domingo, 4 de junho de 2017

Belga com projeto social no Vale do Mucuri pode de ser deportada

Desde 2003, quando desembarcou no Brasil, a belga Greet Fleurackers, de 56 anos, mudou a realidade de cerca de 180 famílias de uma das regiões mais pobres de Minas Gerais, o Vale do Mucuri, mais precisamente na cidade de Águas Formosas. No município, ela criou o projeto social Associação Vale Viver de Promoção Social, que agora corre risco de acabar, já que a belga pode ser deportada.
“Meu visto foi prorrogada mais vezes do que a lei permite e vai vencer dia 07 de setembro deste ano. Há anos que estou querendo um visto permanente, e sempre foi negado pela Polícia Federa”, conta Greet Fleurakers. A reportagem de O TEMPO procurou a Polícia Federal por meio da assessoria de imprensa, porém nenhum retorno foi dado sobre o caso da Belga.
Quando chegou à cidade, as crianças já ganharam o coração da estrangeira e ela, que já era envolvida em vários projetos sociais, resolveu entregar seu empenho a Águas Formosas, mas se ela for deportada, essas 180 famílias ficarão desamparadas. “O projeto vai acabar, porque sem eu aqui, a Vale viver da Bélgica (que apoia o projeto financeiramente) não tem mais controle sobre como será gasto o dinheiro", lamenta Greet.
Embora ainda tenha esperança de conseguir permanecer no Brasil, Greet lamenta por ainda não ter conseguido resolver seu problema. É um peso que nunca sai das minhas costas, sempre vivendo na insegurança como vai ser. Cheguei no Brasil há 14 anos, sou voluntária, trabalho todo dia no projeto. É minha vida, e gosto muito porque dá resultados”, conclui.


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"ELAS ROUBARAM MEU CORAÇÃO"

Ao chegar no Vale do Mucuri, Greet se afeiçoou imediatamente às crianças dali. "O que me fez chorar muito e até hoje faz, é a situação das crianças daqui, que ficam na rua, sem roupa, sem comida, muitas delas entrando no mundo das drogas desde muito cedo, coisa de 8 anos de idade. Elas roubaram meu coração", conta.
O primeiro passo que desenvolveu para fazer a diferença foi prover a merenda para os pequenos e inserir vegetais na alimentação deles. "Na comunidade, quando tinha comida em casa era arroz, feijão ou macarrão. As crianças não conheciam verduras e muitas delas tinham problemas de saúde como vermes e problemas de vista devido a falta de nutrientes e vitaminas no organismo. Começamos a fazer sopa com vegetais bem raladinhos, para elas não estranharem", lembra.
O que começou como uma medida paliativa para nutrir e alimentar os pequenos se tornou o carro-chefe do projeto. Hoje, a Associação Vale Viver ajuda 130 crianças de Águas Formosas e, consequentemente, as suas famílias. "Eu acho que o objetivo sempre foi melhorar a vida das famílias da cidade, por meio das crianças. São elas que precisam estudar para garantir um futuro melhor a elas e a seus familiares. O projeto consiste também em conversar com os pais dessas crianças e orientá-los a mantê-las na escola. Explicamos a eles a importância de assegurar o futuro dos pequenos e também esclarecemos a eles os direitos que eles têm. Muitos nem sabem o que é isso, apesar de serem cidadãos brasileiros", conta.
"Algo que contribuiu para a melhoria dessas famílias foi a criação do bolsa-família e é também por isso que lembramos aos pais a necessidade de se manter as crianças na escola a fim de assegurar o benefício", completa Greet. Para ela, as necessidades básicas como alimentação e vestimenta não se sobrepõe à necessidade essencial de solucionar o problema: "não é só dar uma cesta básica e uma roupa, apesar disso também ajudar bastante. Mas quando você tem que mudar alguma coisa, você tem que começar pela raiz. Como temos muitas crianças aqui, conseguimos a mudança por meio delas".

 

O PROJETO


A Associação Vale Viver de Promoção Social, como o nome já diz, tem por objetivo mostrar às famílias de Águas Formosas que vale a pena viver, mesmo com recursos escassos e dificuldades. "Algumas pessoas ali realmente já foram tomadas pela depressão, pela desmotivação. A pobreza acaba gerando falta de perspectiva, de esperança em um futuro melhor", explica Greet.
Com a atuação da ONG, as várias famílias da cidade recebem uma cesta básica todo mês e 130 crianças ganham alimentação de segunda a sábado. Muitos alimentos e materiais escolares ou de higiene pessoal são adquiridos com o dinheiro de doações vindos diretamente da Bélgica. Os voluntários de lá realizam visitas anuais à cidade a fim de conhecer as pessoas que ajudam e se mobilizam para conscientizar ainda mais belgas e informá-los sobre sobre a cidade mineira, localizada a cerca de nove mil quilômetros de distância da Bélgica.
Além disso, o projeto ensinou a muitos moradores de Águas Formosas como manter uma horta e, desta forma, prover vegetais para complementar o cardápio. "Tínhamos uma horta muito grande na comunidade, mas precisamos do espaço para construir uma quadra para os meninos. Mesmo assim, o conhecimento ficou e foi disseminado. Vizinhos passaram para vizinhos como cuidar das plantas", conta Greet.
A Vale Viver também oferece cursos para crianças, adolescentes e adultos da comunidade, como aulas de informática, cursos de cabeleireiro e manicure, aulas de teatro, dentre outros. "É muito gratificante ver os meninos crescendo e andando com as próprias pernas. O meu primeiro aluno de inglês, por exemplo, hoje, é professor do idioma em uma escola particular de Betim e pretende levar toda a família, que assim como ele é de Águas Formosas, para lá. É ele que sustenta os familiares, o que me deixa muito orgulhosa", disse.
Outro filho da Vale Viver é o projeto Criança Canhota, um movimento de ocupação artística formado por alunos de uma oficina de teatro que percorre as cidades do Vale do Mucuri ministrando oficinas, levando cinema ao ar livre e disseminando o conhecimento que tiveram durante a vivência na associação.
Apesar das vitórias e das vidas transformadas, Greet lamenta que algumas crianças, mesmo com a ajuda da ONG, acabam entrando no mundo das drogas e da criminalidade. "Infelizmente alguns viram traficantes ou morrem, o que me deixa extremamente triste. Só de falar eu fico arrepiada. Mas nós fazemos o que podemos para tirá-las deste caminho que acaba sendo uma das alternativas para se escapar da pobreza", conta.
O sorriso da belga volta a se iluminar ao falar da quantidade de pessoas que saem do projeto com uma função, como a de ator, ou que vão trabalhar em casas de família após aprenderem os afazeres domésticos como voluntários na ONG. E o mundo também volta se iluminar e fica um pouquinho melhor com histórias como a de Greet, que saiu de tão longe para fazer a diferença na pequena comunidade de Águas Formosas.
Para ajudar
A Vale Viver acabou de inaugurar um pequeno espaço para uma biblioteca em Águas Formosas, e passa agora a contar com doações, não apenas de alimentos, materiais de higiene e de limpeza, roupas e dinheiro, mas também de livros.
Para entrar em contato e saber como ajudar, o e-mail é vale-viver@hotmail.com e o telefone é (33) 3611-1062.

Na internet, as páginas são:
comartevaleviver.weebly.com/
facebook.com/pages/Associacao-Vale-Viver-de-Promocao-Social
Conheça também o projeto Criança Canhota lendo o artigo de Júlio Assis em O TEMPO, e também por meio da página facebook.com/CriancaCanhota
O Tempo

sábado, 3 de junho de 2017

Olga pelos olhos de sua filha

Recontar o passado e rever o sofrimento pelos quais seus pais Olga Benario e Luiz Carlos Prestes passaram certamente não foi tarefa fácil, mas a historiadora Anita Leocadia Prestes, hoje com 80 anos, não se furtou a revisitar a trajetória de sua mãe para a elaboração de biografia que lança hoje na capital (ela já era autora de obra sobre seu pai).
“Olga Benario Prestes – Uma Comunista Nos Arquivos da Gestapo” (Editrao Boitempo) é baseado em documentos inéditos do acervo produzido pela polícia secreta nazista sobre a militante comunista e judia, que começaram a ser disponibilizados em abril de 2015. Inclui relatórios, depoimentos, fotografias e cartas enviadas e recebidas para Olga, desde sua extradição do Brasil, em 1936, até sua morte na câmara de gás no campo de concentração de Ravensbrück, em 1942.
Os arquivos tinham sido apreendidos pelo exército soviético após a derrota da Alemanha na Segunda Guerra, em 1945, e levados para Moscou. Na década de 60, o conjunto foi transferido para o Arquivo Central do Ministério da Defesa da antiga União Soviética e só foi tornado público 70 anos após o fim do conflito.
Os textos descobertos se referem sobretudo ao período em que Olga passou em campos de concentração. “A documentação nos arquivos da Gestapo sobre Olga é de cerca de 2.000 folhas, algo com que nenhum outro prisioneiro é contemplado. A Gestapo atribuía uma grande importância a minha mãe pelo fato de ela ter sido uma militante destacada do Partido Comunista da Alemanha e da Internacional Comunista, assim como mulher do líder comunista Luiz Carlos Prestes”, diz, por e-mail, Anita, que nasceu no cárcere alemão e viveu lá até os 14 meses, quando foi entregue a parentes paternos.
Na obra, além da trajetória da mãe, ela apresenta cerca de 50 cartas trocadas entre Olga e Prestes, encarcerado no Brasil, a sogra, Leocadia, e as cunhadas. Boa parte dos textos se refere à filha e à preocupação de Olga em relação a sua educação. Sete professores da língua alemã, que levaram cerca de um ano para selecionar e traduzir a documentação, a ajudaram a organizar o material para concluir o texto.
Há detalhes sobre o comportamento da prisioneira que jamais haviam sido divulgados, como as mentiras que contava e que, por vezes, lhe rendiam castigos físicos. “Essa documentação veio confirmar algo já sabido a respeito de Olga: sua intrepidez e coragem revolucionária, assim como alguns fatos até então desconhecidos, como sua carta de grande coragem dirigida ao chefe da Gestapo, por ocasião da minha retirada da prisão”, diz Anita.

Inspiração. A escritora acredita que a publicação desse livro pode ajudar para que atrocidades como as cometidas nesse período não se repitam. “Pode contribuir para que as novas gerações, ao tomarem conhecimento dos horrores praticados pelo nazismo, se mobilizem para impedir que algo parecido venha a acontecer nos dias atuais. Houve, para mim, momentos de grande emoção ao trabalhar com esse material”, revela ela.
Na sequência do texto principal, há uma colagem com fotos e reprodução de documentos. Textos que constroem um passado pessoal e histórico, e levam à reflexão sobre o futuro. “Vivemos um momento muito difícil, em que se confirma algo escrito por Karl Marx e repetido por Rosa Luxemburgo: se a humanidade não consegue avançar rumo ao socialismo, teremos a instalação da barbárie”, declara a escritora.
O Tempo

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Polícia abre inquérito para localizar os restos mortais de Garrincha

A Polícia Civil do Rio de Janeiro abriu inquérito nesta sexta-feira para apurar o paradeiro dos restos mortais de Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, morto em 1983. Além disso, o delegado Antônio Silvino, do 66º DP (Piabetá), pretende investigar se houve crime de violação de sepultura. De acordo com a polícia, caso seja confirmado o crime, os responsáveis poderão receber penas que variam de um a três anos de prisão.
A dúvida sobre a ossada de Garrincha surgiu após a Prefeitura de Magé, no interior do Rio, descobrir que uma suposta exumação havia sido feita há alguns anos. Contudo, não existe nenhum documento que comprove a realização da ação ou a transferência para uma segunda sepultura.
Serão chamados para depor Rosângela Cunha dos Santos, filha de Garrincha, que revelou o sumiço dos restos mortais do pai; João Rogogisky, sobrinho do jogador e proprietário do jazigo onde ele foi enterrado; e ainda Priscila Libério, administradora do Cemitério de Raiz da Serra, que admitiu não saber o local onde se encontra a ossada do ídolo do futebol brasileiro.
O jazido onde Garrincha foi enterrado é muito simples e está localizado no quase abandonado cemitério em Magé, que possui muitas sepulturas deterioradas e sacos de lixo com ossadas depositadas em um mesmo local. O túmulo de Garrincha - ao menos o original - é simples e todo branco. Tem o ano de seu falecimento grafado erroneamente - 20 de janeiro de 1985, sendo que ele morreu dois anos antes. Além disso, outra lápide informa que naquele mesmo jazigo está enterrada uma criança de dez anos, morta em 1955. Ela seria parente do ex-jogador.
Para esclarecer o caso, a Prefeitura de Magé aceitou arcar com as despesas de exumação de corpos que estiverem nas duas sepulturas do jazigo. Amostras dos restos mortais seriam colhidas para um exame de DNA que detectaria qual das ossadas (ou se nenhuma) seria a de Garrincha. Esse procedimento depende da autorização da família, que ainda não se reuniu para discutir o assunto.

Ainda nesta sexta-feira, Pelé, que atuou ao lado de Garrincha pela seleção brasileira nas Copas do Mundo de 1958, 1962 e 1966, falou sobre o assunto. "Eu lamento porque ele era um dos grandes parceiros meus na seleção. É uma pena que esteja acontecendo isso com um ídolo que tanto promoveu o Brasil em todo mundo", disse o Rei do Futebol.
O Tempo

Amamentação pode reduzir substancialmente risco de câncer uterino

As mulheres que amamentam seus filhos têm riscos substancialmente menores de desenvolver câncer uterino, disseram pesquisadores do Instituto de Pesquisa Médica QIMR Berghofer da Austrália. A Dra. Susan Jordan, chefe do grupo de pesquisas, afirmou que as mulheres que amamentam pelo menos uma criança têm um risco menor de contrair câncer do útero. A informação é da agência Xinhua.
"Descobrimos que quanto mais as mulheres amamentavam, menor o risco de contrair câncer uterino, até nove meses, quando a redução do risco se estabiliza", disse a cientista. A pesquisa sobre a ligação entre a amamentação e essa enfermidade foi a maior já realizada até agora, com a equipe da QIMR Berghofer analisando dados coletados de mais de 26 mil australianas, com mais de 9 mil mulheres com câncer uterino.
"Descobrimos que as mulheres que já amamentaram tinham um risco 11% menor de desenvolver câncer uterino do que as mulheres que nunca amamentaram", comentou a pesquisadora.
Também foi observada uma correlação interessante entre a duração da amamentação e subsequente redução da probabilidade de contrair câncer uterino, com mulheres que amamentaram por três a seis meses apresentado um risco 7% menor de desenvolver esse câncer e mulheres que amamentaram por seis a nove meses tendo seu risco reduzido em 11%.
"Em outras palavras, uma mulher que amamentou duas crianças por nove meses apresentou cerca de 22% menos risco de câncer de útero do que uma mulher que nunca amamentou", disse a Dra. Susan Jordan. No entanto, como nem todas as mulheres são capazes de amamentar, ela explicou que existem outras coisas que elas podem fazer para reduzir o risco de câncer do endométrio ou uterino.

"Ter um bebê reduz seu risco. De modo semelhante, tomar a pílula contraceptiva oral pode reduzir o risco de câncer do endométrio, mas provavelmente a melhor coisa a fazer é garantir que você tenha um estilo de vida saudável. Coma bem, evite ter sobrepeso e exercite-se regularmente, estas são todas coisas importantes para reduzir o risco de câncer uterino", disse a médica..

O Tempo

Quatro ministros votam no STF a favor da restrição do foro

Mesmo após o pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes, três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) pediram para antecipar seu voto e acompanhar o entendimento do relator do processo, Luís Roberto Barroso, no julgamento sobre a restrição do alcance do foro privilegiado.
Marco Aurélio Mello, Rosa Weber e a presidente da Corte, Cármen Lúcia, também se manifestaram favoráveis à tese de que os políticos só terão direito ao foro privilegiado se o crime de que forem acusados tiver sido cometido no exercício do mandato e tiver relação com o cargo que ocupam.
O julgamento foi suspenso com o placar de 4 a 0 e será retomado quando Moraes devolver o caso para o plenário. Normalmente, quando um ministro pede mais prazo para analisar um caso, o julgamento costuma ser suspenso na hora, sem que os outros ministros se manifestem.
O tema polêmico, no entanto, fez com que os ministros que já tinham opinião formada demonstrassem apoio a Barroso, que foi bastante criticado durante o julgamento.
O principal argumento do relator é que a prerrogativa de foro tem sido usada como instrumento para garantir que os políticos sejam julgados no Supremo. Segundo ele, se a instância onde alguém fosse julgado "não fizesse diferença", os político não se empenhariam tanto em manter o foro.
Sem citar casos concretos, o ministro afirmou que a corrupção no Brasil é tão sistêmica, que essa atitude se tornou algo "multipartidário". "O que nós estamos vendo é que, se não fizesse diferença, se não assegurasse ou impunidade ou pelo menos menor celeridade, não haveria essa disputa por ficar em cargos que têm foro no Supremo. E basta abrir os jornais para saber que manter a jurisdição no Supremo é uma bênção porque supõe-se, a meu ver com acerto, que a jurisdição de primeiro grau vai ser mais rápida", disse.
Barroso afirmou ainda que entendia o ponto de vista dos ministros que o criticaram, mas que essa havia se tornado uma "realidade óbvia" do País. "Eu acho que não há argumento capaz de desfazer a realidade óbvia de que, por lei, medida provisória ou nomeações, se quer assegurar o foro no Supremo, e há de haver alguma razão para isso."
Nos últimos tempos, se levantou suspeita sobre indicações para ministérios que teriam esse objetivo. Esse foi o caso da nomeação de Moreira Franco para a Secretaria-Geral da Presidência da República pelo presidente Michel Temer. No ano passado, uma polêmica semelhante aconteceu durante a tentativa da então presidente Dilma Rousseff de indicar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assumir o comando da Casa Civil. Hoje, casos de políticos investigados na Lava Jato que não têm foro são enviados ao juiz Sérgio Moro, de Curitiba.
Impunidade
Ministros como Gilmar Mendes e Dias Toffoli, porém, refutaram essa ideia. Segundo eles, o Supremo já mostrou ser uma Corte eficiente para julgar questões criminais. Toffoli afirmou, por exemplo, que dos 148 inquérito que recebeu desde 2009, apenas 41 ainda não foram julgados. "Onde está a ineficiência?", disse.
Em seu pedido de vista, Moraes também defendeu que não era possível estabelecer conexão entre impunidade no Brasil e a ampliação do foro pela Constituição de 1988.
Um dos seus argumentos ao pedir mais tempo para analisar o caso foi que a mudança proposta por Barroso não se tratava "meramente de uma norma processual, mas de um complexo de garantias que têm reflexos importantíssimos". "A alteração de uma é mais ou menos como aquele jogo de varetas. Ao mexer uma vareta, você mexe as demais", disse.

Para o ministro, não é possível analisar a questão somente do ponto de vista "o foro é aqui ou ali". "Há uma série de repercussões institucionais importantíssimas no âmbito dos Três Poderes e do Ministério Público", afirmou.

O Tempo

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Sampaoli quer Argentina protagonista e Messi 'mais genuíno'

O técnico Jorge Sampaoli foi apresentado nesta quinta-feira sob a expectativa de recolocar a seleção argentina nos trilhos. Substituto de Edgardo Bauza, o treinador de 57 anos chega após bons trabalhos na Universidad de Chile, na seleção chilena e no Sevilla e com respaldo quase unânime no país. Agora, promete fazer de tudo para que o "sonho" não vire pesadelo.
"Este é um sonho que tinha há muito tempo", admitiu Sampaoli, que, no entanto, tentou se livrar do rótulo de "salvador da pátria". "Esta seleção não é de um grupo de futebolistas, mas sim de 40 milhões de argentinos. Pretendemos que o jogador que coloque esta camisa possa expor a qualidade que tem e defender nossas cores."
Sampaoli insistiu que o talento não é problema para a Argentina, mas admitiu que a seleção vem há alguns anos tendo dificuldade para transformar um elenco de qualidade em equipe. Para alcançar este objetivo, ele prometeu tentar reviver a identidade histórica do futebol do país e tornar a equipe protagonista nas partidas.
"O rival deve se adaptar a nós, e não o contrário. Esta camisa nos obriga a um protagonismo desmedido e pensar sempre no gol. Temos que buscar uma identidade. Gostaria que fosse retomado o sentimento popular pela seleção. Por isso estamos aqui, para incentivar isso", disse.
Mas Sampaoli sabe que uma de suas principais metas é encontrar uma forma para que Messi renda pela Argentina um futebol próximo ao que apresenta no Barcelona. E para isso, ele quer que o jogador se sinta em casa na seleção. "É o melhor jogador do mundo, com variantes criativas. Agora, quero que ele seja o Leo, não o Messi. Queremos sua versão mais genuína e que se sinta feliz por estar aqui. Falei com ele e está muito empolgado com este projeto."
O treinador também deu explicações sobre os convocados para seus primeiros compromissos pela Argentina. Antes mesmo de ser oficializado, Sampaoli trabalhou na construção da lista para os amistosos contra o Brasil, dia 9 de junho, e Cingapura, quatro dias depois. Entre os chamados, destaque para Mauro Icardi, principal nome da Inter de Milão, mas que vinha sendo preterido pelos antecessores do treinador.
"A opção tem a ver com seu rendimento na equipe. Cada convocado foi chamado pela atualidade", explicou Sampaoli, que deixou nomes como Agüero de fora. "As condições não foram as ideais, porque há muitos jogadores de férias e que atuaram muitos minutos por suas equipes", completou.
Se a chegada de Sampaoli empolga, o momento da Argentina nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 é preocupante. A seleção está na zona de repescagem, na quinta colocação, com 22 pontos em 14 jogos. No dia 31 de agosto, a equipe fará um clássico com o Uruguai, fora de casa. E para dar a volta por cima, o técnico se apega ao exemplo do Brasil, que se reergueu após a chegada de Tite.

"A dificuldade é real. A Argentina não está classificada (para a Copa), mas tem recursos para estar no Mundial. É o que queremos e sabemos que podemos. Há muito vai e vem nas Eliminatórias. O Brasil, por exemplo, se consolidou com o novo técnico. Teremos quatro rodadas definitivas e esperamos que a equipe se consolide "
O Tempo

Assistente que falhou em jogo do Botafogo é ameaçada nas redes sociais

No empate por 1 a 1 do Botafogo com o Sport, em jogo realizado nessa quarta-feira, pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil, ficou marcado por uma falha glamourosa do assistente Tatiane Camargo, que anulou um gol legítimo de Rodrigo Pimpão, mais de dois metros atrás da linha da bola. 
O erro acabou não atrapalhando os planos do time carioca, que avançou às quartas de final do torneio nacional com o resultado em pé de igualdade. 
No entanto, o fato lamentável ficou por conta dos ataques da torcida do Botafogo à assistente. Tatiane chegou a ser ameaçada, além de sofrer com o discurso machista de alguns torcedores exaltados. 
'Arrombada merece dois tiros na cara. Depois fala que somos machistas', disse um dos torcedores no Twiiter. 
'Se tivesse lavando louça não estaria fazendo m...', afirmou outro. 
'Safada, erro grotesco! Teu lugar é no varal estendendo roupa', disparou mais um. 
“Vai trabalhar em algo que tu sabe fazer p... Roubou o botafogo na cara dura...”, postou um torcedor.
“Um erro grave que prejudicou o Botafogo! Não sabe trabalhar, não trabalha querida! Como você erra um lance desse?”, escreveu outro.

“Aposenta”, disse mais um.

O Tempo