras do Brasil, centenas já começam a se aglomerar no local pedindo, ainda, o fim da corrupção. 
Um caminhoneiro que chegou buzinando foi recebido com aplausos pelos manifestantes, que circulam a praça. O protesto foi convocado por movimentos, como o Patriotas e o Vem para a rua. Mas, para que está no lugar, a aglomeração é um desejo coletivo dos brasileiros. 

"Na verdade, é um protesto promovido pelo povo brasileiro de maneira generalizada. Não tem uma liderança.  Estamos dando apoio total aos caminhoneiros que estão parados nas BRs. O brasileiro não aguenta mais tanta corrupção, tanto descaso do governo" reagiu o artista plástico Júlio Hubner. "Vamos ter o desabastecimento. Todo brasileiro vai sentir. Mas, ao mesmo tempo, vamos sentir o que os nossos irmãos venezuelanos estão sentindo há mais de um ano", reforça.
O Tempo