“Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio militar americano esmagador, aéreo, terrestre e marítimo, para lançar um ataque espetacular — um ataque como não se via desde a Segunda Guerra Mundial.” |
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| (Imagem: The White House) |
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Foi assim que Trump se referiu ao sábado que entrou para a história — não apenas da Venezuela, mas da política internacional. |
Poucas horas antes, Caracas havia acordado com explosões, aeronaves voando baixo e a confirmação do que parecia impensável até pouco tempo atrás: Nicolás Maduro havia sido capturado por forças americanas em solo venezuelano. |
A seguir, o que se sabe — e o que ainda está em aberto — sobre a maior intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina em décadas. |
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Como Maduro foi capturado |
| O planejamento vinha sendo feito havia meses. Tropas de elite dos EUA — incluindo a Delta Force — treinaram a invasão em uma réplica do esconderijo de Maduro, construída fora do país. | A CIA mantinha agentes em solo venezuelano desde agosto, monitorando a rotina de Nicolás e mapeando deslocamentos, acessos e brechas de segurança. | Um informante próximo ao regime foi decisivo para indicar a localização exata de Maduro. Com tudo pronto, Trump aprovou a missão quatro dias antes da execução. Os militares, no entanto, recomendaram aguardar condições climáticas ideais. |
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A ação durou horas no total, mas o momento central — a captura de Maduro — levou apenas 47 segundos. O ataque deixou ao menos 40 mortos e foi acompanhado ao vivo por Trump via transmissão feita pelos próprios agentes em Caracas. |
Comemoração e revolta mundo afora |
 | (Imagem: AP) |
| Em nota, Lula, declarado companheiro de Maduro, disse que as ações americanas “ultrapassam um limite inaceitável” e ferem princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas;
| O ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Pequim estava "profundamente chocada e condena veementemente o uso da força pelos EUA contra um país soberano e o uso da força contra o presidente de um país.";
| Moscou disse estar profundamente preocupada e condenou um "ato de agressão armada" contra a Venezuela cometido pelos EUA.
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|  | (Imagem: The New York Times) |
| Milei, aliado próximo de Trump, se celebrou a captura de Nicolás Maduro, definido pelo documento como "o maior inimigo da liberdade no continente";
| Emmanuel Macron, presidente da França, disse que era um dia de festa para o povo venezuelano, destacando o apoio francês a uma transição pacífica no país;
| O presidente eleito José Antonio Kast comemorou a prisão de Maduro ao afirmar que a captura é uma boa notícia para a América Latina
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O que Trump disse — e o que ele prometeu |
Em pronunciamento oficial, o presidente americano anunciou que os EUA vão administrar a Venezuela de forma interina, até que uma transição de poder seja organizada. |
Na história americana, isso só aconteceu três vezes: Japão e Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial, e Iraque, depois da queda de Saddam Hussein.
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Segundo ele, um “grupo especial” — formado por integrantes do alto escalão de seu governo — assumirá a administração do país. O POTUS não detalhou nomes nem prazos, mas deixou claro que María Corina Machado não fará parte do processo. |
Donald também indicou que novas ofensivas militares não estão descartadas, afirmando também não ter receio de manter tropas americanas em território venezuelano pelo tempo que considerar necessário.
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O julgamento de Maduro em Nova York |
Na noite deste ontem, os EUA divulgaram um vídeo do ditador na unidade de Nova York da agência antidrogas dos EUA (DEA). Em tom de deboche, Maduro disse: “Hello. Hello. Happy New Year”.
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Maduro foi indiciado pelo Departamento de Justiça dos EUA por narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e outros crimes federais. |
O julgamento ocorrerá na Corte Federal de Manhattan, um dos tribunais mais rigorosos do sistema americano. A tendência é que o ditador vá para a mesma a prisão de P. Diddy. |
Como Maduro chegou ao poder — e virou ditador |
Nicolás assumiu o comando da Venezuela em 2013, com a morte de Hugo Chávez. Só que os problemas começaram cedo: em menos de um ano de governo, manifestantes pediam sua saída. |
A resposta foi repressão. Em 2017, novos protestos deixaram mais de 100 mortos. Em 2018, o Tribunal Penal Internacional abriu investigação por possíveis crimes contra a humanidade.
| (Imagem: The New York Times) |
| Mesmo assim, Maduro se manteve no poder — reelegendo-se em eleições amplamente contestadas e fraudulentas. No início de 2025, comparando-se a Davi contra Golias e acusou os EUA de tentar provocar uma “guerra mundial”. | Além da repressão em massa, a economia ruiu no país: | Entre 2012 e 2020, a economia venezuelana encolheu 71%; A inflação ultrapassou 130.000%. Prateleiras vazias, escassez de remédios e apagões viraram rotina; 86% vive na pobreza e aproximadamente 75% das famílias vivem em situação de insegurança alimentar.
| Não à toa, milhões de venezuelanos fugiram do país nos últimos anos para vizinhos latinos. Só o Brasil recebeu mais de 500 mil desde 2018.
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| O número representa a quantidade de imigrantes venezuelanos que cada país recebeu |
| Mas claro, além da política, há também o petróleo | A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta: são cerca de 303 bilhões de barris, o equivalente a 17% do total do mundo. | Horas após o ataque, Trump anunciou que petroleiras americanas entrarão imediatamente em solo venezuelano e que o petróleo do país “voltará a fluir” sob controle dos EUA. | | Para se ter ideia, esse valor equivale a 4x o PIB do Japão e é maior do que o PIB de todos os países do mundo — com exceção somente de EUA e da China. | Fato é que o socialismo venezuelano “roubou” bilhões em petróleo dos EUA ao longo das últimas décadas. |
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| Na década de 70, empresas americanas ajudaram a construir toda a aparelhagem de extração de petróleo da Venezuela. | Só que, em 1976, a Venezuela simplesmente confiscou fábricas e tomou o controle dos ativos de empresas como ExxonMobil, Shell e Chevron, usando-os para criar a empresa estatal de petróleo do país. O último caso aconteceu em 2013. | Com isso, gigantes do petróleo americanos alegam que o país latino lhes deve bilhões de dólares em compensação. | Fato curioso e muito importante: Ao longo dos últimos dois anos, a ditadura de Maduro vinha fazendo investidas na Guiana, inclusive publicando uma lei que incorporava 70% do território à Venezuela, mesmo com o país vizinho rejeitando a ocupação.
Com uma área superior à de nações como Inglaterra, Cuba ou Grécia, Essequibo é também um território repleto de petróleo, minerais e outros recursos naturais cuja diversidade é uma das maiores do mundo. Aprofunde. |
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