quarta-feira, 22 de abril de 2026

O que o eleitor vai levar em conta para escolher seu presidente?

Por Guto Araújo*


Brasil, Curitiba - 22 de abril de 2026 - A eleição presidencial de 2026 ainda está em aberto e não apenas no sentido tradicional da disputa. Os dados mais recentes mostram um eleitor menos decidido, mais pressionado economicamente e cada vez mais pragmático nas suas escolhas.

A fotografia atual revela um cenário raro: muito voto disponível e pouca convicção consolidada a cinco meses do pleito. Segundo a pesquisa Meio/Ideia de abril, apenas 48,6% dos eleitores dizem estar com o voto decidido, enquanto 51,4% afirmam que ainda podem mudar sua escolha. Em outras palavras, mais da metade do eleitorado está em disputa real.

Os eleitores mais voláteis são os da direita. Enquanto apenas 26,6% dos eleitores de Lula admitem a possibilidade de mudar de ideia até outubro, esse índice chega a 69,4% entre os eleitores de Ronaldo Caiado, do PSD; e a 60,4% dos eleitores de Flávio Bolsonaro, do PL, principais candidatos de oposição ao petista. 

Esse dado, por si só, redefine a lógica da campanha. Não se trata apenas de mobilizar bases fiéis, mas de convencer um contingente significativo de eleitores voláteis, especialmente em um ambiente de forte polarização. 

Economia: o voto passa pelo bolso

Se existe um eixo estruturante para 2026, ele é econômico. A pesquisa mostra que 70,4% dos brasileiros sentiram aumento no custo de vida no último ano, enquanto 40% dizem estar mais endividados. E curiosamente, na pesquisa qualitativa da Quaest de abril, é revelado que o principal motivo de endividamento são as apostas em Bets, informação majoritária dos grupos masculinos.

Mais importante do que isso: quase 75% afirmam que custo de vida e endividamento terão peso relevante na decisão do voto, sendo 38% considerando esses temas “muito importantes”.

Esse é o tipo de dado que muda campanhas. O debate ideológico não desaparece, mas perde espaço para a experiência concreta na vida do eleitor. A inflação percebida, o preço do supermercado, a fatura do cartão e a capacidade de fechar o mês passam a ser critérios centrais.

Em resumo: 2026 tende a ser uma eleição menos sobre narrativa e mais sobre sensação econômica.

Além da economia, há outros temas estruturais no radar do eleitor. Para 42,5% dos entrevistados, a maior ameaça à democracia é a concentração de poder no Judiciário. Já questões como corrupção, polarização e desinformação também aparecem com força.

Temas sensíveis continuam presentes. A discussão sobre anistia, por exemplo, divide opiniões, com maioria contrária, mas uma parcela relevante favorável. Esses assuntos não necessariamente definem o voto sozinhos, mas ajudam a moldar percepções sobre liderança, autoridade e direção do país.

Para as campanhas, isso significa uma mudança estratégica relevante. Não basta reforçar identidade, será necessário apresentar soluções concretas, credibilidade econômica e capacidade de governar.

Como afirma Maurício Moura, fundador do Instituto Ideia, “ o placar de votos de Lula deve ser muito semelhante entre os dois turnos. O ‘mercado’ disponível de votos para o PT em eventual segundo turno será extremamente restrito”. 

Isso porque, historicamente, o dado mais assertivo na série das eleições presidenciais brasileiras é o “merece ou não continuar” e os números de abril mostram para o atual governo o índice de 53% para “não merece continuar” e 46% para “merece” continuar.

A eleição de 2026 não será decidida apenas por quem tem mais apoiadores, mas por quem melhor dialogar com um eleitor que, hoje, está com o voto em aberto e com o bolso pressionado. 

 

*Guto Araujo é publicitário e especialista em marketing político. Colaborou em 6 campanhas presidenciais no Brasil e América Latina e mais de trinta campanhas para governos estaduais e prefeituras. É vice-presidente de planejamento do CAMP e co-autor do livro “Marketing Político no Brasil”.

 

A pesquisa Meio/Ideia entrevistou 1.500 pessoas em todo o Brasil de 3 a 7 de abril de 2026. A margem de erro é de 2,5 pontos percentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-00605/2026. Segundo a empresa, o estudo custou R$ 27.600 e foi pago pelo Canal Meio.


 Kelli Kadanus

P+G Trendmakers
E-mail: kelli@pmaisg.com.br
Site: www.pmaisg.com.br








VP de Planejamento (Membro desde Abril de 2021)

Publicitário com especialização em estratégia de comunicação e marketing, growth hacking e artes visuais. Atua em marketing político e comunicação de governo desde 1998. Colaborou em 6 campanhas presidenciais no Brasil e América Latina, além de outras para governos estaduais e prefeituras para PP, MDB, PSDB, PT, DEM e Solidariedade.

Em comunicação de governo, realizou trabalhos para clientes como APEX, FIEA, Ministérios da Agricultura, Saúde, Educação e Justiça; Prefeituras de Curitiba e São Paulo; Governos de Minas Gerais, Maranhão, Paraná e Bahia. Coordenou em Angola (2014) o núcleo de campanha do primeiro Censo do país, produzindo cerca de 150 comerciais de TV.

Coordenou e dirigiu a campanha do PP à Prefeitura de Florianópolis (2016), do Solidariedade para prefeitura de Boa Vista (2020) e do MDB ao Governo do Amazonas (2022). Liderou a campanha suprapartidária da Frente Nacional de Policiais Federais para a FENAPEF (2018/2022). Foi Diretor de Produção e Conteúdo do Grupo Bandeirantes de Comunicação e atualmente dirige a Seed Marketing e Estratégia. É Secretário Geral do CAMP e co-autor do livro Marketing Político no Brasil.


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