sexta-feira, 5 de maio de 2017

Os 100 anos de uma rainha chamada Dalva de Oliveira

“Um dia as pessoas vão descobrir que Dalva de Oliveira é a nossa Billie Holiday”. A frase dita por Elis Regina na década de 1970 talvez não comova tanto as gerações atuais, cuja referência mais próxima da intérprete de “Bandeira Branca”, “Ave Maria Do Morro” e “Errei, Sim”, é a atuação de Adriana Esteves na minissérie “Dalva & Herivelto – Uma Canção De Amor”, transmitida pela Globo em 2010. Bernardo Martins, 36, neto da artista – ele é filho do também cantor Pery Ribeiro (1937 - 2012) – está disposto a mudar essa história e conta com bons argumentos a seu favor. Para o documentário que ele realiza em comemoração ao centenário da cantora, com previsão de lançamento para o mês de outubro – Dalva nasceu num dia 5 de maio, há um século – o cineasta entrevistou desde nomes consagrados da cultura nacional até um garoto de 13 anos, morador da periferia carioca e fã absoluto da estrela do filme. “É um menino chamado Júnior Viana, que descobriu a obra da minha avó quando tinha 7 anos e não quis mais saber de outra coisa. Mandamos um táxi percorrer uma distância enorme só para ele participar das filmagens, tamanha a importância desse depoimento. Ele nos confidencia que não gosta de música moderna, só quer ouvir Dalva de Oliveira”, informa Martins.

Na visão do diretor, o fato “comprova a força da música feita com verdade”. “Uma das coisas mais tocantes que entendi no decorrer de todo esse processo de mergulho e transformação é que, para a minha avó, não existia separação entre a artista e a pessoa que ela era no dia a dia. Havia uma entrega total ao ofício, e me identifiquei muito, percebi melhor quem eu sou, de onde eu vim, porque me comporto de certas maneiras, foi tudo muito bonito e libertador. Chorei várias vezes durante as filmagens”, confessa. Martins afirma que a emoção vinha das histórias que as pessoas contavam. “Algumas, inclusive, conviveram muito pouco com ela, mas ainda assim foram tocadas por sua música e a maneira de transmitir os sentimentos”, constata.

Entrevistados. Dos nomes de maior vulto com quem o cineasta conversou, destacam-se Ney Matogrosso, Alcione, Paulo Ricardo, Adriana Esteves, Lucinha Araújo (mãe de Cazuza, admirador confesso da homenageada), Ricardo Cravo Albin, Rodrigo Faour e Maria Bethânia, para quem Dalva sempre serviu como referência, tanto que Bethânia regravou vários clássicos do repertório da artista ao longo da carreira. Ela ainda declarou, na mesma década de 1970, quando Dalva amargava o ostracismo, que ela era “o único mito de enlouquecer que existiu no Brasil, intocável”.
Outro entrevistado de peso que comparece é o cantor Léo Jaime. Segundo Martins, o fato de Léo ser muito articulado contribuiu para que o documentário captasse outras camadas da vida de sua avó. “Ele nos mostrou um lado da Dalva que é muito pouco valorizado; muitas pessoas têm a ideia de que ela foi uma mulher submissa o tempo todo, e isso não corresponde a toda a verdade. Claro que ela teve esses momentos, mas foi também uma mulher corajosa, que quebrou tabus, foi desquitada numa época em que isso ainda era um absurdo, se casou com homens muito mais jovens. Além de questões mais delicadas, como o fato de ela ter sido ‘criada’ artisticamente por meu avô, Herivelto Martins, com quem ela viveu um casamento muito atribulado, e, em termos de reconhecimento de crítica e público, tê-lo superado – ou seja, a ‘criatura’ que passa o ‘criador’. Tudo isso quem trouxe foi o Léo Jaime”, elogia.
Embora não tenha feito objeções a nenhum assunto sobre o qual os entrevistados quisessem falar, Bernardo Martins admite que procurou “manter o foco sobre Dalva”: “Ela é a protagonista, não queria que o foco ficasse só sobre a relação dela com o Herivelto. Essa foi uma fase da vida dela, marcante, importante, mas não foi a única, ela passou por muitas coisas além disso”.
Formato. Martins também procurou inovar no formato, que ele define como “documentário não ortodoxo”. “Além de entrevistas e imagens de arquivo, eu vou participar recitando um monólogo poético dentro de um teatro vazio”, revela.


REFERÊNCIA

Inspiração para todas as gerações

Dalva de Oliveira transmitiu seu legado tanto para suas contemporâneas quanto para as que vieram depois dela
Els Regina, Maria Bethânia, Wanderléa, Marisa Monte, Linda Batista, Leny Andrade, Célia e Dóris Monteiro a colocam no rol de suas referências, inclusive as que apresentam estilo que se distingue da interpretação derramada e entregue de Dalva de Oliveira. “Eu não me parecia nada com a Dalva, minha voz era pequena e suave. Mas escutava ela cantando no rádio e me formei por meio daquele repertório bonito, romântico, de extremo bom gosto”, relembra a cantora Dóris Monteiro, 82, que aos 13 cantou para uma plateia restrita, formada só pela mãe e a vizinha, a música “Caminhemos”, sucesso de Dalva na época, composta por Herivelto Martins. “Cantei do meu jeito, e dali minha mãe me levou escondida para o programa ‘Papel Carbono’, da rádio Nacional, já que meu pai era contra”, confessa.
Já a cantora Claudette Soares, 79, a enfileira junto a outros nomes que marcaram seu início de carreira. “Quando via Dalva de Oliveira, Elizeth Cardoso, Maysa e Nora Ney no auditório da rádio Nacional, eu ficava enlouquecida e dizia pra minha mãe: ‘eu quero ser isso’”, rememora. Claudette diz, sem modéstia, que essa “imediata identificação veio pela beleza e elegância daquela música verdadeira”. “O que eu faço é cantar os sentimentos com sentimento, e isso aprendi, muito bem, com minhas divas”, relata.
Legado. Além de um festival com seu nome na cidade em que nasceu, Rio Claro, no interior de São Paulo, Dalva de Oliveira vai ganhar, com a comemoração de seu centenário, uma biografia por Paulo Henrique de Lima, historiador baiano com residência fixada em Congonhas (MG). O trabalho de pesquisa realizado por Lima, inclusive, serviu como base para o documentário dirigido pelo neto da artista, Bernardo Martins.
Apesar de tais iniciativas, Martins não acredita que Dalva tenha “o reconhecimento devido”. “Ela é muito mal aproveitada no Brasil, mas esse não é um ‘privilégio’ dela, infelizmente tratamos muito mal nossa cultura. Ela tem canções belíssimas, que poderiam ser utilizadas em um contexto moderno, em trilhas de filmes, novelas, várias manifestações culturais, se houvesse sensibilidade por parte das pessoas que determinam o andamento desses produtos”, avalia.
Martins conta que até hoje encontra pessoas que se sentem “emocionadas ao saber de nosso parentesco”. “As pessoas tocam em mim como se estivessem tocando nela, tenho a impressão que para elas é a maneira mais próxima de se aproximar da Dalva”, diz. Ele começou a pensar em homenagear sua avó quando colheu depoimentos de amigos para o aniversário do pai, o também cantor Pery Ribeiro, há oito anos. “Percebi que todas as pessoas falavam da Dalva e tinham muitas coisas para dizer, coisas essenciais, com substância. Meu pai era completamente apaixonado por minha avó. A grande tristeza desse filme, infelizmente, é a ausência de meu pai”, lamenta.
Pery faleceu em 2012, aos 74 anos, vítima de um infarto. “Meu pai nunca conseguiu ouvir gravações da Dalva depois que ela morreu, e eu não entendia na época. Agora eu entendo, também não consigo ouvi-lo”, diz.


TRAJETÓRIA


1936 - Forma o Trio de Ouro com Herivelto Martins e Nilo Chagas
1938 - Grava com Francisco Alves o samba “Brasil” e a “Valsa da Despedida”
1942 - Lança os sucessos “Praça Onze” e “Ave Maria do Morro”
1945 -  Com Carlos Galhardo grava a versão brasileira feita por Braguinha para o infantil “Branca de Neve”
1951 - Após deixar o Trio de Ouro é eleita Rainha do Rádio e enfileira sucessos
1952 - Já em carreira solo destaca-se com a gravação do baião “Kalu”
1970 - Lança “Bandeira Branca”, o último sucesso
O Tempo

Prefeitura vai recolher e castrar gatos do Parque Municipal

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente quer retirar, castrar e encaminhar para a adoção cerca de 300 gatos que ocupam o Parque Municipal de Belo Horizonte até o fim deste ano. A justificativa para a medida é que os felinos estão alimentando-se dos pássaros do parque, provocando desequilíbrio ambiental e contribuindo para a proliferação de insetos, inclusive cupins, que podem provocar queda de árvores. Além disso, há receio de que os bichos ataquem visitantes e causem doenças.

De acordo com parecer técnico da Fundação Municipal de Parques, a presença dos gatos causou impactos relevantes sobre a fauna silvestre ao aumentar a população de insetos. A situação comprometeu a flora e levou ao corte de centenas de espécimes vegetais no interior da reserva, após a morte de uma mulher que foi atingida por um jatobá infestado de cupim, em 2011. Os impactos são atestados por informação técnica do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que diz que a população felina leva à extinção de várias espécies de aves, mamíferos e répteis silvestres.

Além disso, há risco para a saúde pública por meio da esporotricose – micose que tem tido grande ocorrência em gatos –, e de ataques a humanos. “Nosso grande problema dentro do parque hoje é a gente não conhecer todos os gatos e a ferocidade deles. Se uma criança vai ao parque e chega perto de um animal desses, que são muito mais ferozes que um gato doméstico, pode acontecer algum mal, e a responsabilidade é nossa”, disse o secretário municipal de Meio Ambiente, Mário Werneck.

Como será. A retirada dos felinos do parque envolve, primeiramente, a identificação correta do número de animais, que será feita por meio de um cronograma de alimentação para atrair os bichos, a ser iniciado em até dois meses. A segunda etapa consiste em encontrar pessoas dispostas a ceder suas casas como lares temporários aos animais, enquanto eles são preparados para a castração e, depois, enquanto se recuperam. “Estamos contando com a participação do cidadão”, disse o Coordenador de Defesa dos animais da secretaria, Jean Claude.

A partir de julho, os animais serão castrados pelo Centro de Controle de Zoonoses, receberão um microchip – uma espécie de identidade – e voltarão para os lares temporários. A ideia é que esses lares se transformem em definitivos ou os animais sejam colocados para adoção. O trabalho vai continuar com fiscalização, feita pela Guarda Municipal, fiscais da PBH e estagiários do programa de monitores da secretaria. Placas e faixas exibirão leis que são violadas quando se abandona um animal. Segundo Jean Claude, o projeto será feito com recursos do município – valores não foram informados.
Doação. As pessoas que querem oferecer suas casas como lares temporários para os gatos devem enviar e-mail para defesadosanimais@pbh.gov.br, com o assunto “Gato no Parque”.


SAIBA MAIS

Castração. A castração dos gatos do parque já é feita semanalmente pela prefeitura, mas, como novos animais são abandonados com frequência, o processo não alcança os resultados desejados.

Maus-tratos. Segundo Jean Claude, moradores de rua que ocupam o parque e pessoas de fora muitas vezes maltratam e até matam os animais.

Lei. Praticar abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais tem pena de detenção de três meses a um ano e multa.
Para ONG, abandono e adoção são desafios
A ideia da Secretaria Municipal de Meio Ambiente de Belo Horizonte de conseguir famílias que adotem os gatos é considerada um grande desafio por Marisa Catelli, diretora da Organização Não Governamental (ONG) Cão Viver, uma das maiores da capital. Ela apoia a iniciativa, mas afirma que o abandono de animais tem aumentado e que as adoções têm caído de forma significativa na capital.
“Precisamos encontrar uma forma de conscientização e, principalmente, de punição para o abandono, senão o problema não será resolvido”, afirmou.

A Cão Viver cuida de mais de 200 bichos. A estimativa é que cada animal tenha um custo médio mensal entre R$ 150 e R$ 250. Segundo a diretora da entidade, mesmo lotada, a ONG recebe cerca de 50 pedidos de abrigo mensais. Entretanto, por mês, apenas uma média de 35 animais encontram um lar.

Segundo o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), em 2016 foram resgatados 2.326 cães e 762 gatos pela Prefeitura de Belo Horizonte. Porém, somente 675 animais foram adotados. Em fevereiro, O TEMPO noticiou que a crise financeira fez o abandono de animais aumentar cerca de 30% na capital.
“Gatos são pragas em áreas ambientais”, diz especialista

Por mais dóceis que possam parecer, os gatos são, de fato, apontados como predadores vorazes pelo professor de biologia geral da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Flávio Rodrigues. Segundo ele, a presença dos felinos em espaços ambientais pode causar a extinção de espécies de aves. “Gatos são pragas em áreas ambientais e devem ser retirados”, afirmou Rodrigues.

Para o professor, entretanto, o Parque Municipal não deve ser considerado uma área ambiental em extremo risco por causa dos felinos. “Eu não sei quanto de natural ainda tem em um espaço no meio de uma das maiores avenidas de Belo Horizonte. Concordo com o manejo deles, mas é necessário entender que o parque é um ambiente muito afetado. Não dá para dizer que é um ambiente totalmente natural”, explicou.
O Tempo

quinta-feira, 4 de maio de 2017

Fungo descoberto em queijo de Minas deve impulsionar venda do produto

A descoberta de um novo fungo em fazendas de produção de queijo da região do Serro, em Minas Gerais, pode mudar a gastronomia do Estado.  O fungo geotricum candidun é responsável pela produção de queijos franceses como o Camembert, famosos por seus sabores diferenciados. 
Os produtores locais querem aproveitar a novidade para impulsionar a produção de novos produtos e a venda de queijos, principalmente os maturados - quando o queijo passa um tempo amadurecendo. A Universidade Federal de Lavras (UFLA) realizou pesquisas com o fungo e concluiu que ele não apresentava riscos à saúde.
A produção do fungo começou na fazenda de Túlio Madureira, vice-presidente da Associação de Produtores de Queijo Artesanal do Serro. “O processo de maturação de queijos estava parada há muito tempo e a há cerca de 4 anos resolvemos retomá-lo. Com o tempo começamos a notar o aparecimento de fungos muito parecidos com os que estão nos queijos franceses e então chamamos pesquisadores da UFLA, que constaram ser o mesmo fungo”, contou Madureira.
Segundo ele, é um fungo natural que se desenvolveu do próprio queijo. “Nós somos os primeiros a isolar fungos no Brasil. Será um produto especificamente nosso e com qualidades únicas, já que temos uma raça de gado específica e que dá essa qualidade ao leite e consequentemente ao queijo”, explicou Madureira.
O professor do Departamento de Ciência dos Alimentos da UFLA, Luis Roberto Batista, que coordenou a pesquisa com o fungo explicou que foram realizados estudos e ficou constatado que ele não apresenta riscos à saúde. “Nós identificamos que são fungos e micro-organismos comuns a ambientes internos, também fizemos uma avaliação da qualidade microbiológica do ar e das prateleiras onde os queijos são maturados”, esclarece Batista.
O coordenador da pesquisa explicou ainda que os estudos começaram em fazendas da região do Serro, mas devem se expandir também para as regiões da Serra da Canastra e também da região Centro-Oeste do Estado. São cerca de 800 fazendas realizando a maturação de queijos nessas regiões. “Cada região vai produzir um tipo de queijo dependendo das raças dos animais”, conclui o professor.
Agora os produtores vão precisar regularizar o produto junto ao Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). O órgão vai avaliar a qualidade sanitária do produto e será preciso ainda tipificar o produto, já que os queijos de Minas não costumam ter fungos.
Novidade deve impulsionar mercado
A expectativa dos produtores é que o fungo eleve a qualidade dos queijos, que ficam mais homogêneos e uniformes. “Além disso a partir desse fungo será possível criar uma variedade de produtos, dos mais simples aos mais sofisticados”, afirma Madureira.
Ainda de acordo com o produtor, são necessários 45 dias para maturar o queijo. “Esse produto pode atender uma parcela da população que gosta de degustar um queijo de qualidade com um bom vinho. Além disso, pode ajudar economicamente já que podemos economizar com a importação de queijos do exterior, por exemplo o Francês e ainda valorizamos os queijos de Minas”, considera Madureira.
Bom para o consumidor 
O especialista em queijos Eduardo Girão afirma que a novidade é mais uma etapa do processo de transformação do queijo Minas. “Cada vez mais produtores estão aderindo a maturação de queijos o que é muito positivo por que ganhamos queijos mais complexos com sabor e textura diferenciado. O mofo e os fungos entram nesse processo e como podemos  ter vários tipos de maturação também ganhamos uma variedade de sabores”, explica.

Assim como houve uma expansão das cervejas artesanais em Minas nos últimos anos, a previsão é que os queijos também passem pelo mesmo processo e  movimentando a gastronomia mineira. “De uns dois anos para cá, está sendo desenhado um bom quadro nesse sentido. Na região do Serro vemos um produtor incentivando o outro na maturação e, além deles, os consumidores saem ganhando com qualidade e sabores diferenciados”, conclui o especialista.
O Tempo

Ex-ministra de Dilma terá que indenizar Alexandre frota por criticá-lo

A ex-ministra Eleonora Menicucci (da Secretaria de Política para as Mulheres do governo Dilma Rousseff) foi condenada a pagar R$ 10 mil de indenização por danos morais a Alexandre Frota, segundo reportagem do site "G1". Eleonora criticou o ator, que em maio de 2016, visitou o ministro da Educação, Mendonça Filho, logo após ter assumido em um programa de TV ter estuprado uma mulher.
Para magistrada, o direito de crítica da ex-ministra seria justo caso estivesse relacionado à educação, o que motivou a visita do ator ao ministro. A decisão, porém, cabe recurso.
Na ocasião, a ex-ministra disse que Frota “não só assume ter estuprado, mas faz apologia ao estupro”. Em um programa de TV aberta, o ator relata o estupro de uma mãe de santo. Aos risos, ele contou ao apresentador Rafinha Bastos que ela “apagou” com a força que ele segurou sua nuca.

Ainda segundo o G1, no entendimento da juíza Juliana Nobre Correia, já que o encontro com o ministro “contou com um tema específico” – educação – a crítica de Eleonora só poderia ser relacionada a este tema. “O direito de crítica da requerida [Eleonora] deveria ser direcionado ao projeto relativo à educação – motivo da visita, mas houve derivação para a pessoa do autor”, diz o texto da decisão.
O Tempo

Em Londres na Porta do Palácio de Buckingham


Londres é puro charme, cheia de história, museus, realeza, riquezas, palácios maravilhosos, Big Ben, etc




 "Palácio de Buckingham"
"Em frente ao Palácio de Buckingham.

Príncipe Philip se aposenta dos compromissos públicos

O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II da Inglaterra, que completará 96 anos em junho, abandonará os compromissos públicos no outono (hemisfério Norte, primavera no Brasil), anunciou nesta quinta-feira (4) o Palácio de Buckingham.
"Sua Alteza Real o Duque de Edimburgo decidiu que não comparecerá a compromissos públicos a partir do outono deste ano", afirma um comunicado, segundo o qual Philip recebeu "todo o apoio da rainha" ao tomar sua decisão.
"O príncipe Philip atenderá os compromissos previamente estabelecidos entre agora e agosto, tanto individualmente como acompanhando a rainha. Depois, o Duque não aceitará novos convites, mas poderia optar por participar em certos eventos públicos de vez em quando".
Ao mesmo tempo, "Sua Majestade continuará cumprindo um programa completo de compromissos oficiais com o apoio de membros da Família Real", conclui o comunicado.
Philip de Edimburgo e Elizabeth II se casaram em 20 de novembro de 1947, data que completará 70 anos em 2017. O matrimônio aconteceu cinco anos antes da ascensão ao trono da rainha.
"É minha rocha. Tem sido minha força e meu apoio", afirmou em 2011 a rainha, pouco inclinada a demonstrações de carinho em público.
Tataraneto da rainha Victoria como a própria Elizabeth, e de ascendência alemã, o duque nasceu em 10 de junho de 1921 na ilha grega de Corfu, como príncipe da Grécia e da Dinamarca, quinto filho e único homem da princesa Alice de Battenberg e do príncipe Andrew da Grécia.
"Acredito que cumpri com a minha parte", declarou em uma entrevista à BBC em 2011, quando completou 90 anos e anunciou que deixaria de ser o patrono de algumas fundações.

Atualmente, permanece vinculado a 780 fundações, de acordo com o comunicado do Palácio de Buckingham.
O Tempo

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Estudo identifica excesso de bactérias em hospitais

O TEMPO

SAÚDE EM RISCO

Resultado surpreendeu pesquisadores, que usaram tecnologia inovadora

PUBLICADO EM 03/05/17 - 03h00





SÃO PAULO. Botões de elevador, teclas de caixas eletrônicos, relógio de ponto biométrico. Locais aparentemente inofensivos, se comparados a salas de isolamento, laboratórios e contêineres de lixo infectado, são, na verdade, porto seguro para uma miríade de micro-organismos que causam as temidas infecções hospitalares.

Foi utilizando uma tecnologia chamada “sequenciamento de nova geração” que uma equipe do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMT), da USP, conseguiu identificar uma quantidade surpreendente de bactérias em superfícies frequentemente tocadas com as mãos dentro do Hospital das Clínicas (HC), maior complexo hospitalar da América Latina, ligado à Faculdade de Medicina (FM) da USP.

Métodos modernos de biologia molecular, com equipamentos que conseguem ler rapidamente milhões de fragmentos de DNA ao mesmo tempo, permitem análises antes impossíveis de serem feitas.

Assim, o grupo liderado pelo pesquisador Sabri Sanabani coletou amostras que resultaram na identificação de 926 famílias de 2.832 gêneros de bactérias. Algumas delas, como a Salmonella enterica e a Staphylococcus aureus, podem representar um risco, inclusive, para pessoas saudáveis, como os familiares e servidores, “mas são especialmente perigosas para os pacientes imunocomprometidos, como aqueles com câncer submetidos a quimioterapia, e transplantados e pacientes que são HIV positivo”, ressalta.

Segundo Sanabani, pela própria metodologia utilizada, sabia-se de antemão que o resultado seria um número grande de bactérias, já que o foco eram superfícies de contato de áreas de grande circulação. “No entanto, a enorme diversidade de população bacteriana foi uma verdadeira surpresa para nós”, afirma.

Os resultados do estudo, publicados no “International Journal of Environmental Research and Public Health”, foram encaminhados ao Hospital das Clínicas, e a equipe já se colocou à disposição para fazer as análises novamente para avaliar melhoras na higiene.

Saúde pública. O pesquisador explica que é impossível haver um hospital livre de germes, mas aponta caminhos, como campanhas educativas que alertem sobre higiene. Ele sugere, por exemplo, uma voz automatizada nos principais ambientes do hospital, como corredores, salas de espera e pronto-atendimento, que chame a atenção para a importância da higiene das mãos.

Outra medida básica apontada pelo especialista é a limpeza. “A limpeza completa e eficiente remove mais de 90% dos micro-organismos. Ela tem que ser realizada de uma forma padronizada ou, se possível, por meios automatizados para garantir um nível adequado de higienização”.

Segundo Sanabani, um ponto fundamental é que exista ampla oferta de pias com sabão líquido e papel-toalha, bem como álcool antisséptico.
Estatísticas
De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), infecções hospitalares atingem cerca de 14% dos pacientes.

Apenas no Brasil, o problema é responsável por mais de 100 mil mortes todos os anos.

Embora possa ocorrer em qualquer paciente, idosos, pessoas com problemas neurológicos e com imunidade reduzida são mais propensos.


Higienização ou até mesmo reforma

A pesquisa chama a atenção para a necessidade de compreender melhor as comunidades de bactérias nos hospitais e de investigar como esses agentes são transmitidos de lugar para lugar e de pessoa para pessoa. “É extremamente importante ter um estudo como esse realizado pelo nosso grupo, para podermos avaliar o estado atual dos ambientes hospitalares e identificar as áreas que se beneficiariam mais com uma higienização completa ou, em casos específicos, uma reforma”.

A pesquisa sobre contaminação em ambiente hospitalar foi pontual, já que a investigação é mais ampla e quer explorar toda população bacteriana que possa representar perigo para a saúde pública. “E estamos planejando iniciar um estudo para investigar o microbioma no sistema de ar-condicionado nas diferentes linhas de metrô”, adianta Sabri Sanabani.
O Tempo