domingo, 4 de janeiro de 2026

 

Sob minhas ordens, as Forças Armadas dos Estados Unidos conduziram uma operação militar extraordinária na capital da Venezuela, empregando um poderio militar americano esmagador, aéreo, terrestre e marítimo, para lançar um ataque espetacular — um ataque como não se via desde a Segunda Guerra Mundial.”


(Imagem: The White House)

Foi assim que Trump se referiu ao sábado que entrou para a história — não apenas da Venezuela, mas da política internacional.

Poucas horas antes, Caracas havia acordado com explosões, aeronaves voando baixo e a confirmação do que parecia impensável até pouco tempo atrás: Nicolás Maduro havia sido capturado por forças americanas em solo venezuelano.

A seguir, o que se sabe — e o que ainda está em aberto — sobre a maior intervenção direta dos Estados Unidos na América Latina em décadas.

Como Maduro foi capturado

O planejamento vinha sendo feito havia meses. Tropas de elite dos EUA — incluindo a Delta Force — treinaram a invasão em uma réplica do esconderijo de Maduro, construída fora do país.

CIA mantinha agentes em solo venezuelano desde agosto, monitorando a rotina de Nicolás e mapeando deslocamentos, acessos e brechas de segurança.

Um informante próximo ao regime foi decisivo para indicar a localização exata de Maduro. Com tudo pronto, Trump aprovou a missão quatro dias antes da execução. Os militares, no entanto, recomendaram aguardar condições climáticas ideais.

A ação durou horas no total, mas o momento central — a captura de Maduro — levou apenas 47 segundos. O ataque deixou ao menos 40 mortos e foi acompanhado ao vivo por Trump via transmissão feita pelos próprios agentes em Caracas.

Comemoração e revolta mundo afora

(Imagem: AP)

🇧🇷 Em nota, Lula, declarado companheiro de Maduro, disse que as ações americanas “ultrapassam um limite inaceitável” e ferem princípios fundamentais da Carta das Nações Unidas;

🇨🇳 O ministério das Relações Exteriores da China afirmou que Pequim estava "profundamente chocada e condena veementemente o uso da força pelos EUA contra um país soberano e o uso da força contra o presidente de um país.";

🇷🇺 Moscou disse estar profundamente preocupada e condenou um "ato de agressão armada" contra a Venezuela cometido pelos EUA.

(Imagem: The New York Times)

🇦🇷 Milei, aliado próximo de Trump, se celebrou a captura de Nicolás Maduro, definido pelo documento como "o maior inimigo da liberdade no continente";

🇫🇷 Emmanuel Macron, presidente da França, disse que era um dia de festa para o povo venezuelano, destacando o apoio francês a uma transição pacífica no país;

🇨🇱 O presidente eleito José Antonio Kast comemorou a prisão de Maduro ao afirmar que a captura é uma boa notícia para a América Latina

O que Trump disse — e o que ele prometeu

Em pronunciamento oficial, o presidente americano anunciou que os EUA vão administrar a Venezuela de forma interina, até que uma transição de poder seja organizada.

  • Na história americana, isso só aconteceu três vezes: Japão e Alemanha, após a Segunda Guerra Mundial, e Iraque, depois da queda de Saddam Hussein.

Segundo ele, um “grupo especial” — formado por integrantes do alto escalão de seu governo — assumirá a administração do país. O POTUS não detalhou nomes nem prazos, mas deixou claro que María Corina Machado não fará parte do processo.

Donald também indicou que novas ofensivas militares não estão descartadas, afirmando também não ter receio de manter tropas americanas em território venezuelano pelo tempo que considerar necessário.



(Imagem: White House)

O julgamento de Maduro em Nova York

Na noite deste ontem, os EUA divulgaram um vídeo do ditador na unidade de Nova York da agência antidrogas dos EUA (DEA). Em tom de deboche, Maduro disse: “Hello. Hello. Happy New Year”.



Maduro foi indiciado pelo Departamento de Justiça dos EUA por narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e outros crimes federais.

O julgamento ocorrerá na Corte Federal de Manhattan, um dos tribunais mais rigorosos do sistema americano. A tendência é que o ditador vá para a mesma a prisão de P. Diddy.

Como Maduro chegou ao poder — e virou ditador

Nicolás assumiu o comando da Venezuela em 2013, com a morte de Hugo Chávez. Só que os problemas começaram cedo: em menos de um ano de governo, manifestantes pediam sua saída.

A resposta foi repressão. Em 2017, novos protestos deixaram mais de 100 mortos. Em 2018, o Tribunal Penal Internacional abriu investigação por possíveis crimes contra a humanidade.


(Imagem: The New York Times)

Mesmo assim, Maduro se manteve no poder — reelegendo-se em eleições amplamente contestadas e fraudulentas. No início de 2025, comparando-se a Davi contra Golias e acusou os EUA de tentar provocar uma “guerra mundial”.

Além da repressão em massa, a economia ruiu no país:

  • Entre 2012 e 2020, a economia venezuelana encolheu 71%;

  • A inflação ultrapassou 130.000%. Prateleiras vazias, escassez de remédios e apagões viraram rotina;

  • 86% vive na pobreza e aproximadamente 75% das famílias vivem em situação de insegurança alimentar.

Não à toa, milhões de venezuelanos fugiram do país nos últimos anos para vizinhos latinos. Só o Brasil recebeu mais de 500 mil desde 2018.




O número representa a quantidade de imigrantes venezuelanos que cada país recebeu

Mas claro, além da política, há também o petróleo 🛢️ 

A Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta: são cerca de 303 bilhões de barris, o equivalente a 17% do total do mundo.

Horas após o ataque, Trump anunciou que petroleiras americanas entrarão imediatamente em solo venezuelano e que o petróleo do país “voltará a fluir” sob controle dos EUA.

  • Para os EUA, o impacto é gigantesco. Em 12 horas, Washington passou a controlar reservas avaliadas em US$ 17 trilhões.

Para se ter ideia, esse valor equivale a 4x o PIB do Japão e é maior do que o PIB de todos os países do mundo — com exceção somente de EUA e da China.

Fato é que o socialismo venezuelano “roubou” bilhões em petróleo dos EUA ao longo das últimas décadas.

Na década de 70, empresas americanas ajudaram a construir toda a aparelhagem de extração de petróleo da Venezuela.

Só que, em 1976, a Venezuela simplesmente confiscou fábricas e tomou o controle dos ativos de empresas como ExxonMobil, Shell e Chevron, usando-os para criar a empresa estatal de petróleo do país. O último caso aconteceu em 2013.

Com isso, gigantes do petróleo americanos alegam que o país latino lhes deve bilhões de dólares em compensação.

🤡 Fato curioso e muito importante: Ao longo dos últimos dois anos, a ditadura de Maduro vinha fazendo investidas na Guiana, inclusive publicando uma lei que incorporava 70% do território à Venezuela, mesmo com o país vizinho rejeitando a ocupação.

Com uma área superior à de nações como InglaterraCuba ou Grécia, Essequibo é também um território repleto de petróleo, minerais e outros recursos naturais cuja diversidade é uma das maiores do mundo. Aprofunde.


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