sábado, 10 de outubro de 2026

Relato de caso detalha diagnóstico por imagem, planejamento anestésico e escolha da técnica de osteossíntese em uma ave de 249 gramas


Uma fêmea de papagaio da espécie Amazona aestiva, com 6 anos e 249 g, chegou ao Hospital Veterinário Universitário da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) com a asa esquerda visivelmente caída e uma ferida profunda na lateral do corpo. Segundo o tutor, a ave havia caído de uma árvore após interagir com outro animal, não identificado.


De acordo com uma investigação compartilhada pela revista Qualis A Open Minds (propriedade do CPAH, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, sob gestão técnica da Editora Atena), o relato de caso, aceito em 31 de agosto de 2026 e publicado no volume 2, número 16, foi assinado por Júlia Mendes Costa, Rebeca Carvalho Brito, Ana Caroline Calixto Campin, Joseane Nascimento Carvalho, Tainá Santos Launé, Ana Katharina Sales Mendonça, Gleyce Rose da Conceição Oliveira, Luanda Camilo Portela, Hyassudara Giovanna da Costa Rodrigues, Suellma Taveira Sampaio, Diego Marques Costa Silva e José Ribamar da Silva Júnior, vinculados ao Departamento de Medicina Veterinária e ao Hospital Veterinário Universitário da UEMA. José Ribamar da Silva Júnior é professor do Departamento das Clínicas Veterinárias do CCA.

O que os exames mostraram?

Radiografias em duas projeções, laterolateral direita e ventrodorsal, confirmaram fratura no terço médio do úmero esquerdo, com bordas em bisel e acentuado desvio do eixo ósseo. Havia aumento de volume nos tecidos moles ao redor, sugerindo inflamação. A silhueta do coração e do fígado, os campos pulmonares e os sacos aéreos estavam preservados.

Como a ave foi tratada?

Primeiro veio a estabilização: analgesia, limpeza da ferida, imobilização provisória do membro e internação para monitoramento. Depois, sob anestesia geral, com contenção química seguida de anestesia inalatória e intubação, a equipe fez a osteossíntese.

* tricotomia, remoção das penas e incisão para alinhar os fragmentos;

* colocação de um pino intramedular no úmero esquerdo;

* fixação complementar com filamento de ácido polilático (PLA);

* cirurgia classificada como limpa e contaminada, sem remoção de tecido nem drenos, com antibioticoterapia profilática;

* imobilização e proteção do local com bandagem.

Por que o úmero é um osso tão exigente?

Os autores explicam que a musculatura peitoral exerce tração sobre o osso e pode dificultar a manutenção do alinhamento durante a cirurgia. Há ainda uma particularidade anatômica: o úmero das aves tem um forame pneumático ligado ao saco aéreo clavicular, e fraturas contaminadas podem favorecer complicações como aerossaculite e pneumonia. Por isso, o fato de os pulmões e os sacos aéreos estarem preservados antes da operação foi considerado um achado favorável.


O objetivo, destacam, vai além de unir os fragmentos: é restabelecer a anatomia e a função da asa, essencial para o voo.

Quão comuns são essas fraturas?

* Estudos retrospectivos citados indicam que fraturas respondem por 42,4% a 88,9% dos casos cirúrgicos em aves.

* Em uma pesquisa com 102 aves silvestres, 38 tiveram fraturas, e 9,8% delas eram no úmero. Ulna e rádio somaram 33,3% e 27,5%.

* Em uma série de cirurgias em aves de companhia, o gênero Amazona respondeu por 84,21% dos casos, e a *Amazona aestiva*, por 36,84%.

O que o caso ensina, e o que não mostra?

Para a equipe, o caso reforça a importância do diagnóstico por imagem, do planejamento anestésico individualizado e da escolha criteriosa da técnica, adaptando o que se sabe de mamíferos às particularidades das aves. O relato, porém, é de um único animal e não detalha o desfecho de longo prazo, o que limita conclusões mais amplas.


O papagaio verdadeiro é popular como animal de estimação pela inteligência e pela capacidade de imitar a fala humana, mas o estudo lembra que a espécie ainda enfrenta ameaças ligadas à captura ilegal e ao tráfico.


Este texto é informativo e baseado em estudo científico publicado. Não substitui consulta, diagnóstico ou tratamento com um médico veterinário. Se um animal se machucar, procure avaliação profissional.


A Open Minds é propriedade intelectual e científica do CPAH. A Editora Atena atua como gestora técnica, administradora do ISSN e parceira comercial mediante royalties, mas não é dona do periódico.

Fonte: Open Minds International Journal, vol. 2, n. 16, 2026, artigo 8. DOI https://doi.org/10.22533/at.ed.51572162617088


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Erre Soares
MF Press Global
Tel 028 9 9969 2810


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