terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

 

Chico - Conto - " VISITA DO CHICO À CADEIA PÚBLICA DE SP — 1978*





VISITA DO CHICO À CADEIA PÚBLICA DE SP — 1978*


Conto

Em 1978, Chico decidiu visitar a Penitenciária de SP.

Propôs ao diretor da instituição levar uma palavra aos presos e fazer uma prece coletiva aos interessados.

O diretor abriu inscrições para o encontro.
542 presos preencheram o cadastro para conhecer Chico.

No dia e horário marcados, Chico falou e orou com sua voz suave. Abençoou o grupo reunido à sua frente.

Logo após os atos, chamou o anfitrião a um canto e pediu licença para ir além.

— Antes de me retirar, gostaria de cumprimentar a todos, um por um.

O diretor entrou em pânico, pois ali estavam presos muito perigosos, de comportamento imprevisível.

Porém, Chico fez questão, e o diretor, mesmo temendo pela segurança dele, aceitou.

Havia, entretanto, uma condição: Chico teria de ficar atrás de uma mesa, protegido pelos seguranças, e todos os cumprimentos deveriam ser breves.

Contudo, ele ficou à frente da mesa e, além de abraçar cada preso, passou a beijar as duas faces de cada um.

Entre beijos e abraços, dava tempo de o preso contar segredos e fazer desabafos.

O diretor estava muito apreensivo, porém tudo corria bem… até a chegada do último preso.

Era um senhor de uns 60 anos. Semblante carregado, face dolorida, muita tristeza.

Parou diante de Chico. Não estendeu a mão, não se aproximou.

Então, Chico aproximou-se dele e perguntou:

— Permite que eu o abrace?

— Perfeitamente. respondeu.

Após abraçar o corpo rígido do preso, Chico arriscou:

— O senhor permite que eu lhe beije as faces?

— Pode beijar.

Chico beijou duas vezes suas faces.

Lágrimas escorreram dos olhos daquele ser tão triste, tão endurecido pelas dores.

Antes de virar as costas, o preso, num gesto de bondade, ainda em lágrimas, disse:

— Muito obrigado.

🌹🕊️🙏

DIDI (Benevides)



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