" VISITA DO CHICO À CADEIA PÚBLICA DE SP — 1978*
Conto
Em 1978, Chico decidiu visitar a Penitenciária de SP.
Propôs ao diretor da instituição levar uma palavra aos presos e fazer uma prece coletiva aos interessados.
O diretor abriu inscrições para o encontro.
542 presos preencheram o cadastro para conhecer Chico.
No dia e horário marcados, Chico falou e orou com sua voz suave. Abençoou o grupo reunido à sua frente.
Logo após os atos, chamou o anfitrião a um canto e pediu licença para ir além.
— Antes de me retirar, gostaria de cumprimentar a todos, um por um.
O diretor entrou em pânico, pois ali estavam presos muito perigosos, de comportamento imprevisível.
Porém, Chico fez questão, e o diretor, mesmo temendo pela segurança dele, aceitou.
Havia, entretanto, uma condição: Chico teria de ficar atrás de uma mesa, protegido pelos seguranças, e todos os cumprimentos deveriam ser breves.
Contudo, ele ficou à frente da mesa e, além de abraçar cada preso, passou a beijar as duas faces de cada um.
Entre beijos e abraços, dava tempo de o preso contar segredos e fazer desabafos.
O diretor estava muito apreensivo, porém tudo corria bem… até a chegada do último preso.
Era um senhor de uns 60 anos. Semblante carregado, face dolorida, muita tristeza.
Parou diante de Chico. Não estendeu a mão, não se aproximou.
Então, Chico aproximou-se dele e perguntou:
— Permite que eu o abrace?
— Perfeitamente. respondeu.
Após abraçar o corpo rígido do preso, Chico arriscou:
— O senhor permite que eu lhe beije as faces?
— Pode beijar.
Chico beijou duas vezes suas faces.
Lágrimas escorreram dos olhos daquele ser tão triste, tão endurecido pelas dores.
Antes de virar as costas, o preso, num gesto de bondade, ainda em lágrimas, disse:
— Muito obrigado.



DIDI (Benevides)
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