quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Calúnia


Amadeu Roberto Garrido de Paula


Se lhe atribuiram falsamente a prática de um crime, o pior modo de tripudiar sobre a honra alheia, tome suas providências judiciais; até porque, diversamente da injúria e da difamação, o que poderia ser considerado ato de indiferença nobre, pode ser havido como silêncio concordante e produzir consequências espúrias.

Mas, independentemente disso, sobretudo se a calúnia é a resposta ao bem, é hora de comparar caráteres. Constata-se que a torpeza é ingrediente de certas personalidades, movidas pela inveja, torpeza, futilidade ou simples desejo de desconstrução do alheio como meio compensatório da própria esqualidez moral e necessidade de compensação.

O indignado dorme, ainda que a sobressaltos. O caluniador sonha com seu mal, acorda, tem náuseas, atribula-se de diversos modos e por muitos anos, sem identificar a origem de seu mal. É o inconsciente detratante que veio à luz e a racionalidade incapaz de contê-lo em sua caverna mal cheirosa.

O caluniador sofre mais, ainda que imperceptivelmente, que o caluniado. Assim como o perdão faz mais bem a quem perdoa do que ao perdoado. Portanto, se o direito não o impedir, perdõe. É a mais honrosa benção que podemos receber das alturas, é o melhor presente que podemos dar a alguém e, ainda, sem que ninguém o saiba, porque o que se dá com uma mão a outra não deve ver.

Essas observações parecem vir na contramão num momento de muitos crimes praticados contra o pobre povo brasileiro. Não estamos, porém, a propor que a sociedade, por seus juízes, perdoe aos que cometeram crimes e lhes retiraram o pão da boca e a amenização dos sofrimentos de saúde. Não há nenhuma relação e, se houver, consiste em desfrutarmos de um futuro bem mais ameno do que esses malfeitores, independentemente dos Moros, que simplesmente cumprem suas funções.

Não há quem deixará de considerá-las metafísicas. Só há o real e o concreto. O idealismo de Kant, de Hegel e de tantos outros não terão contribuído à construção de um mundo mais ético?

Com todo respeito às ideias materialistas, devemos lembrar que, por exemplo, o materialismo de Marx não foi o materialismo grosseiro, mas a história do espírito de Hegel às avessas. Quem não se sente bem ao perceber o imaterial, o incomum, a caminhar para o reino dos deuses, destino de boa parte da humanidade, ao contrário de outra, que caminhará em sentido contrário?

 Portanto, dê a seu caluniador um presente que só amaciará  mais seu coração generoso. O perdoado sofrerá enquanto viver e, esperemos que não, na eternidade.

Amadeu Roberto Garrido de Paula é advogado, sócio do Escritório Garrido de Paula Advogados.


Esse texto está livre para publicação.

Drama de cidadãos de Conceição é exposto na ONU

Poluição de cursos d’água, comunidades amedrontadas por estarem próximas a uma barragem de rejeitos, falta de diálogo com moradores, pessoas sofrendo ameaças e sob proteção do Programa Estadual de Direitos Humanos: os impactos sociais e ambientais do complexo Minas-Rio, da mineradora Anglo American, em Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas Gerais, foram debatidos nesta quarta-feira (27) na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça.
Foram apresentadas também as consequências do projeto ao longo dos 525 km do mineroduto, que é o maior do mundo e passa por 33 cidades. “Nós estamos aqui porque entendemos que todas as formas de violência que sofremos já não são suportáveis, e já foram esgotadas as possibilidades de se resolver isso localmente”, disse Patrícia Generoso, moradora de Conceição e membro da Rede de Articulação e Justiça Ambiental dos Atingidos do Projeto Minas-Rio (Reaja). Ela lembrou que cinco pessoas estão sob proteção do Programa Estadual de Direitos Humanos por serem contrárias à expansão do projeto.
As exposições aconteceram durante o evento Expansão da Mineração sobre Territórios, População e Bem Comum no Brasil: O Exemplo de Conceição do Mato Dentro, promovido pela ONG Franciscans International. O painel foi realizado em paralelo à reunião do Alto Comissariado de Direitos Humanos da entidade. A ONG já entregou à ONU uma denúncia sobre violações de direitos humanos no empreendimento. Os impactos relatados têm sido mostrados por O TEMPO desde 2014, quando o complexo ainda estava em construção.

Resposta. Em nota, a Anglo American disse que seu “compromisso com os direitos humanos é sólido e está embasado em políticas e exigências globais”. A mineradora afirmou que não tem ligação com as ameaças sofridas por moradores e disse que “isso deve ser apurado pelas autoridades”. A empresa também afirmou que tem uma “rotina robusta” de encontros com a comunidade e citou que seu presidente, Ruben Fernandes, visitou as comunidades afetadas pelo empreendimento para dialogar com moradores.
O Tempo

Natal vai gerar mais de 73 mil contratações

O TEMPO

EMPREGO TEMPORÁRIO

PUBLICADO EM 28/09/17 - 03h00


Rio de Janeiro. As vendas do Natal deste ano devem movimentar R$ 34,3 bilhões no comércio varejista, um avanço de 4,3% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo cálculos da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Para atender à demanda maior, os varejistas devem recrutar 73,1 mil trabalhadores temporários, um crescimento de 10% em relação aos 66,7 mil postos criados no ano passado. As contratações já estão começando. “Antes da crise, mais de 20% das vagas começavam a ser preenchidas em setembro e outubro. Nos dois últimos anos, esse percentual não passou dos 15%”, afirma Fabio Bentes, chefe da Divisão Econômica da CNC, em nota oficial.
A maior parte dos novos empregos deve se concentrar no segmento de vestuário, com 48,9 mil vagas, e no de supermercados, 10,4 mil vagas. As duas atividades detêm 42% da força de trabalho do setor e costumam responder por cerca de 60% das vendas natalinas.
Diante da perspectiva de retomada gradual da atividade econômica e do consumo doméstico no início de 2018, além dos impactos positivos sobre o emprego que podem decorrer da reforma trabalhista, a taxa de contratação dos trabalhadores temporários deverá voltar a crescer após o Natal, afirmou a CNC.
Ao contrário da média dos dois últimos anos, quando apenas 15% dos trabalhadores contratados em regime temporário foram efetivados após o fim do ano, a reação mais positiva da economia deverá elevar esse porcentual para cerca de 27%”, calculou Bentes. Antes da crise, a taxa média de efetivação de trabalhadores temporários era de 32,5%.
Oportunidades
Onde estarão os empregos
Lojas de vestuário: 48,9 mil vagas
Supermercados: 10,4 mil
Lojas de artigos de uso pessoal e doméstico: 8.300
Móveis e eletrodomésticos: 3.700
Farmácias e perfumarias: 1.100 vagas no país
Média do salário de admissão: R$ 1.191
Alta de 7,1% em relação ao ano passado
Expectativa de contratação definitiva: 19,7 mil pessoas

O Tempo

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Em primeiro treino, Oswaldo indica Robinho como titular no Atlético

Em sua primeira coletiva como treinador do Atlético, o técnico Oswaldo de Oliveira afirmou que Robinho "é um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro". E a confiança do treinador no atacante pôde ser vista no primeiro treino comandado por ele, na Cidade do Galo. Nos momentos em que a equipe foi separada em grupos, primeiro em um treino técnico de dois toques e depois em uma atividade de ataque contra defesa, o Rei das Pedaladas ficou entre os atletas considerados titulares.
A dúvida na parte ofensiva fica por conta da ausência do atacante Luan, que ficou na academia, assim como o goleiro Victor. O ataque principal foi formado por Valdívia, Cazares, Robinho e Fred. O restante da equipe teve Alex Silva, Leonardo Silva, Gabriel e Fábio Santos; Adilson e Elias.
Outra curiosidade do treino foi a divisão de setores promovida pela comissão técnica. Enquanto volantes, meias e atacantes participavam de um longo treino de finalizações, comandado por Oswaldo, o auxiliar Thiago Larghi trabalhou especificamente com a defesa, ajustando posicionamento, marcação, toque de bola, saída de jogo e movimentação.

O tempo das atividades também chamou a atenção. Primeiro, o elenco assistiu a um vídeo. Em seguida, por volta das 10h10, os jogadores foram para o campo. O treino durou mais de duas horas, terminando às 12h17.
O Tempo

Arábia permitirá que mulheres dirijam

O TEMPO


ULTRACONSERVADOR.

Reino implanta ambicioso plano de reformas


PUBLICADO EM 27/09/17 - 01h16







As sauditas serão autorizadas a dirigir a partir de junho de 2018, uma decisão histórica no reino ultraconservador, único país do mundo onde as mulheres não podiam conduzir.

Como parte de seu ambicioso plano de reformas econômicas e sociais até 2030, Riad parece pronta para abrandar algumas destas restrições impostas às mulheres e tenta, pouco a pouco, promover formas de diversão, apesar da oposição dos ultraconservadores em um país onde a metade da população tem menos de 25 anos.

Além da proibição de dirigir, as mulheres sauditas são igualmente submetidas à tutela de um homem da família – geralmente o pai, o marido ou o irmão – para poder estudar ou viajar.

“Estou muito animada e chocada ao mesmo tempo. Esperava que isso acontecesse em dez ou 20 anos”, disse à AFP Haya al-Rikayan, funcionária de 30 anos de um banco em Riad.

“É um dia muito feliz! Ainda não acredito. Só vou acreditar quando vir com meus próprios olhos”, disse Shatha Dusri, funcionária da companhia petroleira Aramco em Dhahran.

O Tempo

Compradores de ações da Vale dizem que foram lesados

O TEMPO

A privatização da Vale completou 20 anos em 2017, mas ao menos cerca de 6.000 funcionários, ex-funcionários e aposentados da empresa que compraram ações na época ainda buscam na Justiça o direito de receber o que consideram justo por elas. Duas ações indenizatórias, movidas pela Associação dos Aposentados, Pensionistas, Empregados Ativos e Ex-Empregados da Companhia Vale Do Rio Doce, Suas Empreiteiras, Controladas e Coligadas (Apevale), alegam que o Clube de Investimento dos Empregados da Vale (Investvale), que adquiriu os 10% das ações disponibilizados para os funcionários durante o leilão de privatização da empresa, lesou parte dos cotistas, representados pela Apevale.

A primeira ação judicial da Apevale, de 2007, já teve decisão favorável do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas o Investvale entrou com recurso. O segundo processo, de 2009, aguarda decisão da segunda instância do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas até o momento todas as decisões foram favoráveis à Apevale.

Segundo a associação, o clube omitiu informações importantes, incentivou os funcionários a vender suas cotas para o próprio fundo e revendeu as mesmas ações por valores até cinco vezes maiores. O presidente da Apevale, Geraldo Eustáquio da Silva, 52, morador de Itabira, na região central do Estado, conta que alguns funcionários chegaram a vender suas ações a R$ 32 em 1997. E que, em 2003, elas já valiam R$ 172. “O clube não informava o crescimento do valor da ação. Dizia que ela estava congelada em R$ 32, mas não era verdade”, diz Silva. “Eles não explicavam nada, falavam que se a gente não vendesse as cotas logo teríamos prejuízo. Naquela época, não tínhamos informação nenhuma sobre bolsa, mercado financeiro”, conta o aposentado pela Vale, Luís Clodoveu Gutevez, 51, que está na ação da Apevale.

Não é possível informar o total das ações, segundo o advogado da Apevale, Eduardo Mohallem, do escritório Grebler Advogados. “Existe um cálculo definido no processo, mas ele varia de acordo com cada cotista”, diz Mohallem. A própria Investvale, porém, tem um provisionamento financeiro para o caso de perder os processos. Segundo um fato relevante do clube de investimento, datado de março de 2016, esse valor era de mais de R$ 29 milhões, 7,78% do patrimônio líquido do clube na data. No mesmo documento, o Investvale informa que, além desses, tinha à época mais R$ 17,7 milhões provisionados para passivos judiciais. Uma outra associação de funcionários da Vale no Pará também processa o Investvale. “Quando a Vale foi privatizada, eram 35 mil funcionários. Não sabemos quantos deles no total foram lesados”, conta Silva.

O atual administrador do Investivale é o BNY Mellon que foi procurado por O TEMPO, mas informou, por nota, que “prefere não se manifestar neste momento”.

Penal. Além das ações indenizatórias, a Apevale entrou com um processo penal contra os ex- diretores do Investvale. “Se houve benefício direto, é enriquecimento ilícito”, diz Eduardo Mohallem.
O Tempo