quarta-feira, 26 de abril de 2023

O Valioso Tempo dos Maduros

"Achei esse texto irretocável"


O Valioso Tempo dos Maduros
De Mário de Andrade

Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.
Tenho muito mais passado do que futuro.
Sinto - me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.
As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.
Já não tenho tempo para lidar com mediocridades.
Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados.
Inquieto - me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.
Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha.
Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos.
Meu tempo tornou - se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa.
Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge da sua mortalidade, quero caminhar perto de coisas e pessoas de verdade.

O essencial faz a vida valer a pena.
E para mim, basta o essencial!

Mário de Andrade

Para nós que já temos mais passado que futuro!!!!

Como viajar te transforma numa pessoa melhor

Guilherme Carvalho


O americano Matthew Kepnes, que está na estrada há 8 anos, fez uma lista apontando como essa experiência faz de nós alguém melhor.

Acredito que ninguém discorde de que viajar nos faz bem, certo? Seja um simples bate-volta para a praia durante o final de semana, uma viagem de férias ou um mochilão ao redor do mundo, colocar o pé na estrada – mesmo que nos deixe mais cansados do que antes de partir – sempre nos traz algo de positivo.
Mas, por acaso, você já parou para pensar em como, exatamente, viajar te torna uma pessoa melhor? Bom Matthew Kepnes parou.
Ele está viajando desde 2006 mesmo não gostando de avião. Este americano, até então, trabalhava num cubículo e tinha duas semanas de férias por ano, “como a maioria dos americanos”. Então depois de fazer uma viagem para a Tailândia em 2005 ele resolveu terminar o MBA que estava fazendo, largar o trabalho e viver eternamente na estrada. O projeto está dando certo. Até agora pelo menos.

Por ser muito questionado sobre como a viagem o mudou, Matt resolveu se aprofundar nessa questão e chegou a uma conclusão com dez razões pelas quais viajar nos faz uma pessoa melhor.
Como não poderíamos estar mais de acordo com os pontos mencionados pelo viajante, resolvemos expô-los por aqui. Quem sabe você se convença de que se lançar no mundo realmente é uma boa ideia.

A viagem te torna:

1- … mais sociável
“Na estrada, é pegar ou largar. Você  pode se tornar mais sociável ou acaba sozinho, chorando a noite no travesseiro . Você aprende a fazer amigos – antes estranhos – e se desenvolve na arte de conversar com novas pessoas. Quando eu comecei a viajar, era um pouco introvertido e me sentia desconfortável ao falar com aqueles que não conhecia. Agora converso alegremente com estranhos como se fossemos melhores amigos há anos.”

2- … melhor na arte de conversar
“Viajar não apenas te deixa mais confortável ao falar com estranhos, mas o torna melhor na conversa também. Depois de conversar com pessoas o tempo todo, as mesmas perguntas vão ficando chatas. Você começa a ficar entediado. Depois de um tempo, não te importa de onde as pessoas vieram, para onde eles estão indo, há quanto tempo eles estão viajando, nem nada do tipo. Esses tipos de perguntas realmente não dizem nada sobre a pessoa. Você melhora na arte da conversa fiada e aprende a fazer perguntas realmente interessantes – aquelas que importam e dizem algo sobre a pessoa.”

3- … mais confiante
“Você viajou o mundo. Escalou o Monte Everest; mergulhou na Grande Barreira de Corais; jantou com aquela bela garota em Paris; rumou por cidades desconhecidas; e superou o seu medo de altura. Em suma, você fez coisas impressionantes. Como você pode não ter se tornado mais confiante? Como pode não ter certeza sobre as suas habilidades? Depois de realizar muito, você vai se sentir muito mais confiante em sua capacidade de alcançar qualquer coisa que aparece em sua mente.”

4-… mais adaptável
“Você lidou com voos perdidos, ônibus lentos, curvas erradas, atrasos, comida de rua ruim e muito, muito mais. Depois de um tempo, você aprende a adaptar os seus planos em situações inesperadas. Você não fica louco, você não fica com raiva, você apenas altera o planejamento e segue em frente. A vida te arremessa bolas e você manda para as redes. Por quê? Porque você é incrível.”

5-… mais aventureiro
“Quando você se torna confiante em sua capacidade de fazer qualquer coisa, você realmente pode fazer qualquer coisa. Na semana passada, em Austin, no Texas, apesar de não gostar de comida picante, eu experimentei a pimenta mais picante do mundo. Por quê? Porque eu queria. Qual é a finalidade da vida, se não sair da sua zona de conforto? Minha boca ficou pegando fogo por muito tempo. Mas eu faria tudo de novo.”

6-… mais descontraído
“Todos esses erros fizeram algo por você também. Eles o tornaram mais descontraído e relaxado. Por quê? Porque você lidou com eles e não se importa. Você vai com o fluxo agora, porque se a viagem lhe ensinou alguma coisa é que tudo funciona no final e que não há necessidade de stress.”

7- … mais sexy
“Estresse provoca envelhecimento. Estes dias de descanso e livre de preocupações na estrada irão torná-lo mais confiante e radiante, além de envelhecer mais devagar. Você vai parecer jovem e sexy. A menos que você seja o George Clooney, que definitivamente ficou melhor com a idade.”

8- …mais esperto
“A menos que você se hospede em um resort e afogue seu cérebro em drinks, viajar vai te ensinar sobre o mundo. Você vai aprender sobre pessoas, história, cultura e fatos misteriosos sobre lugares que muitos apenas sonham. Em suma, você vai ter um melhor entendimento sobre como o mundo gira e como as pessoas se comportam. Isso é algo que não pode ser aprendido a partir de livros – você só pode aprender com a experiência de estrada.”

9- …menos materialista
“Na estrada você aprende que necessitamos pouquíssimo dos recursos materiais. Você vai perceber que toda essa baboseira que eles vendem no shopping é bastante inútil numa vida verdadeiramente feliz. Quando voltar, você vai encontrar-se um minimalista, simplesmente porque percebeu o que precisa para viver e o que não precisa. Como se costuma dizer: quanto mais você possui, mais essas coisas possuem você.”

10- …mais feliz
“Viajar te ensina, simplesmente, como ser feliz. Você vai se tornar mais relaxado, mais confiante e verá o mundo como um lugar mais brilhante. Como você pode não estar feliz com a vida depois de tudo isso?
Viajar nos torna melhor. Quando você aprende mais sobre o mundo e as pessoas, testa seus limites e experimenta coisas novas, você se torna mais aberto, extrovertido e incrível.
Por tudo isso, não há nenhuma razão para que você não esteja planejando a sua próxima aventura agora – seja uma viagem ao redor do mundo ou apena algo curto, de férias”

Humanismo na Medicina

Conheci o Dr. Flavio Moretzsohn, já formado e exercendo a profissão de médico.
Filho de advogado, não seguiu a carreira do pai, mas assimilou bem seus ensinamentos: o que é ser dedicado e competente na profissão que escolheu.
Saindo cedo de sua terra natal, Piranga, para concluir seus estudos em Medicina. Depois de formado, exerceu a profissão de médico por muitos anos em Belo Horizonte.
Por gostar muito da profissão que escolheu e por ser muito competente, tinha muito prestígio junto aos pacientes e aos colegas.
Fez da Medicina um sacerdócio, tal a dedicação com que tratava seus pacientes, tanto da capital quanto do interior.
Enxergava seus pacientes, não como um doente, mas como um ser humano.
Ele tinha uma visão médica que envolvia solidariedade, compreensão e respeito absoluto do ser humano.
Durante sua carreira, tratou, curou e melhorou a vida de muitas pessoas, famosas e anônimas.
Por gostar muito da profissão que escolhera, resgatou o humanismo na Medicina.
A espiritualidade e as crenças que vão alem do conhecimento cientifico, fizeram parte de seu quotidiano profissional, já que era muito crente a Deus, religioso.
Gente boa para a convivência diária, com brilho confiável nos olhos, comedido em seus procedimentos, avesso as incursões politicas.
Entendia que uma doença desestabiliza o paciente, portanto, cabe ao medico com sua experiência, contribuir para que o equilíbrio se restabeleça..
Como um juiz de si próprio e aprecia a si mesmo, ele atendia o ser humano como criatura que merece respeito.
Estudos mostram que comunicação e empatia se desenvolve, os desafios vão desde a formação até a pratica.
A tudo isso ele dedicou na carreira que escolheu, ser medico.
Pessoa de muita sensibilidade, valorizava muito suas raízes. 
Embora morando muitos anos na capital, não perdeu aquele jeito mineiro do interior; sempre que tinha tempo, ia para sua terra natal, Piranga.
Só uma educação pautada em valores sólidos faz um profissional com tanta dedicação e ética.
Deixou um legado a ser seguido por todos aqueles que estão iniciando o exercício da profissão de médico.

Cristóvão Martins Torres

Engolir sapo e chutar Balde

O tema não é novidade, o assédio moral é um processo contínuo de desqualificação de um individuo sobre o outro, no trabalho.
Entendemos como assédio moral no trabalho, toda conduta abusiva manifestada, por palavras, atos, comportamentos ou gestos, que podem prejudicar a dignidade ou a integridade física e psíquica de alguém.
Hoje está muito comum esta prática, em algumas empresas.
Tem até uma lei sobre assédio moral, mas ninguém a respeita.
Vejo isto como um despreparo de quem a pratica.
É um fenômeno novo que só veio para destruir o ambiente de trabalho, tendo como conseqüência uma perda enorme para a empresa e para o colaborador afetado.
Afeta muito a produtividade do colaborador que é vitima, e aumenta o número de afastamentos médicos, absenteísmo.
Chega ser assustador e desumano este tratamento dispensado do gerente ao seu subordinado.
Acontece na maioria das vezes quando um colaborador reage ao autoritarismo do chefe.
Nas empresas, em sua maioria isto passou acontecer com certa freqüência, uma vez que o colaborador com medo de ser dispensado, querendo manter o seu emprego aceita esta situação.
O chefe agressor normalmente é uma pessoa que não sabe dialogar, que se acha sempre com a razão, que só ele sabe pensar, se sente um Deus na organização, enfim é um despreparado para o cargo que ocupa.
Normalmente é algum supervisor que foi colocado como gerente, na linguagem popular é chamado de jabuti.
O subordinado não pode opinar, tendo que fazer sempre o que o chefe manda.
Atende mais ao chefe do que ao cliente.
Na minha vida profissional deparei com alguns casos de assédio moral.
Conheço um caso onde o colaborador foi afastado do cargo que ocupava, sem que fosse dada a ele uma explicação plausível do seu afastamento, ou mesmo o direito de defesa.
Neste caso a pessoa afastada do cargo foi colocada em uma área sem nenhum desafio, e o que é pior, fora da sua área de atuação.
Mesmo assim ele se saiu muito bem, embora insatisfeito com o descaso, desrespeito e agressão que sofreu.
Estes gerentes na sua maioria não conhecem boas maneiras e não tem habilidades interpessoais.
Normalmente são pessoas que não tiveram referência familiar.
É aquela história, a má ação fica para quem faz, quem a pratica.
Conhecem muito de processo, mas nada de sentimento humano, gente.
São autênticos desastres em matéria de lidar com pessoas, confundem poder com autoridade.
Liderança não é poder, e sim autoridade conquistada com dedicação e respeito pelas pessoas.
O gerente esquece que a vida dá muitas voltas.
As empresas gastam tempo, esforço e dinheiro para preparar um gerente, por maior que seja este esforço que se faça, com esta cultura de administrar, os colaboradores acabam por não confiar na liderança.
A maioria dos psicólogos concorda que a personalidade se desenvolve e se consolida aos seis anos de idade.
Todos nós conhecemos pessoas cujo caráter não é coerente com a personalidade, na minha vida profissional conheci várias com este perfil.
É o que diz o filósofo grego Sócrates; O caminho mais grandioso para viver com honra neste mundo é ser a pessoa que fingimos ser.
Certa ocasião, um instituto de pesquisas revelou que grande parte das pessoas pedem demissão de seus chefes, não das empresas.
Assim são alguns chefes, travestidos de Gerentes que conheci, infelizmente.

Cristóvão Martins Torres

Dia dos Povos Indígenas: expressões para não usar mais


No dia 19 de abril, comemora-se o Dia dos Povos Indígenas no Brasil. A data foi estabelecida em substituição ao antigo Dia do Índio, com o intuito de valorizar a diversidade e a ancestralidade dos povos originários do país. No entanto, a mudança de nome é apenas um passo em direção a uma mudança mais ampla de mentalidade em relação aos povos originários.


Um aspecto crucial dessa mudança é a eliminação de expressões pejorativas e preconceituosas associadas aos indígenas. Como observou o escritor e ativista Daniel Munduruku em seu blog pessoal, o termo "índio" não é uma definição precisa, mas um apelido baseado em estereótipos preconceituosos. Expressões como "selvagem", "atrasado", "preguiçoso", "canibal" e "bugre" são ainda mais problemáticas, pois perpetuam a visão negativa dos povos indígenas como inferiores e primitivos.


Em vez disso, Munduruku defende o uso do termo "indígena", que significa "original do lugar" ou "nativo", para se referir às pessoas pertencentes a um povo ancestral. Ele também critica o uso da palavra "tribo", que sugere uma falta de organização ou dependência do estado, perpetuando a lógica colonial de dominação.


Essas mudanças de terminologia podem parecer triviais, mas são fundamentais para quebrar a estrutura de preconceito e discriminação que ainda permeia a sociedade brasileira. Ao adotar uma linguagem mais respeitosa e precisa, podemos reconhecer e valorizar a riqueza cultural e histórica dos povos indígenas e avançar em direção a uma sociedade mais justa e inclusiva.


Além disso, é importante lembrar que a luta pelos direitos dos povos indígenas ainda está longe de acabar. Muitas comunidades enfrentam ameaças constantes de invasão de terras, exploração de recursos naturais e violência. Ainda há muito a ser feito para garantir o respeito aos direitos fundamentais dos povos originários, como o direito à terra, à cultura e à autodeterminação.


Dessa forma, neste Dia dos Povos Indígenas, vamos não apenas refletir sobre a importância de uma linguagem respeitosa, mas também renovar nosso compromisso com a luta por justiça e igualdade para todos os povos do Brasil.



No dia Mundial de Combate ao Câncer, neuropsicóloga ressalta importância da saúde mental no tratamento da doença

De Fabiano De Abreu

Neuropsicóloga Leninha Espírito Santo Wagner afirma que o acompanhamento psicológico pode ajudar a enfrentar os momentos desafiadores do tratamento; apoio mental é recomendado a familiares e amigos do paciente


O tratamento de uma doença grave, como o câncer, nunca deve ser só físico.  Parte da luta pela cura está no apoio psicológico que pacientes e familiares precisam receber para lidar com os desafios do tratamento médico. De acordo com a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 625 mil novos casos de câncer em 2022, e, no dia em se comemora o Dia Mundial de Combate ao Câncer, neste 4 de fevereiro, especialistas ressaltam a importância do atendimento psicológico nessa jornada.

“Sem saúde mental não pode haver saúde alguma. Há quem tenha uma estrutura mental forte, inabalável, mas há quem tenha uma estrutura mais fragilizada.  Diante da notícia do diagnóstico da doença, ainda que não seja consigo, tem pessoas que ficam tão abaladas, que se abrem a quadros de doenças mentais”, ressalta a neuropsicóloga Leninha Espírito Santo Wagner.

Para a profissional da saúde mental, além do atendimento ao paciente, as pessoas que estão diretamente ligadas à situação também devem buscar ajuda. “Todo o sistema familiar envolvido, bem como o comboio social mais próximo, se tornam a rede de apoio para o paciente no processo do diagnóstico, cirurgia, pós cirúrgico e tratamento. Não raro, a depender da idade, dos vínculos emocionais, do registro da subjetividade ou dos traços de personalidade, o pai, a mãe, o marido ou esposa, um dos filhos ou mesmo um amigo muito próximo, fica mais alterado e precisa de mais apoio que o próprio paciente”, salienta.

A especialista também indica que o tratamento psicológico se inicie junto ao tratamento oncológico.

“Após o diagnóstico, vem o tratamento, a quimioterapia, radioterapia, exames auxiliares, acompanhamento com o cirurgião e o oncologista. Para todo esse enfrentamento, um profissional da saúde mental pode ser de grande valia. No sentido de acompanhar a demanda mental de cada paciente, trazer novas decisões, executar ações benéficas, retirar comportamentos deletérios, e muito mais”, finaliza.
Fabiano de Abreu 
OBS.: Este email pode ser acessados por outros membros da empresa

Gestão geral grupo MF Press Global 


Empresa pública deverá reduzir jornada e manter salário de empregada com filho autista

Abril Azul: Mês dedicado à conscientização sobre o autismo. O objetivo da campanha é informar sobre necessidades e direitos das pessoas autistas, para promover inclusão e acolhimento.

A Justiça do Trabalho determinou que uma empresa pública reduza a jornada de trabalho de uma empregada, sem prejuízo de salário e sem compensação de horas, para que ela possa acompanhar as atividades médicas e terapêuticas do filho autista. A decisão é do juiz Augusto Pessoa de Mendonça e Alvarenga, em sua atuação na 19ª Vara do Trabalho de Belo Horizonte.

A autora relatou que exerce a função de “auxiliar de apoio ao educando” e cumpre jornada de 8 horas diárias, de segunda a sexta-feira. Ela provou no processo que o filho foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e que necessita de acompanhamento multidisciplinar associado. Na decisão, o juiz autorizou a redução da jornada para seis horas diárias e 30 horas semanais, das 7h às 13h15min, já considerado o intervalo intrajornada de 15 minutos. O magistrado reconheceu que a presença da mãe é imprescindível para o acompanhamento da criança.

Ao fundamentar o acolhimento do pedido de redução da jornada, o julgador citou o artigo 226, caput, da Constituição, segundo o qual “a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado”. Destacou, ainda, que a parte inicial do artigo 227 da Constituição prevê que “é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária...”. O juiz também mencionou o artigo 1º, parágrafo 2º, da Lei 12.764/2012, que considera o autismo como deficiência, para todos os efeitos legais. 

O fato de a CLT não estabelecer regramento específico envolvendo a questão não foi considerado apto a impedir a atuação jurisdicional, na forma do artigo 5º, inciso XXXV, da Constituição, e artigo 8º da CLT. O julgador registrou que a reclamada é uma empresa pública que oferta mão de obra para a administração direta e aplicou ao caso, por analogia, a Lei 8.112/1990, que trata do regime jurídico dos servidores públicos. Os parágrafos 2º e 3º do artigo 98 da lei preveem a concessão de horário especial ao servidor que tenha cônjuge, filho ou dependente com deficiência.

O juiz destacou que a relevância do tema em análise é tamanha que a lei específica assegura vários direitos à pessoa com transtorno do espectro autista, tais como vida digna, integridade física e moral, livre desenvolvimento da personalidade, segurança, lazer, proteção contra qualquer forma de abuso e exploração, saúde, educação, moradia, trabalho, previdência social, entre outros (artigo 3º da Lei 12.764/2012).

De acordo com a decisão, a extensão do artigo 98, parágrafo 3º, da Lei 8.112/1990 aos empregados celetistas se dá pelo critério de integração das normas em decorrência da lacuna da lei e também por equidade, sob pena de se dar tratamento discriminatório, o que é vedado pelo ordenamento jurídico. “Este juízo tem o dever de promover a devida integração normativa, em juízo de ponderação, para, em última análise, efetivar os direitos assegurados ao próprio filho menor”, arrematou o juiz. A decisão citou jurisprudência do TRT de Minas e do TST.

O magistrado entendeu que o cumprimento da jornada de 44 horas semanais dificulta muito o acompanhamento do filho da autora e observou que o salário deve ser preservado, diante da necessidade de manutenção da renda da família para honrar os gastos com os tratamentos do menor. Para o juiz, a decisão efetiva o direito, sem prejudicar de sobremaneira a empregadora.

Houve recurso, mas o TRT de Minas manteve o julgamento de primeiro grau. O processo já foi arquivado definitivamente.

Processo
  •  PJe: 0010678-42.2022.5.03.0019 (ROT)
  • Secretaria de Comunicação Social

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