Eu já tive anorexia.
No nível de ter a menstruação interrompida porque faltava um mínimo de gordura no meu corpo.
Eu pesava 8 kg a menos do que peso hoje — e olha que estou bem magrinha. Voltava da escola a pé e subia 19 andares de escada. Andava com um livrinho de calorias na bolsa.
Na época, todo mundo falava: “Chega. Para de emagrecer.”
Mas, diante do espelho, quem aparecia era a minha autocobrança, o meu desejo de pertencer e a minha falta de autoestima.
Eu acreditava que consertaria no espelho as minhas dificuldades emocionais.
Mas, quanto mais eu maltratava meu corpo, mais dependente da balança eu me tornava.
Era como se o meu valor dependesse do número que aparecia ali.
Não existia prazer ao desfrutar de algo saboroso. Só culpa.
Passei anos contando calorias, restringindo alimentos e vivendo uma oscilação de peso que me tirava a paz.
Hoje, eu não tenho balança.
Eu não como azeitonas com culpa, pensando no tempo que levaria para gastar 70 calorias na esteira (sim, eu pensava assim).
Hoje, eu tenho estratégias.
Estratégias que me ajudaram a construir uma relação mais leve, mais consciente e mais respeitosa com o meu corpo.
Sinto meu corpo leve, limpo, com energia.
Quando me olho no espelho, vejo história: • os braços definidos por anos de yoga • o umbigo marcado por uma gravidez gemelar e uma hérnia • um glúteo que mudou depois que entendi o jeito certo de treinar
E, acima de tudo, eu vejo vida.
Meu corpo não é perfeito. Minha alimentação não é milimetricamente calculada.
Mas eu tenho saúde, energia e me sinto bem na minha própria pele.
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