domingo, 3 de dezembro de 2017

Fred desafia os maiores artilheiros da história do Brasileirão

São 138 gols em 11 Campeonatos Brasileiros, números que fazem de Fred o quarto maior artilheiro da principal competição de futebol do país, considerando-se os torneios disputados a partir de 1971. Com os 11 gols anotados na edição 2017, o atacante atleticano deixou para trás Serginho Chulapa, Túlio Maravilha e Zico na lista dos maiores artilheiros do Brasileirão.

Aos 34 anos, o centroavante entra em fase final de carreira, mas, se mantiver a média de 12,5 gols por disputa, poderá ultrapassar Edmundo e Romário daqui a dois anos. “Eu vou agora ano a ano. Se meu corpo estiver bem como estou me sentindo agora, me cuidando, forte, pretendo jogar mais e fazer o maior número de gols possíveis”, disse Fred. O ex-atacante Edmundo, hoje comentarista de TV dos canais Fox Sports, já se vê com a marca superada.

“Quero parabenizar o Fred pelos gols que tem feito e por estar entrando em um rol seletivo de grandes artilheiros do futebol brasileiro. Sem dúvida nenhuma, acredito que ele vai me passar e (passar) o Romário também. O mais importante, aos 34 anos, é que ele consiga estar em um grande time e esse grande time dispute os títulos, que assim facilita as coisas para ele fazer os gols”, destacou Edmundo.

Se Fred estender a carreira para os 38 ou 39 anos, mantendo sua média, pode até chegar ao topo desse seleto rol, alcançando, assim, Roberto Dinamite, que tem 190 gols. Mas o jogador tem conseguido subir sua média nesse um ano e meio de Atlético.

O atacante disputou os Brasileiros de 2004 e 2005 pelo Cruzeiro, não esteve de 2006 a 2008, quando atuou pelo Lyon-FRA, voltando a disputar o torneio pelo Fluminense, entre 2009 e 2016, e, do meio do ano passado até hoje, com a camisa alvinegra. São 232 jogos, média de 0,59 gol por partida. Com as cores alvinegras no Nacional, no entanto, sobe para 0,63. Na carreira, é 0,55. (Com Aline Diniz e Bruno Trindade)
O melhor após oito anos
A culpa pela campanha ruim e pelas atuações instáveis do Atlético em 2017 acabou caindo nas costas dos principais nomes do elenco, como Fred. Mas contra números não há argumentos, e o camisa 9 fez o que se espera de um goleador. Mesmo oscilação, o centroavante é o segundo jogador que mais fez gols no Brasil neste ano e já estabeleceu o maior número de gols do Galo numa temporada nos últimos sete anos. Em 2017, Fred marcou, até este domingo – último jogo do ano –, 29 gols. Ele deve ficar atrás apenas de Henrique Dourado, do Fluminense, que balançou as redes adversárias em 32 oportunidades. Esta é a maior quantidade de gols anotados por um atleticano desde 2009. Naquele ano, Diego Tardelli fez incríveis 42 gols. Em 2016, Robinho anotou 25.
Munição é arma
Depois da chegada do técnico Oswaldo de Oliveira, em setembro, o próprio treinador e o atacante Fred chegaram a dizer que o centroavante precisa ser mais municiado para corresponder. “Temos que trabalhar mais para a bola chegar ao Fred em condição de finalização. Mas ele tentou participar das jogadas e criar situações para outros jogadores, porque estava muito marcado e impossibilitado de se posicionar para a finalização”, disse o treinador alvinegro após o empate em 0 a 0 com o Botafogo, pela 31ª rodada do Campeonato Brasileiro. “A gente está sofrendo um pouco com isso (o fato de não receber bolas em condições de finalizar). Eu tenho conversado bastante com o pessoal para olhar um pouco mais para mim, para a gente voltar a incomodar os adversários”, afirmou Fred após o embate contra os cariocas. De lá para cá, parece que as reclamações surtiram efeito. Nos seis jogos seguintes, ele balançou as redes quatro vezes. No ano passado, mesmo estreando no Galo apenas em junho, o atacante foi artilheiro do Campeonato Brasileiro, com 14 gols, dividindo o posto com Wiliam Pottker, da Ponte Preta, e Diego Souza, do Sport. Na edição deste ano, são 11 gols, sete a menos que os artilheiros Jô e Henrique Dourado.
Balanço. Mesmo com o time em um ano instável, Fred se destacou pela quantidade e gols. Compare com outros artilheiros ano a ano:

2009. Diego Tardelli – 42 gols

2010. Obina – 27 gols

2011. Magno Alves – 18 gols

2012. Bernard – 15 gols

2013. Jô – 19 gols

2014. Diego Tardelli – 19 gols

2015. Lucas Pratto – 20 gols

2016. Robinho – 25 gols

2017. Fred – 29 gols

Contestados no início do ano, Jô e Dourado travam artilharia

Quando a bola rolar neste domingo (3), às 17h, pela última rodada do Campeonato Brasileiro, boa parte das atenções estará voltada para os atacantes Jô, do Corinthians, e Henrique Dourado, do Fluminense. Empatados com 18 gols, eles travarão o último duelo para ver quem vai encerrar a temporada como o goleador da competição.

Campeão brasileiro, o Timão entra em campo contra o Sport. Já o Fluminense enfrenta o Atlético-GO e tenta o último suspiro para garantir uma vaga na Copa Sul-Americana do ano que vem.

Curiosamente, Jô e Dourado dificilmente seriam apontados como candidatos a artilheiros no início do ano. O corintiano estava no Jiangsu Suning-CHI e não jogava havia quase seis meses. Dourado chegou ao Flu no meio da temporada passada com a missão de substituir Fred, que tinha se transferido para o Galo. No início, foi olhado com desconfiança, mas o decorrer de 2017 mostrou que o jogador levou a sério a missão.

Jô e Dourado tiveram passagem pelo futebol mineiro, mas viveram situações distintas. Após período conturbado no Internacional, Jô recuperou o prestígio no Atlético e terminou a Libertadores de 2013 como artilheiro, com sete gols. Já Henrique Dourado, em 2015, ficou apenas seis meses no Cruzeiro, onde atuou em 11 partidas e marcou apenas um gol. Acabou emprestado ao Vitória de Guimarães-POR. (Gláucio Castro)
Goleador nunca se repetiu em anos seguidos

O Campeonato Brasileiro é tido como um dos mais difíceis do mundo. Uma olhada na lista dos artilheiros da competição mostra de fato que se manter entre os primeiros não é tarefa fácil. Desde que o sistema de pontos corridos foi implantado em 2003, nunca o goleador de uma temporada conseguiu repetir o feito no ano seguinte.

Fred foi quem mais terminou o Nacional como artilheiro, em três oportunidades, mas nunca em temporadas consecutivas. O camisa 9 do Galo foi o jogador que mais estufou as redes adversárias em 2012 e 2014, pelo Fluminense, e 2016, com a camisa do Atlético. Pelo tricolor carioca, Fred foi artilheiro isolado da competição, com 20 e 18 gols, respectivamente. Já na última temporada pela equipe mineira, o centroavante dividiu o posto com Diego Souza, do Sport, e William Pottker, da Ponte Preta, com 14 gols.

A marca foi a pior da era dos pontos corridos. Quem mais balançou as redes em uma edição do Brasileirão por pontos corridos foi o atacante Washington (34), pelo Atlético-PR, em 2004. Na ocasião, a competição tinha 24 clubes e 46 rodadas. Logo em seguida vem Timba, do Goiás, em 2003, com 31 gols.

Em 2011, Borges sagrou-se artilheiro do Brasileirão, com 23 gols. No ano seguinte, o Cruzeiro apostou na contratação do jogador do Santos, que teve passagem apagada pela Toca da Raposa. Foram 28 gols em 75 partidas pelo clube estrelado. (GC)
O Tempo

Professores fazem sucesso com videoaulas no Youtube

Professor de matemática na capital há quase dez anos, Guto Azevedo, 35, notava que nem sempre era possível tirar todas as dúvidas dos estudantes em sala de aula. Para facilitar o aprendizado dos alunos, ele passou a fazer vídeos sobre os conteúdos ensinados em classe e a publicá-los no YouTube. O canal, criado de forma despretensiosa há cerca de seis anos, hoje tem mais de 91 mil inscritos de todo o país e quase 11 milhões de visualizações. Assim como Azevedo, muitos professores, apelidados de “edutubers”, usam a plataforma de vídeos e fazem sucesso.

As aulas online são uma alternativa para quem está em recuperação neste final de ano ou quer começar a se preparar para o Enem de 2018. O canal de Azevedo é voltado para a educação básica – ensino fundamental e médio –, e ele publica pelo menos um vídeo por semana. “Os mais procurados são vídeos curtos, com o beabá da matemática e exemplos bem-explicados. Também costumo deixar um exercício no fim. É uma maneira de interagir”, afirmou. “As videoaulas não estão aí para disputar com o professor em sala de aula, e sim para somar. Ele pode usar isso como uma ferramenta de apoio”, completa.

História. A professora de história Tatiana Pereira, 28, criou o canal Historizando em 2015. Ela faz resumos de matérias como a Revolução Russa e a Reforma Protestante, utilizando imagens para ajudar na aprendizagem. O canal já tem mais de 19 mil inscritos. Para ela, o ensino a distância tem vantagens, como poder assistir às aulas em casa e rever o vídeo em caso de dúvidas, mas exige mais disciplina para estudar em vez de usar redes sociais, por exemplo.

O mestre em história Jener Cristiano Gonçalves, 41, criador do canal HistoriAção Humanas, que tem mais de 6,5 milhões de visualizações, diz que com os vídeos alcança alunos no mundo todo, o que não poderia acontecer em sala de aula. “Na escola, a gente tem um público muito restrito. Com os vídeos, acabei alcançando pessoas que nem imaginava”, afirma.


Pachecão, o precursor da aula-show

Precursor da aula-show, o professor Pachecão acredita que a inovação deve passar também pela sala de aula. “Hoje, o professor tem a concorrência das redes sociais e dos eletrônicos, então, precisa buscar espaço. Ele tem que desenvolver uma aula diferente, fazer de tudo para que o aluno se interesse”, disse ele, que fez fama usando música nas aulas de física.

É na sala de aula que o professor de matemática Alan Raniel, 29, da rede municipal de Betim, na região metropolitana, procura inovar para conquistar os estudantes. Ele ficou conhecido por usar “memes” da Gretchen para ilustrar as notas dos alunos e usar outros artifícios para prender a atenção da turma, como produzir instrumentos com os alunos e criar jogos.

SUCESSO

Medicina. As aulas online foram determinantes para o estudante mineiro Jhosen Congeta, 27, conquistar o primeiro lugar no curso de medicina da Universidade de São Paulo, o mais concorrido do país em 2017. Ele destaca vantagens como não precisar se deslocar e poder estudar o mesmo conteúdo com vários professores. Para ajudar na concentração, ele usou um aplicativo que bloqueava o acesso às redes sociais.

YouTube Edu. Para reunir conteúdos de educação de qualidade, Google e Fundação Lemann lançaram, em 2014, o YouTube Edu, que seleciona canais de videoaulas usando critérios como a precisão dos materiais. A plataforma tem, hoje, 240 canais e mais de 3 bilhões de visualizações.

Mix de conteúdos. Alguns canais do YouTube, como o Descomplica, abordam diversos temas. Nele, há aulas sobre todas as áreas de conhecimento do Enem e técnicas de ensino.


Alguns canais se transformaram em bons negócios

Além de ajudar os alunos, os vídeos online se tornaram fonte de renda para os professores. Com impressionantes 77,5 milhões de visualizações e 1,6 milhão de inscritos, o canal Ferretto Matemática virou um negócio para o professor Daniel Ferretto, que começou a gravar os vídeos em 2014 porque sentia falta do material das salas de aula. Hoje, o canal é uma plataforma de estudos em site próprio, com cursos exclusivos e mensalidades de R$ 18. “O aluno que me assiste já está em dificuldade e procurando ajuda na internet, então eu penso nesse tipo de situação ao preparar a aula”, diz.

Em 2008, o professor Paulo Barros criou o canal Inglês Winner, no YouTube, depois que a empresa dele, uma franquia de escola de inglês para brasileiros nos Estados Unidos, faliu. Atualmente, o canal tem mais de 735 mil inscritos.

“Hoje eu me dedico exclusivamente ao canal e ao meu curso de inglês, que comercializo pela internet. Tenho uma empresa que está crescendo e já conta com alguns colaboradores. Tudo online”, disse.

O professor Rafael Procópio também oferece aulas exclusivas em uma plataforma paga, cujo plano anual custa R$ 299,99. O canal dele no YouTube, Matemática Rio, tem mais de 967 mil inscritos. “A gente consegue se aprofundar no conteúdo, porque lá não tem limites, e conta com todos os recursos multimídia”, afirma.
O Tempo

sábado, 2 de dezembro de 2017

Honra em cheque (sic)


 *Amadeu Garrido de Paula

Ao promover queixa por difamação em face da examinanda ao cargo de titular da cadeira de direito penal da Faculdade de Direito da USP, nossa "célula mater", profa. Janaína Paschoal, o responsável pela banca examinadora, Doutor Salomão Schecaira, sustenta que sua honra foi posta em "cheque". O escopo linguístico era "xeque", pois a primeira expressão indica um título de crédito, e a segunda um comportamento que comprime a personalidade da vítima.

Preferimos crer que tenha sido um erro de digitação, até porque o ilustre professor está representado por um dos advogados dotados de notável cultura profissional e jurídica, Dr. Alberto Zacaria Toron.

Entretanto, é inescapável à nossa sensibilidade o fato generalizado de que a língua portuguesa, em nosso País, está macerada, tal como a sociedade como um todo, em razão das desastradas políticas públicas adotadas nos últimos anos, no ponto relacionado ao processo educacional de base, tristemente ineficaz ao transmitir às novas gerações conhecimentos mínimos da língua e das matemáticas. E o desassossego que se apodera de nós, ao vermos a seguinte passagem no "Livro do Desassossego", de Fernando Pessoa:

"Não tenho nenhum sentimento político ou social. Tenho, porém, num sentido, um alto sentimento patriótico. Minha pátria é a língua portuguesa. Nada me pesaria que invadissem ou tomassem Portugal, desde que não me incomodassem pessoalmente. Mas odeio, com ódio verdadeiro, com o único ódio que sinto, não quem escreve mal português, não quem não sabe sintaxe, não quem escreve em ortografia simplificada, mas a página mal escrita, como pessoa própria, a sintaxe errada, como gente em que se bata, a ortografia sem ípsilon, como um escarro directo que me enoja independentemente de quem o cuspisse.
                                                  
Sim, porque a ortografia também é gente. A palavra é completa vista e ouvida. E a gala da transliteração greco-romana veste-ma do seu vero manto régio, pelo qual é senhora e rainha."


Amadeu Garrido de Paulaé Advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.


Esse texto está livre para publicação.

Lutar contra corrupção 'é muito maior que a seleção', diz Tite

A luta contra a impunidade e colocar corruptos na prisão é algo "muito maior que a seleção brasileira". A declaração é do treinador Tite, que, um dia depois do sorteio da Copa do Mundo, comentou a situação do futebol nacional, da política, a gestão da CBF e suas expectativas para o Mundial de 2018.
"O fim da impunidade, de prisão para corrupto, é muito maior que a seleção brasileira", disse o técnico em entrevista ao Estado. "Ele é muito maior que o futebol. Ele é histórico, de um País melhor, de um País mais educado", afirmou.
Tite ainda quer que seu grupo na seleção seja usado como uma maneira de passar uma mensagem de que acabou a era dos "malandros". "Tomara que o futebol da seleção seja de vencer sendo o melhor. Que ele passe uma mensagem ao público que nós queremos ser mais competentes. Não queremos ser mais malandros do que ninguém", disse. "E se esse for o papel do futebol, junto com a alegria, que o faça", defendeu.
Evitando falar diretamente dos casos de José Maria Marin nos Estados Unidos e das acusações contra seu chefe, Marco Polo Del Nero, Tite insistiu que não tinha "condições de julgar". "O compromisso que eu assumi é de transparência. Eu venho aqui e coloco os critérios. Eu faço e quero fazer de meu trabalho meu exemplo", apontou.
Em campo, o treinador explicou como vai usar os próximos seis meses para consolidar o time. Mas não fechará portas a novos atletas. "Eu seria burro se fizesse isso", disse.
No sorteio para a primeira fase da Copa, o Brasil descobriu que enfrentará Suíça, Sérvia e Costa Rica. Para Tite, o grupo é forte mentalmente e a seleção terá de se preparar também nesse aspecto, amplamente discutido em 2014. Segundo ele, a camisa da seleção pode "oprimir". Mas aposta que os jogadores hoje estão mais maduros. Eis os principais trechos da entrevista:
Depois do sorteio, muitas seleções e treinadores disseram que o Brasil não era apenas o favorito de seu grupo, mas também da Copa. Por que é que você não se considera favorito ou se considera?
Considero, sim. Um dos favoritos. É inquestionável e por alguns aspectos. Um deles é a história. A qualificação dos atletas individualmente, ela te remete a isso. O momento da seleção. Isso tudo a credencia para ser um dos favoritos. Tu coloca a Alemanha, a França, Portugal, que ganhou o Euro. Daí para transpor isso para dentro de campo, é outra história.
O senhor falou em "consolidar" a seleção. O que significa isso na prática?
Significa, nessa segunda etapa de preparação, enfrentar equipes parecidas com a característica da Suíça. O futebol sul-americano às vezes tem uma característica diferente. Essa é a segunda fase da preparação. Eles foram distribuídos a grosso modo de forma equilibrada. Porém, com algumas características próprias. A grosso modo de novo e teoricamente, Portugal e Espanha são os francos favoritos e as outras equipes não tem o poderio técnico. Diferentemente do grupo do Brasil. Não tem uma equipe que você possa dizer: tem um nível técnico. São todas equipes qualificadas. Inclusive, no ranking e pontuação da Fifa, o grupo mais forte tem Brasil e Suíça. Mais do que Espanha e Portugal.
Fica muito claro no grupo do Brasil que são seleções que se defendem muito bem. No jogo contra a Inglaterra, a seleção teve um pouco de dificuldade para superar isso. Como fazer para se preparar para isso? Suíça e Sérvia tomam poucos gols.
São desafios, em cima das características deles. É uma nova etapa, sim. Começamos a trazer outras escolas. Pegamos o Japão, uma escola asiática, pegamos a Inglaterra, uma europeia, vamos pegar a Rússia para ter uma proximidade maior. Agora, vamos pegar equipes que tenham essas características que Suíça tem, que a Costa Rica tem, enfim, para que possamos nos preparar para uma segunda etapa. O jogo da Inglaterra nos permitiu ver que temos de fazer uma variação maior. Nós temos que ter outras opções e isso vai ser necessário. Mas ela trouxe também um componente muito forte. O técnico da Inglaterra disse: 'Nós não conseguimos agredir o Brasil, não conseguimos encontrar o Brasil exposto, criamos muito mais contra a Alemanha. Fiquei muito mais contente contra a Alemanha, porque o Brasil conseguiu nos neutralizar e retomar a posse de bola'. Então, esse processo de não dar oportunidade foi bem marcante e, em termos ofensivos, criar variantes.
Isso significa que a lista de convocados não está fechada?
Ela não está fechada. Eu tenho um pouquinho de inteligência para não fechar lista num Brasil que te permite surgir um Gabriel Jesus de repente e te afirmar. Não sou tão burro assim para fechar esse tipo de situação. Se eu tivesse quatro anos, e isso seria o ideal de preparação, talvez essas oportunidades seriam maiores. Mas eu não consigo. Entre o real e o ideal. O que é o meu real? Fortalecer a equipe, criar as variáveis ofensivas, ela se consolidar, maturar. Mentalmente, esse nosso grupo é muito forte. A Suíça mentalmente é muito forte. Nível de enfrentamento é alto.
Isso foi uma questão na Copa de 2014. Isso pode se repetir? Como preparar essa ansiedade, depois do que ocorreu em 2014?
Faz parte do que aconteceu em 2014, assim como ocorreu em 2002, falando especificamente da Alemanha. Agente traz esse marco. Ele é um fato real. Temos que administrar isso, jogar. Historicamente, tudo o que acontece faz parte. Agora, o que tem é uma nova etapa. Talvez até uma etapa de maturidade dos atletas que se prepararam para essa Copa de estarem muito mais habituados a essas pressões e expectativas altas, que quando você coloca a camisa da seleção brasileira te traz. Da mesma forma que você é um postulante ao título, ela pode te oprimir. Se eu for cobrar resultados deles de jogo - e claro que eu quero vencer -, é muito raso. O que eu tenho de cobrar é desempenho. O Marcelo da seleção tem que ser o Marcelo do Real Madrid. O Alisson tem que jogar como o Alisson da Roma. Trazer essa performance dos seus clubes. O Douglas Costa tem que ser o Douglas Costa da Juventus. O Paulinho, o do Barcelona.
E o Neymar?
O Neymar da seleção, o Neymar do PSG, porque ele trouxe uma movimentação que ele já fazia. Ele ampliou a área de atuação. E o Neymar, quando tiver necessidade, do Barcelona. Às vezes, jogar um pouquinho mais aberto, um contra um. Às vezes, numa zona mais criativa, dependendo da circunstância.
A Copa acontece um ano de eleições no Brasil. Como blindar das pressões ou da movimentação política no País?
Todo o aspecto social, de igualdade, de educação, de chega de impunidade, de prisão para corrupto, ele é muito maior que a seleção brasileira. Ele é muito maior que o futebol. Ele é histórico, de um País melhor, de um País mais educado. O futebol é da paixão. Tomara que o futebol da seleção seja de vencer sendo o melhor. Que ele passe uma mensagem ao público que nós queremos ser mais competentes. Não queremos ser mais malandro do que ninguém. Não queremos tirar vantagem, não queremos simular coisa. Inclusivo por existir a tecnologia. Não queremos. Queremos ser mais competentes. Ter o melhor drible, finalizar melhor e ser melhor. E se esse for o papel do futebol, junto com a alegria, que o faça. Mas os aspectos sociais, de educação, de punição a corrupto, eles transcendem e estão em uma dimensão maior.
Nesse aspecto, a crise política na CBF te atrapalha? Marco Polo Del Nero sendo citado em Nova York, Marin nessa situação, Ricardo Teixeira, o passado da CBF. Como você vive isso e como pode ser evitado para os jogadores?
Eu não tenho condições de fazer o julgamento, de julgar. O meu julgamento e minha situação é dos atletas, da seleção brasileira, do compromisso que eu assumi, de transparência. Eu venho aqui e coloco os critérios. Vocês estão abertos. Vocês já fizeram entrevistas comigo dentro da CBF. O que é o trabalho de sete horas? O que é que tu faz? Vamos traduzir isso para não ficar só no papo, para que quem está nos ouvindo saiba. O que é de democratização? Eu faço e quero fazer de meu trabalho meu exemplo.
Pode ser um exemplo para a direção da CBF?
R - Eu não tenho condição de fazer esse julgamento. Eu tenho condições de fazer julgamento da seleção. Isso me permite. Esse controle dessa variável eu tenho.
Vocês escolheram Sochi (como casa da seleção no Mundial). As distâncias na Copa podem afetar a seleção?
Não era uma variável que poderíamos controlar. O importante era ter um lugar bom e Sochi é considerado como a melhor base.
Pode haver uma mudança na sede?

Não, acho que não. Só se encontrarem um local espetacular. Mas acho que não.
O Tempo

Governo parcela 13º salário e vai usar IPVA para quitar o restante

O secretário de Estado de Governo, Odair Cunha, admitiu, em entrevista exclusiva a O TEMPO, que o pagamento do 13° salário dos servidores públicos do Estado não será pago integralmente neste ano. Ele disse que não sabe como nem quando será possível depositar a gratificação de Natal, mas afirmou que o governo se esforça para pagar pelo menos uma parte do valor ainda neste mês.
“O pagamento total não será até o fim de 2017. Nossa preocupação é garantir alguma forma de pagamento, e o governador Fernando Pimentel tem se empenhado na busca de alternativas”, diz Cunha.
Entretanto, o secretário ressaltou que o Estado conta com o valor que vai entrar no caixa, a partir de janeiro, com o pagamento do Imposto sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA).
“É importante também dizer que, no início do ano, teremos o ingresso de imposto adicional que, com certeza, arca com o custo financeiro do 13°”, explica.
O 13° do ano do ano passado foi pago em três parcelas. A primeira foi quitada no dia 22 de dezembro de 2016; a segunda, em 24 de janeiro; e a última, em 24 de março de 2017.
Entre as alternativas, o governo deposita maior esperança na aprovação do projeto de lei, em tramitação no Senado, que permite que os Estados vendam para instituições financeiras o direito sobre créditos parcelados que têm a receber. Nesta semana, Pimentel esteve em Brasília, onde se reuniu com o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), para pedir a colocação da pauta em votação.
No entanto, o projeto ainda deve ser votado no Senado e, depois, passar pela Câmara dos Deputados para que a venda dos créditos possa ser feita. Cunha acredita que, por ser uma pauta de interesse de todos os partidos, a votação deve acontecer ainda nos próximos 15 dias. “Há interesse de todos os governadores do Brasil, é uma agenda comum. Entendemos que não haverá problema”, afirma.
Cunha afirmou que, com essa lei em vigor, o governo poderá fazer o pagamento do 13° salário. Em razão do programa Novo Regularize – de regularização de créditos tributários –, o governo do Estado arrecadou R$ 896 milhões à vista, e R$ 3,4 bilhões serão pagos ao longo de 60 meses. Caso a lei seja aprovada, o governo passa a ter no cofre esse valor, o que é suficiente para pagar a folha do 13° salário, que corresponde a R$ 3,1 bilhões.

 

“Temos uma bomba-relógio”

O secretário de Governo, Odair Cunha, atribuiu como principais responsáveis pela situação financeira do Estado as gestões anteriores de Aécio Neves e Antonio Anastasia, ambos do PSDB. Segundo ele, o governador Fernando Pimentel controla uma “bomba-relógio” deixada pelos tucanos, que estiveram à frente do governo de Minas entre 2003 e 2014. O rombo deixado pelos ex-governadores, segundo Cunha, é de R$ 7 bilhões. “Além do déficit, os governos tucanos triplicaram o volume de recursos para a folha de pagamento. Em 2004, a quantia era cerca de R$ 9 bilhões, e em torno de R$ 30 bilhões quando eles deixaram o governo”, diz.
Segundo Cunha, para controlar a situação financeira, o governo tem buscado, a cada ano, recursos extraordinários para quitar essas despesas, especialmente aquelas com pessoal.
O secretário considera que os tucanos fizeram escolhas equivocadas quanto à distribuição de renda. “Apesar de eles terem triplicado a folha de pagamento, não pagaram o piso nacional para os professores e não pagaram o aumento real de valorização para os profissionais da segurança pública”, diz.
Cunha contou que, para “retardar os efeitos da bomba-relógio”, o governo tem buscado recursos adicionais. Ele lembrou que, em 2015, o governo recorreu aos depósitos judiciais e em 2016 conseguiu a suspensão do pagamento da dívida do Estado com a União. “Nós continuamos nessa trincheira, uma delas é a questão da Lei Kandir, outra é a securitização da dívida ativa, que também é uma forma de nós viabilizarmos o Estado”, conta.
Cunha também ressaltou que, para uma solução efetiva, é preciso que o país retome o crescimento. “Havendo um processo de retomada do crescimento, teremos condições de inverter essa lógica colocada nesse momento”, afirma.
Protesto
Agenda. O Sindpúblicos marcou para terça-feira uma manifestação na Praça da Assembleia, às 9h, para reivindicar pagamento do 13°salário, fim do escalonamento e reajuste salarial.
Frases
“O pagamento total (do 13°) não será até o fim de 2017. Nossa preocupação é garantir alguma forma de pagamento (neste ano).”
“É importante dizer que, no início do ano, teremos o ingresso de imposto adicional (IPVA) que, com certeza, arca com o custo do 13°”.
“Além do déficit, os governos tucanos triplicaram o volume de recursos para a folha de pagamento. Em 2004, a quantia era cerca de R$ 9 bilhões, e em torno de R$ 30 bilhões quando eles deixaram o governo.”
Odair Cunha
Secretário de Governo

 

Gestor nega que comitê será político

Nesta semana, o governo de Minas anunciou a criação do Comitê de Acompanhamento de Fluxo Financeiro, que passa a definir critérios “e determinar a liberação do fluxo financeiro relativo a todas as despesas da administração pública direta e indireta do Estado”, segundo o texto assinado por Fernando Pimentel (PT).
O novo comitê gerou dúvidas sobre os critérios que serão adotados para priorizar os pagamentos, uma vez que a Secretaria de Estado de Governo (Segov), que tem como principal função articulações políticas, possui metade das cadeiras. A comissão é composta pelo subsecretário do Tesouro Estadual, Paulo Duarte, pelo subsecretário de Planejamento, Orçamento e Qualidade do Gasto, Ricardo Martins, pelo secretário adjunto de Governo, Francisco Moreira, e pela assessora do governador, ligada também à Segov, Sandra Brandão.
O secretário de Governo, Odair Cunha, contou que não existe nenhum tipo de filtro de decisão política ou de interesse eleitoral que decidirá sobre os pagamentos.

“O centro da nossa preocupação tem a ver, nesse momento, com a administração direta e das despesas ordinárias do Estado, folha de pagamento, 13°, custeio da saúde, são preocupações presentes na comissão”, afirma.
O Tempo

Quando a emoção nos tira a razão

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Aluno agride professor com soco no rosto em sala de aula

Mais um caso de agressão em sala de aula aconteceu na Escola Estadual Antônio de Alcântara Machado, na zona Sul de São Paulo, nessa quarta-feira (29). O agressor, que deu um soco e um chute no professor de matemática, tem 20 anos e cursa o ensino médio no ensino de jovens e adultos (EJA).
As imagens que viralizaram nas redes sociais impressionam. Durante o vídeo, o aluno diz que o professor havia o chamado para a "porrada". O docente se defende dizendo que o estudante ameaçou dar uma "cadeirada" nele.
Após a discussão, o aluno se aproxima do professor que está sentado e o docente se levanta perguntando "o que que é". Depois, ele tira os óculos e leva um soco no rosto. Ferido, ele ainda leva um chute do jovem.
Logo após a agressão, alunos tentaram segurar o agressor, que arremessou uma cadeira em direção aos colegas de sala. O aluno que gravou as imagens divulgou o vídeo com uma legenda dizendo que o professor merecia apanhar porque ele "era folgado".

A Secretaria Estadual de Educação informou à imprensa que a direção da escola chamou os responsáveis do aluno e a Polícia Militar, que registrou a ocorrência. A Secretaria informou ainda que existe um estudo de vulnerabilidade das escolas para traçar estratégias a fim de que fatos "lamentáveis como esse não voltem a ocorrer". Foi aberta averiguação pela diretoria de ensino da região.
O Tempo