quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Aplicativos mostram quem está fazendo ligações de números privados

Impossível não ficar receoso ao olhar o visor do telefone e aparecer "desconhecido" ou "número privado". Todo cuidado hoje em dia é pouco para se evitar trotes ou mesmo que se caia em armadilhas de golpes aplicados pelo telefone. Pensando nisso, a "BBC" reuniu alguns aplicativos que visam desvendar o mistério dessas chamadas estressantes.
Veja a lista e descubra os números reais de quem está ligando para você.
1) Trap Call: Está disponível para Android e iOS e ao receber uma chamada de número desconhecido, é possível recusá-la apertando duas vezes no botão de bloqueio. Em seguida, o app envia uma mensagem de texto com o telefone de quem fez a chamada e se ele está vinculado a um endereço específico. O aplicativo também oferece a opção de incluir os número não desejados em uma lista negra.
2) True Caller: Disponível para iOS, Android, BlackBerry OS e Windows Phone, ele também pode ser usado por meio de sua página na internet. O aplicativo funciona com uma base de dados de milhões de números previamente identificados. Após reconhecê-los, o app permite que eles sejam bloqueados.
3) Contative: Serve para identificar números de telefone desconhecidos e seus desenvolvedores afirmam que ele pode revelar mais de 60 milhões de números. Qualquer pessoa poderia buscas um número de telefone na internet e possivelmente poderia encontrar um nome vinculado a ele.
4) Track Caller Location: Para utilizar não é preciso estar conectado à internet e permite descobrir a localização do autor da chamada, apenas se o celular dele use sistema GSM.
5) Whoscall: O app filtra 20 milhões de chamadas por dia e identifica meio milhão delas como desonestas e problemáticas. Ao identificar os números não desejados, o app permite bloquear suas ligação e mensagens de texto.

6)Whos Callin?: É capaz de detectar quem está por trás de um texto de WhatsApp e também permite reconhecer a origem dos textos enviados pelo Messenger da rede social Facebook e tem a possibilidade de configurar smartphones pra filtrar as chamadas em função dos contatos.
O Tempo

Para especialistas, churrasco de domingo é vilão do aquecimento global

Para especialistas, churrasco de domingo é vilão do aquecimento global. A picanha, a fraldinha e a maminha, bem salgadas, feitas na brasa, símbolos de um bom churrasco, estão se tornando inimigas do clima. É que a carne, desde a criação do gado até a mesa do brasileiro, é responsável pela liberação de grande quantidade de gases que causam o aquecimento global, segundo o Observatório do Clima (OC) – rede que reúne 40 organizações da sociedade civil. A recomendação é que o consumo de carne de boi seja menor e a produção mais eficiente.
Os impactos causados pela agropecuária são responsáveis por 69% das emissões de gases de efeito estufa do Brasil. Estão incluídos na conta poluentes decorrentes do processo digestivo e dejetos de rebanhos, o uso de fertilizantes e o desmatamento (43% das emissões nacionais).
Os números são do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa (Seeg), do Observatório do Clima, divulgados no Rio de Janeiro.
De acordo com a coordenadora de Clima e Agropecuária do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola  (Imaflora), Marian Piatto, que integra a rede do observatório na agropecuária, somente o gado de corte é responsável por 65% das emissões de gases de efeito estufa na agropecuária.
Ela explica que um dos problemas está no sistema digestivo dos animais com dificuldades de processar o capim. “O gado bovino, quando se alimenta do capim, explicando de uma maneira bem simples, elimina metano por meio do arroto e do pum. Não é como nos carros, que vemos uma fumaça cinza, mas são poluentes”.
Marina lembra que o país tem um dos maiores rebanhos do mundo, cerca de 200 milhões de animais, o que agrava o problema. “É quase um por pessoa”, comparou.
Para chegar aos 69% das emissões nacionais do setor agropecuário, o coordenador do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa, Tasso Azevedo, acrescenta que, além dos problemas com o gado, entram na conta o transporte da carga, que, na maioria das vezes, usa diesel, o mais poluente dos combustíveis e o desmatamento para criação de pasto. Na Amazônia, onde avança o uso de terras para a atividade, é comum a ocupação de áreas derrubadas com o gado, denunciou Eron Martins, do Instituto Imazon.
“A relação entre a pecuária e o desmatamento é muito estreita porque a pecuária tem uma fluidez econômica muito rápida, o que facilita colocar a pecuária nos locais de expansão (desmatadas) para ter o direito daquela área mais tarde”, disse Martins. Ele contou que é comum a extração de madeira deixar áreas degradadas que, em seguida, acabam revertidas em pasto.
Soluções visam reduzir emissões
Segundo os especialistas, às vésperas de o acordo de Paris entrar em vigor em 2017, com metas para limitar o aumento da temperatura no planeta, há espaço na agropecuária para redução das emissões, como melhor manejo de pastagens e menor uso de fertilizantes. O governo, por sua vez, deve atrelar a concessão de subsídios, como o Plano Safra, às contrapartidas ambientais. Os ambientalistas, porém, são unânimes em recomendar menor consumo de carne.
“Cada bife que a gente come é responsável por impacto ambiental. Não comemos camarão e lagosta todo o dia, por que temos a necessidade de comer uma quantidade diária de carne bovina?”, questionou Marina. Uma meta internacional para tornar a carne brasileira mais sustentável foi descartada porque o destino de 80% do gado do país é a mesa do brasileiro, disse.
Para quem pensar em adiar uma mudança de hábitos à mesa, Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima, alerta que o aquecimento global é responsável por ondas de calor, com sensação térmica de 50º, como no verão, no Rio de Janeiro, falta de chuvas, como em São Paulo, e desastres ambientais. “A gente está falando de qualidade de vida e de economia, mudanças climáticas são um risco para um país que depende da agricultura e da pecuária”, afirmou.
CNA questiona números
A Confederação Nacional da Agricultura (CNA) questionou os dados e disse que a conta do Sistema de Estimativa de Emissão de Gases de Efeito Estufa é uma “visão parcial” da produção.
“Se a gente for levar em conta que o Brasil emite menos de 4% das emissões globais, que o sistema leva em conta as emissões e não o balanço, se a gente considerar os esforços empreendidos para redução das emissões no Brasil – que vêm diminuindo – e o comprometimento da propriedade rural na conservação da biodiversidade, no estoque de carbono e na recuperação de áreas degradas, [poderá constatar] que a agropecuária é uma atividade muito menos impactante do que se pintou no relatório”, afirmou o coordenador de Sustentabilidade, Nelson Ananias Filho.
“Precisamos promover políticas de recuperação de pastagens em degradação para aumentar produtividade e emitir menos gases, produzindo comida e o nosso churrasco de fim de semana”. Nelson confirma que uma pastagem bem manejada sequestra até 90% de toda emissão da pecuária.
Para incentivar o setor, o Ministério da Fazenda, por meio do Plano Safra, apresenta aos produtores técnicas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) de produção sustentável.

“Para o governo, é inviável financiar toda mudança tecnológica do setor. O que fazemos é mostrar as coisas que estão na prateleira e que são viáveis”, disse o coordenador-geral de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Aloisio Lopes Pereira de Melo.
O Tempo

Prefeito eleito Alexandre Kalil é ovacionado no Independência

Prefeito eleito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, ex-presidente do clube, esteve nesta quarta-feira, no Independência, para acompanhar a semifinal entre Atlético e Inter, pela Copa do Brasil. É a primeira vez que o ex-dirigente atleticano volta ao Horto desde que deixou a gestão do clube, no fim de 2014.
Seu último jogo como mandatário alvinegro foi o duelo contra o Coritiba, na última rodada do Brasileirão. Relembrando seus tempos de presidente, Kalil esteve no vestiário e conversou com os jogadores.
Mostrando-se o tempo todo sorridente, o prefeito eleito foi tietado e recebeu o carinho dos torcedores que gritaram seu nome tão logo ocupou a cabine. Kalil estava acompanhado do atual presidente do Atlético, Daniel Nepomuceno, e de diretores do clube.
Quem também compareceu ao Independência foi o diretor de futebol Eduardo Maluf, que já voltou a trabalhar no clube depois de uma licença médica para o tratamento de um câncer no estômago.
Em suas últimas seções de quimioterapia, Maluf já tem participado ativamente das decisões do clube e comparecido aos jogos. Este, contra o Inter, foi o quarto jogo desde a recuperação.
O Tempo

quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Um problema desde sempre

Os 40 milhões de m³ de lama que causaram a tragédia em Mariana, na região Central de Minas, não surgiram da noite para o dia. Foram acumulados durante seis anos de operação da barragem de Fundão. Da mesma forma, os problemas da estrutura também não apareceram de surpresa no dia 5 de novembro de 2015, data do maior desastre ambiental do país. Apesar dos laudos de estabilidade, Fundão teve problemas estruturais desde o início de sua operação. Uma dor de cabeça que perseguiu os diretores da Samarco, que optaram, segundo o Ministério Público Federal (MPF), por aumentar a produção ao mesmo tempo em que buscavam uma solução de segurança, que nunca chegou. É o que O TEMPO apresenta nesta segunda reportagem da série sobre um ano do desastre.

As 272 páginas da denúncia do MPF trazem detalhes dos problemas estruturais que perseguiram a barragem. Há também dados dos recordes de produção e lucro da Samarco, controlada pela brasileira Vale e pela anglo-australiana BHP Billiton, no mesmo período. Fundão entrou em operação em dezembro de 2008 e já nasceu com falhas. Em abril de 2009, uma erosão grave indicou que os drenos foram mal construídos. A barragem ficou sem receber rejeitos até março de 2010, e seu projeto de drenagem foi alterado.

O retorno da operação de Fundão aconteceu com o projeto Terceira Pelotização, que elevou a produção de 14,1 milhões para 21,7 milhões de toneladas de minério de ferro exportadas por ano. Para produzir mais, precisou-se de mais espaço para os rejeitos, e os alteamentos de Fundão ocorreram em um ritmo acima do recomendado. Em um ano e meio, o dique 1 foi elevado em 18 m, três vezes o limite de alteamento determinado pelo manual de operação da barragem, de 6 m.

Com a expansão, Fundão começou a interferir na pilha de estéril da Vale, que ficava ao lado. A Samarco decidiu fazer um recuo no dique 1, contrariando a sugestão do projetista da barragem, o engenheiro Pimenta Ávila, e sem informar o órgão de especialistas que toda mineradora tem e que atua na orientação de decisões técnicas, chamado de ITRB. Um engenheiro recém-contratado pela Samarco fez o projeto do recuo em 80 m na margem esquerda do dique 1. Em dezembro de 2012, uma cratera surgiu, e o recuo foi aumentado em mais 70 m, dessa vez sem nenhum projeto de engenharia. Nem o engenheiro da Samarco acompanhava a obra, feita pela equipe operacional da empresa.

Esse recuo foi apontado pelo MPF como a principal causa da tragédia. Um dos autores da denúncia, o procurador da República José Adércio Leite destacou que, em todos os problemas enfrentados com Fundão, a Samarco priorizou a manutenção da operação para garantir os repasses de lucros a suas controladoras. “Houve um sequestro da segurança em busca do lucro. Foi uma decisão deliberada de se priorizar os lucros em detrimento da segurança, com ‘esparadrapos estruturais’”, ressaltou.

Apenas em abril de 2013, o recuo foi apresentado ao ITRB. O órgão, então, recomendou que a mineradora retomasse o eixo do dique 1 para a posição original do projeto, o que nunca foi cumprido pela mineradora. Em meados de 2014, a própria equipe da Samarco encontrou trincas no recuo e constatou a movimentação do maciço de terra. Pimenta Ávila foi novamente chamado e alertou sobre os riscos de liquefação. O ITRB mais uma vez orientou que o eixo do dique voltasse à posição inicial.

Para o MPF, esse foi um sinal de pré-ruptura da barragem. Mas, mesmo diante do problema, o principal assunto da reunião do Conselho Administrativo da empresa foi a redução dos custos para se manter o crescimento dos lucros diante de um cenário de redução do preço do minério.

Um geólogo que trabalhou com a mineradora e pediu anonimato foi taxativo: a tragédia poderia ter sido evitada. “A Samarco sempre foi boa empresa, a mais séria. Mas, de dez anos para cá, um grupo novo assumiu com o propósito de maximizar ganho e reduzir custo. Não era todo mundo que compactuava, muitos geógrafos não eram a favor disso. Era decisão de diretoria”, concluiu.


DIA DO DESASTRE

Apenas dois piezômetros mediam a estabilidade

Dos 12 piezômetros que deveriam fazer as medições de condições de estabilidade no recuo da margem esquerda de Fundão, apenas dois estavam no local no dia do rompimento da barragem. Além disso, na semana da tragédia, a Samarco não realizou medições de estabilidade, e os equipamentos estavam em manutenção após apresentarem falhas.

Os piêzometros foram retirados do local em de março de 2015 e passaram a ser utilizados na barragem de Santarém, reduzindo os dados transmitidos sobre a estrutura mais instável da barragem, que já havia apresentado trincas e uma série de problemas.

No dia do desastre, os piêzometros de mediação automática não estavam funcionando, segundo um funcionário da Samarco ouvido na denúncia do Ministério Público Federal. “Conforme afirmado por Wanderson Silvério Silva, ‘não tinha nada mais registrado no sistema automatizado do piezômetro; que a MGA, empresa que dá manutenção nos instrumentos e nas redes, estava dando manutenção nos instrumentos nos dias 3, 4, e 5; que esse problema começou em setembro e que tinha semanas em que transmitia e outras que não transmitia”, diz o texto.

Mesmo com a falha dos aparelhos de transmissão automática, na semana do rompimento, não houve a medição manual das condições de Fundão. (BM)


RECUPERAÇÃO

Pesca é proibida na Bacia do Rio Doce, em Minas


Quase um ano após o rompimento de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas, que devastou o rio Doce, a pesca foi proibida no lado mineiro da bacia desde Ponte Nova, na Zona da Mata, até Aimorés, na região do Rio Doce. A medida foi definida na portaria 78 do Instituto Estadual de Florestas (IEF) publicada na edição de ontem do Diário Oficial “Minas Gerais”. Na foz, no Espírito Santo, a pesca já estava suspensa desde fevereiro, por decisão do Ministério Público Federal (MPF).

Diretora de Proteção à Fauna do IEF, Sônia Cordebelle de Almeida, explicou que o objetivo da proibição na parte mineira do bacia é permitir a recuperação do rio. “A ideia é fazer a recomposição de toda a comunidade aquática, da cadeia alimentar das espécies, pensando tanto nos peixes ameaçados de extinção, quanto nos endêmicos”, explicou.

A portaria determina o fim da pesca tanto na calha do rio quanto em seis afluentes. O IEF informou que a retomada da atividade ainda não tem data e vai depender de estudos técnicos e científicos que vão avaliar a situação do rio e da fauna aquática.

Para os pescadores pouca coisa muda com a decisão, já que, desde o rompimento da barragem, eles não pescam na bacia do rio Doce. “A gente já tinha uma recomendação para não pescar nem na calha nem nos afluentes para alimentação. Mesmo que pesquemos, ninguém confia em comer”, afirma Reginaldo Bento dos Santos, 39, de Pedra Corrida, distrito de Periquito, no Vale do Aço. (Natália Oliveira)

O Tempo

Países de língua portuguesa defendem livre circulação

O Tempo

ACORDO

PUBLICADO EM 02/11/16 - 03h00






Estudantes brasileiros já podem usar o ENEM como forma de ingresso em universidades de Portugal
Brasília. Os países de língua portuguesa vão trabalhar para concretizar, em um prazo de até dois anos, um acordo que permita a seus cidadãos residirem, trabalharem e terem portabilidade de direitos sociais. Ou seja, será possível a um brasileiro morar e trabalhar em Portugal, por exemplo.

“A ideia é permitir a todo cidadão, e não apenas a estudantes, circular no espaço da comunidade de países de língua portuguesa”, afirmou nessa terça-feira (1) o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa.

Segundo ele, o acordo também permite residir e trabalhar em países da comunidade. “Agora, tem que se ver em termos específicos, a ver a equivalência de títulos acadêmicos e profissionais. Agora, isso precisa ser detalhado”, explicou o presidente português.

Previdência. A medida proposta se estende a direitos sociais, como a Previdência. “Imagina: brasileiro que trabalha em Portugal contar com os anos de trabalho para a sua aposentadoria global”, explicou Marcelo Rebelo de Sousa.

Encontro. A proposta foi apresentada por Portugal e acolhida por todos os demais integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que participaram de um encontro que se encerrou nessa terça-feira (1) no Palácio do Itamaraty.

O documento da declaração final da reunião afirma que os ministérios envolvidos trabalharão para concretizar esse objetivo até a próxima reunião de cúpula, daqui a dois anos, em Cabo Verde. A XI Cúpula da CPLP foi concluída com a adoção de uma agenda comum para a próxima década, que tem como objetivo fortalecer a presença do órgão nos fóruns internacionais.
Portugal. Estudantes brasileiros podem usar o resultado do Enem como forma de ingresso em 18 instituições de ensino superior de Portugal. A parceria com o país foi iniciada em 2014.
O Tempo

Sertão, lugar dentro da gente

Imagine um game em que um jagunço tenha que atravessar o sertão inteiro, passar por rios perigosos tocando uma boiada, duelar com políticos astutos, resistir às tentações do diabo, fugir da morte e sobreviver com a incerteza quente ardendo a cabeça. Inspirada pelo sobrinho Arthur, 14, a historiadora Heloísa Starling imaginou como as gerações hi-tech devem absorver a obra-prima de João Guimarães Rosa (1908-1967), “Grande Sertão: Veredas”, que completa 60 anos em 2016. “Além do teatro, do cinema, da música, as tecnologias vão conversar facilmente com Guimarães, já conversam, aliás, porque os temas que ele aborda serão sempre muito fortes a nossa imaginação. E é importante que abramos a mente para perceber seus recados. Isso pode ocorrer até num game moderninho”, ela explica.

Abarcada por novos olhares artísticos e tecnológicos diante a politização atemporal de Guimarães Rosa, a mostra “Rosa Expandido”, que ocupa o Palácio das Artes entre esta quinta-feira (3) e domingo, preparou uma programação gratuita para reverberar a obra do escritor de Cordisburgo em diferentes linguagens modernas, envolvendo artes plásticas, teatro, cinema e intervenções poéticas.

“Nós queremos é desmistificar o Guimarães Rosa. E isso fica mais fácil de ver nas artes, no bate-papo que faremos no cinema, numa intervenção poética que vai cochichar versos nos ouvidos do público. Nós vamos ter várias coisas acontecendo ao mesmo tempo. É uma experiência de linguagem para agradar a todos os públicos”, garante a gerente de programação artística da Fundação Clóvis Salgado, Ray Ribeiro, ressaltando que todas as atrações são gratuitas, com retirada de ingressos uma hora antes do início dos espetáculos e apresentações.

O principal destaque da mostra é a presença de Maria Bethânia. Conhecida por levar a poética ao palco com leituras de Fernando Pessoa, recentemente ela realizou, no Instituto Inhotim, a leitura de seus poetas preferidos, incluindo Manuel Bandeira, Cecília Meireles, Ferreira Gullar e Guimarães Rosa. Apesar disso, esta será a primeira vez em que a cantora vai interpretar trechos de “Grande Sertão”, no Grande Teatro do Palácio das Arte, neste domingo, às 19h – a retirada de ingressos gratuitos acontece nesta sexta-feira, a partir das 10h.

Quem também dá outro viés cênico à obra de Guimarães Rosa é o Grupo Ponto de Partida, único a ter coragem de criar uma versão teatral de “Grande Sertão”, em 1993. Nessa sexta-feira, a diretora da companhia, Regina Bertola, vai falar sobre a experiência da adaptação. No mesmo dia, na Sala Juvenal Dias, o cantautor Elomar faz raríssima apresentação do espetáculo híbrido de show e palestra interpretativa chamado “Canto do Sertão – Um Aboio para Rosa”, que relaciona a exaltação da linguagem sertaneja com as mensagens no livro de Guimarães Rosa.

Imaginação. O processo de observar com outros olhos o caminho de Riobaldo e Diadorim pelo sertão mineiro, no entanto, ganha mais força com a exposição inédita de Arlindo Daibert (1952-1993), “Imagens do Grande Sertão”, aberta nesta quinta-feira (3), na Galeria Mari’Stella Tristão. Em seus desenhos e xilogravuras elaboradas durante uma década, o mineiro de Juiz de Fora relaciona a epopeia sertaneja com personagens como o rei assassinado em “Hamlet”, de Shakespeare, ou a imperatriz romana Octacília.

“O livro trata de um sentimento da cultura universal, diálogos entre Deus e o diabo, o bem e o mal, o amor e o desamor, vida e morte. E isso está em tudo. Então, Arlindo resolveu unir referências interessantes que falam sobre os mesmos temas. Em Hamlet, você tem um rei assassinado com veneno. Guimarães narra a morte de forma similar, quando Maria Mutema mata o marido com chumbo derretido no ouvido. O Arlindo era formado em letras, conhecia o texto de Guimarães com profundidade e sabia das peças que a história podia pregar. Por isso, demorou tanto para fazer as próprias interpretações. Acho que cada um terá o próprio tempo para absorver Guimarães Rosa e suas possibilidades de conhecimento”, analisa o curador da exposição, José Alberto Pinho Neves.


PROGRAME-SE

Imagens do Grande Sertão – Arlindo Daibert
Quando: Desta quinta-feira (3) a 15 de janeiro de 2017
Onde: Galeria Mari’Stella Tristão

Filmes baseados na obra de Guimarães Rosa
Quando: Nesta quinta-feira (3)
Sessões às 15h, 17h e 19h
Onde: Cine Humberto Mauro
Grupo Ponto de Partida – Palestra Encenada
Quando: 4 de novembro, 19h
Onde: Teatro João Ceschiatti

Canto do Sertão – Um Aboio Para Rosa, de Elomar
Quando: Sexta (4), às 20h30
Onde: Sala Juvenal Dias

Seminário 60 Anos de “Grande Sertão”
Quando: Sábado (5), às 10h
Onde: Teatro João Ceschiatti

Maria Bethânia lê Guimarães Rosa
Quando: Domingo (6), à 19h
Onde: Palácio das Artes
O Tempo

terça-feira, 1 de novembro de 2016

CBF define novos formatos para o Campeonato Brasileiro Feminino

A CBF divulgou em sua sede, na manhã desta terça-feira, um novo formato para a competição nacional de futebol feminino. Entre as novidades, está a mudança no número de participantes, o tempo de duração do torneio e as premiações.
A partir do ano que vem, a competição terá mais uma divisão. As séries A1 e A2 terão 16 clubes cada um, com acesso e descenso. As duas equipes com pior rendimento na A1 disputam a A2 na temporada seguinte e as duas melhores equipes da A2 garantem acesso à A1.
Todos os custos das Séries A1 e A2 serão de responsabilidade da CBF: passagens aéreas ou de ônibus, hospedagem e alimentação. O clube mandante receberá R$ 10 mil por jogo. O valor deverá cobrir as despesas com a partida. Já a equipe visitante, receberá R$ 5 mil para os gastos que tiver.

Série A1
Serão dois grupos formados por oito times, cada. Os confrontos serão marcados por turno e returno. Os quatro melhores colocados em cada grupo avançam para as quartas de final, com jogos de ida e volta até a final. Dessa forma, as equipes finalistas totalizarão 20 partidas e os eliminados na primeira fase, 14.
Para o torneio do ano que vem, a CBF já definiu como serão distribuídas as vagas. Os campeões da Copa do Brasil de Futebol Feminino (Audax/Corinthians) e do Campeonato Brasileiro Feminino (Flamengo/Marinha), já estão incluídos. Depois, as oito melhores equipes classificadas no Ranking Nacional de Clubes de Futebol Feminino também têm participação garantida.
Os times das seis equipes melhores colocadas no Campeonato Brasileiro Masculino da Série A de 2016, também terão a oportunidade. Se ainda houver vagas, elas serão preenchidas pelos clubes subsequentes da Série A e B masculinos, voltando ao Ranking Nacional, caso ainda não consigam preencher todos os lugares.
Quanto aos prêmios, cada clube classificado para a competição receberá R$ 15 mil. As equipes que chegarem às quartas de final, lucram R$ 20 mil. Terminou o torneio nas semis, R$ 30 mil. O vice leva R$ 60 mil e o time campeão embolsa R$ 120 mil.

Série A2
Na série A2, serão dois grupos de oito times que disputam em turno único. Avançam para as semifinais as duas melhores equipes de cada grupo, que se enfrentam em partidas de ida e volta até à final. Dessa forma, as equipes finalistas totalizarão 11 partidas e os eliminados na primeira fase, sete.
As vagas atenderão aos critérios do Ranking Nacional de Clubes de Futebol Feminino de 2016. Para o ano seguinte, duas vagas serão de clubes rebaixados da Série A1. Outra vaga para a federação que garantir a melhor posição no Ranking de 2017 e mais 13 para as demais federações.
As 26 federações de futebol disputam a classificação para a Série A2 em fase preliminar. A partida será na sede da federação melhor ranqueada e o vencedor leva a vaga. Os confrontos serão decididos em 2017.

Com relação aos prêmios, cada clube classificado para a competição receberá R$ 10 mil. As equipes que chegarem às semis, R$ 15 mil. O vice fica com R$ 30 mil e o campeão, com R$ 50 mil.
O Tempo