sábado, 22 de outubro de 2016

Denunciação Caluniosa:O Feitiço Vira Contra o Feiticeiro

Por Marcos Duarte – O crime de denunciação caluniosa está previsto no artigo 339 do Código Penal Brasileiro. Comete quem aciona indevidamente ou movimenta irregularmente a máquina estatal de persecução penal (delegacia, fórum, Ministério Público, CPI, corregedoria, etc.) fazendo surgir contra alguém um inquérito ou processo imerecido.

O criminoso, de forma maldosa, maliciosa e/ou ardilosa, faz nascer contra a vítima, esta que não merecia, uma investigação ou um processo sobre fato não ocorrido ou praticado por outra pessoa.
Essas mentiras acompanhadas de processo judicial ou inquérito, são suficientes para a caracterização do crime. Caso não ocorra o inquérito ou processo, caracteriza-se o artigo anterior, (Comunicação falsa de crime ou contravenção).
ARTIGO 339 CP: “Dar causa à instauração de investigação policial, de processo judicial, instauração de investigação administrativa, inquérito civil ou ação de improbidade administrativa contra alguém, imputando-lhe crime de que o sabe inocente:” Pena: Reclusão, de 2 a 8 anos, e multa. § 1º – A pena é aumentada de sexta parte, se o agente se serve de anonimato ou de nome suposto. § 2º – A pena é diminuída de metade, se a imputação é de prática de contravenção.
Observem que este crime tem pena muito mais pesada do que os crimes contra a honra (injúria, calúnia e difamação). Por desconhecimento ou irresponsabilidade, desacreditando na ação da Justiça, alguma pessoas movimentam delegacias (lavrando Boletins de Ocorrência de Forma inconsequente, Juizados Especiais e mesmo as varas cíveis e de Família) atacando indevidamente a honra de alguém sem esta noção de que o “feitiço pode virar contra o feiticeiro”. Tornou-se corriqueiro atacar a honra de alguém como se isto fosse ficar impune. Por outro lado, as pessoas vitimizadas não aplicam o instituto penal da Denunciação Caluniosa e permitem a execração de sua honra e imagem. Muito comum este tipo de delito nas ações de família.

Marcos Duarte 

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Escola de Princesas ensina etiqueta e tarefas domésticas a meninas

O TEMPO

Quando a porta do número 853 da Avenida Doutor Laerte Vieira Gonçalves, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, se abre, o visitante pode achar que está numa tradicional casa de boneca: o cor-de-rosa toma conta das paredes, das mesas, dos móveis, dos utensílios e dos uniformes. A cor só alterna com o branco e com o dourado presente nas coroas. Na mesa de chá ao fundo, jogo de chá completo com estampas florais e guardanapos decorados. Bem-vindo à Escola de Princesas.
Fundada em 2013 pela psicopedagoga Nathalia de Mesquita, a ideia veio de um sonho, literalmente. "Numa noite eu tive um sonho que eu trabalhava numa escola de princesas, e eu achei aquilo maravilhoso, achei um lugar diferente, eu pensava: 'se eu tivesse uma filha, era isso que eu gostaria de ensinar para ela' No dia seguinte, eu comentei com meu marido e, como ele tem uma visão empreendedora, por que não? E como eu gosto de desafios, comecei a pesquisar e vi que havia a possibilidade. Embora fosse algo inédito, não sabia da aceitação, a gente abriu. E foi um sucesso", contou a fundadora ao E+.
Lá, o curso tradicional de três meses ensina meninas de quatro a 15 anos desde os valores de uma princesa - como humildade, solidariedade e bondade - e como arrumar o cabelo e se maquiar até regras de etiqueta, de culinária e como organizar a casa. As aulas são ministradas por profissionais diversos, entre cabeleireiros, cozinheiras, nutricionistas e psicólogos.
Num Chá de Princesas realizado em nossa visita na escola, as meninas, todas vestidas com camisetas polo brancas com golas cor-de-rosa e saias na mesma cor, aprendem todos os detalhes de como se portar à mesa. "Ou a gente põe a mão no colo, ou pode permanecer com a mão na mesa. O cotovelo, nunca", é uma das regras básicas que as meninas aprendem, além de saber até como mover os dedos ao pegar numa xícara e como usar um guardanapo - que não foge à regra e tem a mesma cor onipresente no local.
'O sonho de toda menina é tornar-se uma princesa' é o mote da escola, que recebe críticas por ser, supostamente, um retrocesso ao ensinar tarefas domésticas apenas para meninas, como se ensinasse que lugar de mulher é na cozinha. Mas a fundadora discorda, e acredita que quem pensa assim não conhece a real proposta do local.
"A gente pega pelos depoimentos das mães: a prova delas é em casa, então eu quero que as mamães falem como está sendo lá fora, porque a minha expectativa é que elas reproduzam o que aprendem aqui lá fora, que ela seja uma grande mulher, que consiga superar os desafios. Aqui a gente brinca assim: 'tô saindo para uma festa, o botão da minha roupa caiu, vou desesperar?' Não! Opa, vou lá, cato uma agulha, em dois minutos prego um botão e pronto, resolvi o problema. Não vou pedir para a mãe, não vou chorar, não vou trocar de roupa por causa disso. A nossa expectativa é que elas sejam grandes mulheres, grandes empresárias, quem sabe uma que tá sentada aqui, amanhã, não vai ser a presidente do Brasil? Que vai ter uma cabeça e pensar: 'Eu sei lidar com qualquer situação.'", explica Nathalia.
Ela continua dizendo que espera que as 'princesas' ali possam ser mulheres completas em todos os aspectos. "Hoje em dia a gente vê que ou uma mulher só é focada em trabalho, carreira, e toda essa parte da família, das coisas do dia a dia, ficou para trás; Ou às vezes a mulher a mulher só fica nessa de 'vou ser uma boa mãe, uma boa esposa', e sacrifica a carreira e a parte acadêmica. E por que uma mulher não pode ser completa? Por que eu tenho de abrir mão da minha carreira para ser mãe? Ela pode ser mãe, ela pode ter a carreira dela, ela pode ser dona de casa, ela pode ser o que ela quiser".
O discurso esbarra no fato de que a escola não aceita meninos. Mesmo assim, diz defender o ideal de direitos igualitários entre os gêneros. A mãe de uma das alunas, a pedagoga Lidiane de Melo Nicurgo, acredita que há um "movimento de mulheres que querem direitos iguais", mas ela acredita em "papéis diferentes". Isso porque, mesmo "em tempos em que a mulher trabalha fora", ela ainda tem que "desenvolver em casa outras funções, ela [a mulher] tem a maternidade, a função de parceira do trabalho, tem etiqueta, roupa de cama, comida para fazer em casa". Lidiane acredita que a escola contribui para que sua filha "divida essas tarefas de forma mais leve" com o parceiro.
A proposta de criar 'princesas independentes' ainda se confunde com o resgate de certos costumes antigos. "Hoje os pais identificam a escola de princesas como um apoio à família, aquilo que se perdeu ao longo do tempo. A vovó ensinava para a mamãe, a mamãe nos ensinou e hoje a gente não tem mais esse tempo, porque a gente saiu para o mercado de trabalho, vieram vários fatores, então a gente não senta mais com a nossa filha e fala como ela deve arrumar a gaveta, como fazer um arroz", conta a fundadora.
Além disso, toda a atmosfera cor-de-rosa e a feminilidade exaltada pelo local remetem a um estereótipo feminino que vem sendo tão combatido. Mesquita conta que sempre há uma pergunta nas aulas: 'Como seria um mundo sem as mulheres?' E, todas as vezes, todas as meninas falam: 'seria muito triste, não teria cores'. "Para ter essa ideia de que tem coisa que é da mulher. Na visão de todas as meninas que vem aqui, elas falam que 'não teria rosa, não teria essa doçura, essa delicadeza'", acredita.
Príncipe encantado
Mas o que desperta a vontade das pequenas 'princesas' de conhecer a escola é mesmo a 'fantasia' de ser uma princesa. Durante uma aula de etiqueta à mesa, o chá das princesas, as meninas, de oito a dez anos, contam que suas princesas favoritas são da Disney. Uma prefere a Aurora, de A Bela Adormecida, enquanto outra prefere a Bela, de A Bela e a Fera.
Gabriela, de nove anos, acredita, porém, que uma verdadeira princesa não precisa de adereços: "Você não precisa de coroa nem vestido, você precisa ser boa, ser gentil, tem que ajudar o próximo, não pode pensar em si mesma, tem que pensar no próximo", e ainda acredita que nem sempre é necessário um príncipe.
Por falar em príncipe, os relacionamentos amorosos são temas frequentes das aulas com meninas mais velhas. Uma princesa deveria esperar pelo príncipe encantado? "Sempre tem a pergunta, elas estão naquela idade da curiosidade, que é cada vez mais cedo. Essa geração gosta das coisas muito rápidas, e não tem muito compromisso, é o ficar por ficar, experimentar sensações novas, e isso pode ser um perigo", diz a fundadora.
Os perigos, ela explica, vão desde à gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis até 'consequências sociais'. "A gente fala aqui que, quando a gente come uma fruta verde, ela não é tão saborosa como quando ela é madura, porque ela não esperou. Tudo o que é mais esperado é mais gostoso. A gente tenta levar esse conceito mesmo de saber se guardar", conta a criadora da escola.
Assim, a psicopedagoga acredita que as meninas devem se 'privar' para evitar a imagem ruim para os meninos. "Eu tenho um filho adolescente e às vezes ele fala: 'mãe, aquela menina tá superfalada, ninguém mais quer ficar com ela'. É uma menina de 14 anos. Ainda existe esse preconceito, por mais que a gente já tenha conquistado nosso espaço, é diferente. O homem pode fazer o que quiser e nunca vai ser rotulado, mas a mulher ainda vai", relata.
Por fim, ela se defende: "Se ela quiser, lógico, ela é livre, aqui nada é imposto. Mas o tempo todo a gente deixa ciente que todas as escolhas tem as consequências. Então a gente trabalha nesse sentido a questão do relacionamento".
Franquia
A escola surgiu em Uberlândia, mas alguns anos depois se expandiu para outras cidades de Minas Gerais, como Uberaba e Belo Horizonte, e iniciou o sistema de franquias. No final deste mês, a escola vai inaugurar uma filial em São Paulo, na Avenida Indianópolis, em Moema. A responsável por trazer a instituição para a capital paulista é Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos.

O Tempo

sábado, 15 de outubro de 2016

As primeiras cidades coloniais

É certo que os espanhóis que desembarcaram no Caribe, no fim do século XV, e a frota de Pedro Álvares Cabral, que chegou à Bahia em 1500, não estavam viajando a lazer. Ainda assim, em suas rotas em busca de mercadorias, encontraram belos cenários, onde fundaram seus primeiros povoados que, de pequenas vilas, acabaram ganhando importância histórica e turística.
Haiti
A chegada de Cristovão Colombo às Américas é celebrada no dia 12 de outubro, de 1492, data que marca a passagem do navegador genovês por San Salvador, nas Bahamas. Dias depois, Colombo não pensava em desembarcar no Haiti, mas parou por lá porque seu navio, o Santa María, encalhou na costa oeste.
Com o que sobrou da embarcação, Colombo ergueu um forte, La Navidad, onde 39 espanhóis estabeleceram o povoamento que ele batizou de Insula Hispana. Hoje, essa pequena cidade com praias de águas cristalinas e muito verde ao redor tem 4.000 habitantes e se chama Môle-Saint-Nicolas, nome adaptado à colonização francesa que se seguiu.
A mais antiga
Oficialmente, a cidade mais antiga das Américas é Santo Domingo, capital da República Dominicana, fundada em 1498. Seguindo pelas águas azuis do mar do Caribe, a colonização espanhola chegou, enfim, ao México e fundou, em 1519, a cidade continental inicial das Américas, à época chamada de Villa Rica de La Cruz, atualmente chamada de Veracruz. 
Em 1525, outros exploradores batizavam a cidade de Santa Marta, na Colômbia, tornando a localidade sul-americano o primeiro assentamento oficial da América do Sul.


Pioneiras no extremo sul do continente americano

De Santo Domingo, na República Dominicana, a caravela colonizadora seguiu rumo ao sul das Américas, desembarcando na cidade considerada a pioneira da América do Sul: Santa Marta, na Colômbia, país que, como se sabe, ganhou o nome do colonizador do continente.
O município é capital do Estado de Magdalena. Suas praias, no entanto, não são as melhores da região. Na cidade, vale conhecer o centro histórico, que tem um bela catedral e a praça principal.
Entretanto, as duas atrações mais interessantes da região são a Ciudad Perdida, um roteiro histórico pelas montanhas de Sierra Nevada de Santa Maria, com cachoeiras, rios e sítios arqueológicos; e o Parque Nacional Tayrona, que tem as belas praias caribenhas por onde chegou o fundador da cidade, Rodrigo de Bastidas, em 1525.
Já Santiago del Estero foi fundada na Argentina, pelo explorador espanhol Francisco de Aguirre. A cidade não preservou muito de seu acervo histórico. A impressionante catedral de Santiago del Estero, erguida em 1570, é um dos principais atrativos. Outro programa é visitar o parque onde está o monumento em homenagem ao fundador da cidade. O local é frequentado pelos moradores por conta de uma praia artificial, que oferece no verão temperaturas que chegam aos 40°C.
Muitos desses locais se mantêm preservados porque foram abertos à visitação


Desceu na Bahia, mas fundou...

Mais abaixo, em 1500, Pedro Álvares Cabral chegara à Bahia. Foi nessa região que encontrou o monte que batizou de Pascoal e onde foi realizada a primeira missa de Páscoa do país. A ocupação portuguesa no Brasil se deu aos poucos pelo Estado. As cidades litorâneas de Santa Cruz Cabrália, Porto Seguro e Belmonte compõem a Costa do Descobrimento, patrimônio Natural e Mundial pela Unesco desde 1999.
Além de belas praias, esses municípios oferecem uma visão da História. Em Porto Seguro, o centro preserva um conjunto arquitetônico típico do início da nossa colonização, incluindo o Marco de Posse, a igreja de Nossa Senhora da Penha e a igreja de São Benedito. O Quadrado de Trancoso é outro ponto de interesse: uma grande praça retangular cercada de árvores e casas coloniais.
O primeiro local do Brasil a se tornar oficialmente uma cidade, no entanto, foi São Vicente, no litoral sul de São Paulo, em 1532, por Martim Afonso de Sousa.

Novo Mundo
O continente americano foi batizado como Novo Mundo pelos europeus, mas suas civilizações começaram antes da chegada de Colombo. A mais antiga é Caral, que fica no vale do Supe, a 200 km de Lima, no Peru. A cidade tem cerca de 5.000 anos e foi explorada em escavações pela arqueóloga peruana Ruth Shady, na década de 90. A complexa civilização da época ocupava área de 65 hectares e era formada por estruturas piramidais e área sagrada. No sítio arqueológico, há seis pirâmides que se destacam (uma com 18 m de altura), praças circulares e algumas residências antigas, entre outros prédios. Segundo estimativas, o local abrigou de mil a 3.000 mil indivíduos.

Influência hispânica

Nos Estados Unidos, St. Augustine, fundada em 1565 na Flórida, é considerada a primeira cidade espanhola na parte continental. O local preserva seu acervo histórico e promove passeios que destacam a influência hispânica. Antes, porém, os espanhóis fundaram, em 1510, a cidade de Caparra, em Porto Rico. Extinta 13 anos depois, hoje é um sítio arqueológico aberto à visitação.
O Tempo

Horário de Verão começa neste fim de semana; saiba por que ele existe

O Horário de Verão entrará em vigor no próximo domingo (16) em dez Estados mais o Distrito Federal. A partir de meia-noite de sábado (15) para domingo (16), os moradores destas regiões devem adiantar os relógios em uma hora. O horário de verão vai durar até o dia 19 de fevereiro de 2017.
Três perguntas e três respostas sobre o Horário de Verão

Mas, por que existe o horário de verão e por que ele sempre começa nesta época do ano? 
O horário de verão é adotado nesta estação pelo fato de os dias serem mais longos, devido à posição da Terra em relação ao Sol. Isso faz com que as luzes sejam acendidas mais tarde, e faz dessa medida uma forma eficiente de se economizar energia.
E por que só tem horário de verão em alguns Estados brasileiros? 
O horário de verão só se aplica nas regiões mais afastadas da Linha do Equador. Já para as regiões mais próximas desse ponto, os dias e as noites têm a mesma duração durante todo o ano, fazendo com que essa prática alcance resultados menores ou até mesmo não alcance vantagens em economia.
Tem algum outro benefício de economia? 
Ainda existe o benefício de se deslocar o alto consumo dos horários de pico (de 18h às 21h) para outros períodos do dia.
O Tempo

Seleção Sub-17 conquista a BRICS Cup com goleada

CBF
Com direito a goleada na decisão, a Seleção Brasileira Sub-17 conquistou neste sábado o título da BRICS Cup 2016, competição disputada na Índia entre os países do bloco - África do Sul, China e Rússia, além do Brasil e dos donos da casa. Na final, o time de Carlos Amadeu derrotou os sul-africanos por 5 a 1.

O Brasil começou melhor e teve um primeiro tempo arrasador. Aos 24, o atacante Paulinho abriu o placar. Menos de 10 minutos depois, Vinícius Jr., que marcou gol em todos os jogos do torneio, fez uma pintura: encobriu o goleiro de fora da área. Vitinho, de pênalti, fechou os 45 minutos iniciais.

Na segunda etapa, a Seleção Brasileira não deixou a peteca cair. Mesmo com a vantagem, continuou dominando a posse de bola e marcou mais dois gols. Primeiro com Vitinho. Nos acréscimos, a África do Sul diminuiu, mas Alan deu números finais à partida logo na sequência. 

Carlos Amadeu escalou o Brasil para a decisão com Arthur Gazze, Wesley Andrade (Lucas Oliveira), Lucas Halter, Matheus Stockl e Kevin Kesley; Vitor Eduardo, Marco Antonio Santos e Alan Souza; Vinícius Jr. (Leonardo Chú), Paulinho e Vitinho (Lincoln).  

Mais do que conquistar o título, a Seleção Brasileira Sub-17 demonstrou um futebol envolvente durante toda a competição. Não à toa, venceu todas as partidas com muita autoridade. Na estreia, derrotou a China por 2 a 0. Em seguida, passou pela Rússia, novamente com 2 a 0 no placar. Contra a África do Sul, que viria a ser o adversário da final, 3 a 0 na primeira fase. Para sacramentar os 100%, 3 a 1 na anfitriã Índia.

A BRICS Cup 2016 serve de preparação para os compromissos da Seleção Sub-17 em 2017. Um deles é o Sul-Americano do Chile, que dá vaga aos quatro primeiros para o Mundial da categoria, que será realizado justamente na Índia.

CBF

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Leia textos de Bob Dylan traduzidos para o português

O Suplemente Literário de Minas Gerais publicou textos e traduções de Bob Dylan em seus 50 anos de história. Reunimos abaixo alguns trechos traduzidos por Ana Caetano e também por Afonso Henrique Guimarães Neto.
Os textos traduzidos por Ana Caetano foram publicados no Suplemento Literário de Março/Abril de 2012. Já as tradução de Afono Neto são mais antigas e foram traduzidas em janeiro de 1975.
Não escureceu ainda
Tradução de Ana Caetano
Sombras caindo e eu por aqui ficando
Muito quente para dormir o tempo passando
Sinto que a minha almo em aço se transformou
Ainda tenho as cicatrizes que o sol não curou
Não há nem espaço para se estar em algum lugar
Não escureceu ainda, mas logo vai começar
Meu senso de humanidade foi pelo ralo ou pior
Atrás de cada coisa bela existiu algum tipo de dor
Ela me escreveu uma carta e escreveu tão gentilmente
Colocou nas palavras aquilo que ia pela sua mente
Eu só não sei por que devo me importar
Não escureceu ainda, mas logo vai começar
Estive em Londres e na Paris de Montmartre
Segui o curso do rio e cheguei até o mar
Estive nas profundezas de um mundo de falsidade
Não 'tou procurando nada nem tenho veleidades
Às vezes meu fardo parece maior do que posso aguentar
Não escureceu ainda, mas logo vai começar
Nasci aqui e morrerei aqui contra a minha vontade
Parece que estou partindo, mas isso não é verdade
Cada nervo do meu corpo está tão ocioso e entorpecido
Não consigo nem me lembrar do que eu havia fugido
Sequer ouvi um múrmurio de oração no ar
Não escureceu ainda, mas vai começar
ORIGINAL
Not dark yet
Shadows are falling and I've been here all day
It's too hot to sleep time is running away
Feel like my soul has turned into steel
I've still got the scars that the sun didn't heal
There's not even room enough to be anywhere
It's not dark yet, but it's getting there
Well my sense of humanity has gone down the drain
Behind every beautiful face there's been some kind of pain
She wrote me a letter and she wrote it so kind
She put down in writing what was in her mind
I just don't see why I should even care
It's not dark yet, but it's getting there
Well, I've been to London and I've been to gay Paree
I've followed the river and I got to the sea
I've been down on the bottom of a world full of lies
I ain't looking for nothing in anyone's eyes
Sometimes my burden seems more than I can bear
It's not dark yet, but it's getting there
I was born here and I'll die here against my will
I know it looks like I'm moving, but I'm standing still
Every nerve in my body is so vacant and numb
I can't even remember what it was I came here to get away from
Don't even hear a murmur of a prayer
It's not dark yet, but it's getting there
Dignidade
Tradução de Ana Caetano
O gordo procurando em uma lâmina de aço
O magro olhando no seu último almoço
O superficial procurando na água do poço
Por dignidade
O sábado procurando em um fio de grama
O jovem procurando na sombra da fama
O pobre procurando no vidro com lama
Por dignidade
Alguém foi morto no final de ano
Alguém disse que a dignidade é um engano
Fui à cidade, fui ao altiplano
Fui até a terra do sol da meia noite
Procurando ao sul, procurando ao norte
Procurando por toda a imensidade
Perguntando aos guardas da cidade
Vocês têm visto a dignidade?
O cego saindo do poço do ocaso
Coloca as duas mãos no bolso raso
Na espera de encontrar por acaso
Alguma dignidade
Fui ao casamento de Marilu
Ela disse: não quero que ninguém me veja ao seu lado
Disse que poderia ser morta se me contasse o que é calado
Sobre a dignidade.
Desci até onde os abutres estão
Eu teria ido mais fundo, mas não havia razão
Ouvi a língua dos anjos e a língrua de adão
E não fez diferença alguma o tom
Vento gelado como uma lâmina de ar
Casa em chamas, dívidas a pagar
Estarão na minha janela, a perguntar
Você viu a dignidade?
O homem bêbado escuta a voz nos ouvidos
Em uma sala cheia com espelhos sem vidro
Procurando ainda nos anos perdidos
Pela dignidade
Encontrei o príncipe Phillip na casa do blues
Ele disse que me daria a informação se seu nome não
Fosse citado
Ele queria dinheiro adiantado, pois havia sido abusado
Pela dignidade
Pegadas atravessando a areia em caracol
Degraus descendo até a terra da tatuagem
Encontrei os filhos da escuridão e os filhos do sol
Nas fronteiras do desalento
Não tenho onde sumir, não tenho nada meu
Estou na corrente de um rio em um barco ao léu
Tentando ler um bilhete que alguém escreveu
Sobre a dignidade
O homem doente procurando a cura
Procurando até nas linhas da costura
E em cada grande obra da literatura
Pela dignidade
O inglês encalhado no vento cortante
Penteado seu cabelo, seu futuro distante
Morde a bala e vasculha o instante
Pela dignidade
Alguém me mostrou uma foto e eu dei gargalhada
A dignidade nunca foi fotografada
Fui até o vermelho, fui até o acinzentado
No vale dos sonhos de ossos ressecados
Tantas estradas, tão poucos indícios
Tantos becos sem saída, estou na beira do precipício
Às vezes me pergunto se isto é apenas o início
Para encontrar a dignidade.
ORIGINAL
Dignity
Fat man lookin' in a blade of steel
Thin man lookin' at his last meal
Hollow man lookin' in a cottonfield
For dignity
Wise man lookin' in a blade of grass
Young man lookin' in the shadows that pass
Poor man lookin' through painted glass
For dignity
Somebody got murdered on New Year's Eve
Somebody said dignity was the first to leave
I went into the city, went into the town
Went into the land of the midnight sun
Searchin' high, searchin' low
Searchin' everywhere I know
Askin' the cops wherever I go
Have you seen dignity?
Blind man breakin' out of a trance
Puts both his hands in the pockets of chance
Hopin' to find one circumstance
Of dignity
I went to the wedding of Mary-lou
She said I don't want nobody see me talkin' to you?
Said she could get killed if she told me what she knew
About dignity
I went down where the vultures feed
I would've got deeper, but there wasn't any need
Heard the tongues of angels and the tongues of men
Wasn't any difference to me
Chilly wind sharp as a razor blade
House on fire, debts unpaid
Gonna stand at the window, gonna ask the maid
Have you seen dignity?
Drinkin' man listens to the voice he hears
In a crowded room full of covered up mirrors
Lookin' into the lost forgotten years
For dignity
Met Prince Phillip at the home of the blues
Said he'd give me information if his name wasn't used
He wanted money up front, said he was abused
By dignity
Footprints runnin' cross the sliver sand
Steps goin' down into tattoo land
I met the sons of darkness and the sons of light
In the bordertowns of despair
Got no place to fade, got no coat
I'm on the rollin' river in a jerkin' boat
Tryin' to read a note somebody wrote
About dignity
Sick man lookin' for the doctor's cure
Lookin' at his hands for the lines that were
And into every masterpiece of literature
for dignity
Englishman stranded in the blackheart wind
Combin' his hair back, his future looks thin
Bites the bullet and he looks within
For dignity
Someone showed me a picture and I just laughed
Dignity never been photographed
I went into the red, went into the black
Into the valley of dry bone dreams
So many roads, so much at stake
So many dead ends, I'm at the edge of the lake
Sometimes I wonder what it's gonna take
To find dignity
Mais três textos de Bob Dylan
Tradução de Afonso Henriques Neto
01 - recém-chegada - terrível viagem - esse
homenzinho carregando o rato branco
me salvou o tempo inteiro - jesus ele
era tão simpático - será que tem bons
advogados por aqui? te verei breve -
primeiro tenho de comer
sinceramente sua
Froggy
por que você fica com tanto medo
de ser ver embaraçada? você demorou
paca no toalete, não foi? por que
você não admite isso? por que
fica tão embaraçada de ter medo?
sua tia
Matilda

"alguma outra questão?" o
professor indaga. o garoto louramente
cabeludo na primeira fila
levanta a mão e pergunta
"quantos quilômetros pro México?"
O Tempo

Escola de Princesas ensina etiqueta e tarefas domésticas a meninas

Quando a porta do número 853 da Avenida Doutor Laerte Vieira Gonçalves, em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, se abre, o visitante pode achar que está numa tradicional casa de boneca: o cor-de-rosa toma conta das paredes, das mesas, dos móveis, dos utensílios e dos uniformes. A cor só alterna com o branco e com o dourado presente nas coroas. Na mesa de chá ao fundo, jogo de chá completo com estampas florais e guardanapos decorados. Bem-vindo à Escola de Princesas.
Fundada em 2013 pela psicopedagoga Nathalia de Mesquita, a ideia veio de um sonho, literalmente. "Numa noite eu tive um sonho que eu trabalhava numa escola de princesas, e eu achei aquilo maravilhoso, achei um lugar diferente, eu pensava: 'se eu tivesse uma filha, era isso que eu gostaria de ensinar para ela' No dia seguinte, eu comentei com meu marido e, como ele tem uma visão empreendedora, por que não? E como eu gosto de desafios, comecei a pesquisar e vi que havia a possibilidade. Embora fosse algo inédito, não sabia da aceitação, a gente abriu. E foi um sucesso", contou a fundadora ao E+.
Lá, o curso tradicional de três meses ensina meninas de quatro a 15 anos desde os valores de uma princesa - como humildade, solidariedade e bondade - e como arrumar o cabelo e se maquiar até regras de etiqueta, de culinária e como organizar a casa. As aulas são ministradas por profissionais diversos, entre cabeleireiros, cozinheiras, nutricionistas e psicólogos.
Num Chá de Princesas realizado em nossa visita na escola, as meninas, todas vestidas com camisetas polo brancas com golas cor-de-rosa e saias na mesma cor, aprendem todos os detalhes de como se portar à mesa. "Ou a gente põe a mão no colo, ou pode permanecer com a mão na mesa. O cotovelo, nunca", é uma das regras básicas que as meninas aprendem, além de saber até como mover os dedos ao pegar numa xícara e como usar um guardanapo - que não foge à regra e tem a mesma cor onipresente no local.
'O sonho de toda menina é tornar-se uma princesa' é o mote da escola, que recebe críticas por ser, supostamente, um retrocesso ao ensinar tarefas domésticas apenas para meninas, como se ensinasse que lugar de mulher é na cozinha. Mas a fundadora discorda, e acredita que quem pensa assim não conhece a real proposta do local.
"A gente pega pelos depoimentos das mães: a prova delas é em casa, então eu quero que as mamães falem como está sendo lá fora, porque a minha expectativa é que elas reproduzam o que aprendem aqui lá fora, que ela seja uma grande mulher, que consiga superar os desafios. Aqui a gente brinca assim: 'tô saindo para uma festa, o botão da minha roupa caiu, vou desesperar?' Não! Opa, vou lá, cato uma agulha, em dois minutos prego um botão e pronto, resolvi o problema. Não vou pedir para a mãe, não vou chorar, não vou trocar de roupa por causa disso. A nossa expectativa é que elas sejam grandes mulheres, grandes empresárias, quem sabe uma que tá sentada aqui, amanhã, não vai ser a presidente do Brasil? Que vai ter uma cabeça e pensar: 'Eu sei lidar com qualquer situação.'", explica Nathalia.
Ela continua dizendo que espera que as 'princesas' ali possam ser mulheres completas em todos os aspectos. "Hoje em dia a gente vê que ou uma mulher só é focada em trabalho, carreira, e toda essa parte da família, das coisas do dia a dia, ficou para trás; Ou às vezes a mulher a mulher só fica nessa de 'vou ser uma boa mãe, uma boa esposa', e sacrifica a carreira e a parte acadêmica. E por que uma mulher não pode ser completa? Por que eu tenho de abrir mão da minha carreira para ser mãe? Ela pode ser mãe, ela pode ter a carreira dela, ela pode ser dona de casa, ela pode ser o que ela quiser".
O discurso esbarra no fato de que a escola não aceita meninos. Mesmo assim, diz defender o ideal de direitos igualitários entre os gêneros. A mãe de uma das alunas, a pedagoga Lidiane de Melo Nicurgo, acredita que há um "movimento de mulheres que querem direitos iguais", mas ela acredita em "papéis diferentes". Isso porque, mesmo "em tempos em que a mulher trabalha fora", ela ainda tem que "desenvolver em casa outras funções, ela [a mulher] tem a maternidade, a função de parceira do trabalho, tem etiqueta, roupa de cama, comida para fazer em casa". Lidiane acredita que a escola contribui para que sua filha "divida essas tarefas de forma mais leve" com o parceiro.
A proposta de criar 'princesas independentes' ainda se confunde com o resgate de certos costumes antigos. "Hoje os pais identificam a escola de princesas como um apoio à família, aquilo que se perdeu ao longo do tempo. A vovó ensinava para a mamãe, a mamãe nos ensinou e hoje a gente não tem mais esse tempo, porque a gente saiu para o mercado de trabalho, vieram vários fatores, então a gente não senta mais com a nossa filha e fala como ela deve arrumar a gaveta, como fazer um arroz", conta a fundadora.
Além disso, toda a atmosfera cor-de-rosa e a feminilidade exaltada pelo local remetem a um estereótipo feminino que vem sendo tão combatido. Mesquita conta que sempre há uma pergunta nas aulas: 'Como seria um mundo sem as mulheres?' E, todas as vezes, todas as meninas falam: 'seria muito triste, não teria cores'. "Para ter essa ideia de que tem coisa que é da mulher. Na visão de todas as meninas que vem aqui, elas falam que 'não teria rosa, não teria essa doçura, essa delicadeza'", acredita.
Príncipe encantado
Mas o que desperta a vontade das pequenas 'princesas' de conhecer a escola é mesmo a 'fantasia' de ser uma princesa. Durante uma aula de etiqueta à mesa, o chá das princesas, as meninas, de oito a dez anos, contam que suas princesas favoritas são da Disney. Uma prefere a Aurora, de A Bela Adormecida, enquanto outra prefere a Bela, de A Bela e a Fera.
Gabriela, de nove anos, acredita, porém, que uma verdadeira princesa não precisa de adereços: "Você não precisa de coroa nem vestido, você precisa ser boa, ser gentil, tem que ajudar o próximo, não pode pensar em si mesma, tem que pensar no próximo", e ainda acredita que nem sempre é necessário um príncipe.
Por falar em príncipe, os relacionamentos amorosos são temas frequentes das aulas com meninas mais velhas. Uma princesa deveria esperar pelo príncipe encantado? "Sempre tem a pergunta, elas estão naquela idade da curiosidade, que é cada vez mais cedo. Essa geração gosta das coisas muito rápidas, e não tem muito compromisso, é o ficar por ficar, experimentar sensações novas, e isso pode ser um perigo", diz a fundadora.
Os perigos, ela explica, vão desde à gravidez indesejada e doenças sexualmente transmissíveis até 'consequências sociais'. "A gente fala aqui que, quando a gente come uma fruta verde, ela não é tão saborosa como quando ela é madura, porque ela não esperou. Tudo o que é mais esperado é mais gostoso. A gente tenta levar esse conceito mesmo de saber se guardar", conta a criadora da escola.
Assim, a psicopedagoga acredita que as meninas devem se 'privar' para evitar a imagem ruim para os meninos. "Eu tenho um filho adolescente e às vezes ele fala: 'mãe, aquela menina tá superfalada, ninguém mais quer ficar com ela'. É uma menina de 14 anos. Ainda existe esse preconceito, por mais que a gente já tenha conquistado nosso espaço, é diferente. O homem pode fazer o que quiser e nunca vai ser rotulado, mas a mulher ainda vai", relata.
Por fim, ela se defende: "Se ela quiser, lógico, ela é livre, aqui nada é imposto. Mas o tempo todo a gente deixa ciente que todas as escolhas tem as consequências. Então a gente trabalha nesse sentido a questão do relacionamento".
Franquia
A escola surgiu em Uberlândia, mas alguns anos depois se expandiu para outras cidades de Minas Gerais, como Uberaba e Belo Horizonte, e iniciou o sistema de franquias. No final deste mês, a escola vai inaugurar uma filial em São Paulo, na Avenida Indianópolis, em Moema. A responsável por trazer a instituição para a capital paulista é Silvia Abravanel, filha de Silvio Santos.

O Tempo