Análise de pesquisas brasileiras sobre enfermagem, gestação e puerpério também aponta complicações associadas à falta de acompanhamento, entre elas a morte materna.
A mortalidade materna segue sendo um problema de saúde pública no Brasil. Um dos estudos citados em uma nova revisão constatou que as mortes maternas analisadas ocorreram no puerpério, em até 42 dias após o parto.
De acordo com uma investigação compartilhada pela revista Qualis A Open Minds (propriedade intelectual e científica do CPAH, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito, sob gestão técnica da Editora Atena), as autoras Roberta Flores Cardoso e Nanci da Silva Teixeira Junqueira analisaram nove artigos científicos brasileiros para entender por que parte das gestantes deixa de seguir o acompanhamento e qual é o papel da enfermagem nesse quadro.
Qual é o tamanho do problema?
Em 2022, no Rio Grande do Sul, mais de 20% das gestantes não compareceram de forma adequada às consultas, segundo dados do Datasus citados pelas autoras. O Ministério da Saúde considera adequado o acompanhamento com seis ou mais consultas, iniciado assim que a gravidez é confirmada, de preferência no primeiro trimestre.
Como a revisão foi feita?
Foi uma revisão integrativa de literatura, com buscas feitas entre março e abril de 2025 na Biblioteca Virtual em Saúde. Os termos combinaram três expressões, sobre acompanhamento da gestação, cuidado de enfermagem e puerpério. Foram incluídos artigos em português, publicados entre 2020 e 2025 e de acesso aberto.
Após os critérios de inclusão e exclusão, restaram nove estudos: três da Região Sul, três do Nordeste, um do Sudeste, um do Norte e um de abrangência nacional. Em oito deles, os autores são profissionais de enfermagem.
Por que gestantes deixam de ir às consultas?
A revisão agrupou os motivos em quatro categorias, apresentadas aqui pela frequência com que apareceram:
Fragilidades no atendimento profissional: presentes em 5 dos 9 artigos, com relatos de cuidado nem sempre abrangente, alta demanda e atendimento ainda centrado no médico.
Dificuldade de acesso: em 3 dos 9 artigos, com problemas de transporte local e distância entre a unidade de saúde e a residência.
Vulnerabilidade socioeconômica: em 2 dos 9, ligada a dificuldades financeiras e à falta de compreensão e apoio da família.
Dificuldade de compreensão da gestante: em 1 dos 9, sobre a importância do acompanhamento, muitas vezes por falta de informação e de ações eficazes de educação em saúde.
As autoras concluem que a falta de adesão está ligada principalmente à forma como a gestante é recebida e tratada na unidade. Elas observam ainda que o Sistema Único de Saúde (SUS) tem o acesso como princípio, mas que, na prática, esse acesso se mostra frágil.
Que consequências a literatura aponta?
Os estudos relacionam a baixa adesão a três tipos de complicação na gestação e no puerpério:
Mortes maternas: em 4 dos 9 artigos. Um dos estudos citados aponta hipertensão, hemorragia e doenças do aparelho circulatório entre as principais causas.
Doenças gestacionais: em 1 artigo, com destaque para hipertensão e diabetes, que podem se tornar condições crônicas.
Alterações psicossociais: em 1 artigo, ligadas às mudanças biopsicossociais após o parto. Segundo as autoras, o acompanhamento adequado ajuda a prevenir transtornos como tristeza, depressão e psicose puerperal.
As autoras ressalvam que a falta de acompanhamento pode estar ligada às mortes maternas, já que é nessa fase que o monitoramento contínuo reduz a gravidade de doenças e previne complicações.
O que a enfermagem pode fazer?
Na avaliação das autoras, cabe ao enfermeiro entender essas causas e atuar sobre elas. Entre as estratégias sugeridas estão a busca ativa de gestantes, visitas domiciliares para mulheres com dificuldade de acesso, consultas de enfermagem baseadas em escuta ativa, acolhimento e orientação clara, e capacitação continuada das equipes. O objetivo é criar vínculo e confiança com a gestante e sua família.
Uma das autoras relata que escolheu o tema após estágios no último ano da graduação, na unidade de internação obstétrica e em uma unidade básica de saúde, onde viu mulheres internadas por consequências de acompanhamento inadequado e, por vezes, consultas sem registro no prontuário.
Por se tratar de uma revisão com nove estudos, os resultados refletem o que foi encontrado nessa amostra. O texto recomenda novas pesquisas para atualizar os dados sobre as causas da baixa adesão e sobre as complicações para a saúde das mulheres.
Sobre a publicação: o estudo integra o volume 2, número 16, de 2026, da Open Minds International Journal, revista Qualis A de propriedade intelectual e científica do CPAH, o Centro de Pesquisa e Análises Heráclito. A Editora Atena atua como gestora técnica e administradora do ISSN e é parceira comercial da revista mediante royalties, sem ser dona do periódico. DOI: https://doi.org/10.22533/at. ed.515721626170813
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