sexta-feira, 29 de maio de 2020

Pandemia e extinção de empregos: cabe ao Poder Público indenizar?


Otavio Romano de Oliveira, mestre em Direito e Processo do Trabalho e sócio do Barbosa Advogados


A pandemia do Covid-19 levou o Governo Federal ao reconhecimento da ocorrência do estado de calamidade pública pelo Decreto Federal nº 6 de 20/03/2020, e acarretou uma imensurável crise financeira, afetando abruptamente as relações comerciais, em especial, as relações de emprego, em razão das medidas de isolamento social instituídas pelos Estados e Municípios.


Em razão disso, desencadeou-se milhares de demissões em todo Brasil e a grande discussão se voltou para a incidência ou não da responsabilidade do Poder Público dos Estados em indenizar ou não os empregados demitidos pelos empregadores que se encontravam impossibilitados de exercerem suas atividades por atos dos governos estaduais. 


Surgiu então os questionamentos sobre a aplicação ou não do expediente jurídico em caso de força maior, estabelecida nos artigos 486, 501 a 504 da CLT, assim denominado como “fato do príncipe”, fenômeno pelo qual, se estende ao estado o dever de indenizar os encargos trabalhista, em caso de paralisação das atividades empresarias por força de ordem do governo federal, estadual ou municipal.


Haveria a responsabilidade estatal direta no pagamento dos encargos e verbas rescisórias trabalhistas no contexto da pandemia?

Sob a ótica daqueles que defendem a aplicação do fato príncipe e a consequente obrigação de ser indenizado pelo Estado tais encargos de rescisão, a indenização incide apenas quanto à metade da multa de 40% sobre o saldo do FGTS, nos termos da MP 927/2020, já para alguns, a indenização poderia alcançar todas as verbas rescisórias.


O procedimento para se buscar a indenização estatal, impõe ao empregado ajuizar ação apenas em face do empregador, não cabendo de início a inclusão do Poder Público na petição inicial da reclamação trabalhista, já que a responsabilidade pelo acervo rescisório é do empregador. A defesa, caso queira, poderá invocar a causa do fato do príncipe e, com isso, requerer também que a indenização seja de responsabilidade da Administração Pública, à luz do artigo §1º do artigo 486 da CLT.


Aliás, caso seja aceito o pedido de inclusão estatal, considerando que a alegação é decorrente de relação de emprego, a competência para analisar e julgar o caso deve ser mantida na Justiça do Trabalho, embora haja discussão e entendimento ao contrário.


No entanto, comungamos da opinião jurídica de que, para que se configure o fato do príncipe, se faz necessário que o ato administrativo seja discricionário, ou seja, que o Poder Público poderia ter evitado a medida que causou prejuízos ao particular.


Porém, a determinação de isolamento social estabelecida em várias cidades e estados brasileiros, frente ao que já ocorreu em vários países, como Itália, Espanha e EUA, onde milhares de pessoas foram contaminadas e chegaram a óbito, foi imprescindível para se conter o alastramento do Covid-19, configurando, assim, ato vinculado em favor da saúde e da vida da população, com isso ficaria afastada a responsabilidade do poder público.


Em resumo, o ato administrativo não foi específico para determinada empresa ou ramo de atividade, assim como ocorreu com o encerramento das empresas atuantes em marketing de outdoor ou com decreto de expropriação de terreno de empresa inviabilizando a continuação da atividade.


Ademais, não se pode deixar de mencionar que a autoridade pública foi tão impactada quanto empregados e empregadores. Todos fomos impactados. O episódio lesivo e inevitável, no caso a pandemia, foi sistêmico e massivo.


Não estamos diante da clássica hipótese de fato do príncipe, onde a administração pondera interesses e decide tecnicamente, mediante fria e atenta aferição prévia de conveniência e oportunidade. No caso da pandemia do Covid-19, a administração precisou tomar decisões seríssimas e urgentes em um lapso temporal mínimo.


Importante registrar, desde logo, que a implantação da técnica de confinamento social não precisa da certeza científica quanto à sua real eficácia como pressuposto de ação estatal. Basta a orientação técnica das autoridades competentes, especialmente do campo da saúde, acerca do uso dessa medida como instrumento razoável e urgente de mínimo controle sanitário, segundo o conhecimento científico do momento. Afinal, quanto ao coronavírus, há mais incertezas que certezas científicas.


Por fim, concluímos que deve prevalecer no Judiciário que a responsabilidade integral pelas verbas rescisórias neste momento de pandemia deve recair apenas para o empregador, não havendo qualquer incidência do artigo 486 da CLT.


AZ Brasil Comunicação

Periferias são mais vulneráveis ao coronavírus


Informalidade e desigualdade urbana sãos as principais causas

Escuta-se desde o início da pandemia no Brasil, quais são as medidas de prevenção recomendadas para conter o novo coronavírus – usar máscara e álcool em gel, lavar as mãos e o rosto com frequência e praticar o distanciamento social. Mas nem todas essas práticas estão ao alcance de moradores de comunidades e periferias das cidades.
Grande parte desta população tem dificuldades de acesso aos produtos que garantem a desinfecção. Ficar em casa muitas vezes não é uma opção, por trabalharem pelo sustento diariamente, além disso, as moradias geralmente têm poucos cômodos e o abastecimento de água é intermitente.
“Várias são as dificuldades para a contenção, em síntese podemos dizer que a impossibilidade de manter o distanciamento social, a falta de uma renda fixa ou até mesmo dos benefícios para a sobrevivência, são as principais dificuldades para controlar a doença na periferia”, explica Cristiano Caveião, doutor em enfermagem e coordenador da área da saúde do Centro Universitário Internacional Uninter.
O professor reforça que mesmo com dificuldade é importante manter ações de prevenção. “Manter hábitos de higienização frequente das mãos com água e sabão, evitar aglomerações e saídas de suas residências, deixar os ambientes ventilados e também intensificar a higiene da residência”, comenta.

Mulheres são as mais vulneráveis
No fim de abril, o Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada (Ipea) recomendou, em um relatório, que os governos adotem políticas de assistência específicas para os segmentos mais vulneráveis socialmente, principalmente mulheres residentes em periferias e favelas.
Segundo o levantamento elas necessitam desta assistência uma vez que formam a linha de frente do trabalho de cuidado não remunerado de familiares e amigos. Destacou também que o grupo é predominante em atividades remuneradas com maiores riscos de contágio — as mulheres correspondem a 80% e 90% das enfermeiras, técnicas de enfermagem e cuidadoras, além de faxineiras e domésticas.

Evolução da pandemia
Para Caveião, a pandemia ainda não evoluiu em todo o país, muitas pessoas precisarão dos serviços de saúde e não encontrarão recursos nestes locais para o atendimento necessário. “Muitos não estão levando a sério o isolamento e transitam sem nenhum cuidado, outros saem de suas residências porque são obrigados, para conseguirem o seu sustento e de sua família. Viveremos em períodos alternados de distanciamento social e retorno das atividades”, afirma.

quinta-feira, 28 de maio de 2020

Websérie: ‘Histórias da Grande Reserva Mata Atlântica’ exibe riquezas e curiosidades nunca contadas sobre o maior remanescente contínuo da floresta

Divididos em duas temporadas, episódios estão disponíveis gratuitamente no YouTube

Foto (divulgação):


Nesta semana em que se comemora o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio), uma boa dica é conhecer em detalhes este que é um dos biomas mais importantes para o país e para o mundo. A websérie “Histórias da Grande Reserva Mata Atlântica”, produzida pela SPVS (Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem e Educação Ambiental) e pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, retrata o maior remanescente contínuo da floresta, uma área de 1,8 milhões de hectares que abrange 46 municípios nos estados de Santa Catarina, Paraná e São Paulo.

Os 20 capítulos estão divididos em temporadas um e dois, com vídeos de 5 a 10 minutos de duração. Por meio de histórias de pessoas que vivem o dia a dia da floresta, como moradores, trabalhadores e pesquisadores, os episódios retratam a riqueza ambiental, histórica, cultural e arquitetônica da região, além de oportunidades de negócios baseados na conservação do bioma.

A iniciativa integra o movimento Grande Reserva Mata Atlântica, que busca resgatar e fortalecer os principais atrativos turísticos, culturais, de lazer, gastronômicos e naturais da região para garantir o desenvolvimento de cidades e comunidades situadas no bioma. Criado em meados de 2018, a iniciativa reúne cerca de 90 membros, entre empreendedores, instituições públicas, organizações da sociedade civil e indivíduos, em 46 municípios catarinenses, paranaenses e paulistas. “Com o movimento, buscamos unir atores de diferentes setores para fortalecer a região e aquecer a economia local, sempre aliando o desenvolvimento com o meio ambiente bem cuidado e protegido, que é o principal ativo da região”, afirma a coordenadora de Áreas Protegidas da Fundação Grupo Boticário, Marion Silva.

A primeira temporada da websérie destaca a importância da Grande Reserva (também chamada de Mini Amazônia), sua fauna, a rica vegetação, as pessoas que encontram nela um refúgio e um modo de subsistência. Os episódios retratam a região de Guaraqueçaba (PR) e a cultura do Fandango; as toninhas de Babitonga (SC); os muriquis de Carlos Botelho (SP); a Reserva Natural de Salto Morato (PR); o papagaio-de-cara-roxa; o Pontal do Paraná; e áreas que foram recuperadas na Reserva Natural Guaricica (PR).

A segunda temporada exibe capítulos que retratam a relação da população local com espécies nativas como a onça-pintada, que faz parte do grupo de animais em risco de extinção no Brasil. Os episódios ainda apresentam as tradições culturais dos índios Guarani Mbyá, da aldeia Pindoty de Paranaguá (PR); o Legado das Águas (maior reserva privada da floresta), a Estação Ecológica de Jureia-Itatins e o Parque Estadual da Ilha do Cardoso, todos localizados no estado de São Paulo; além de curiosidades sobre a Ilha do Mel e da baía de Guaratuba, no Paraná.

Sobre a Fundação Grupo Boticário:

Com 30 anos de história, a Fundação Grupo Boticário é uma das principais fundações empresariais do Brasil que atuam para proteger a natureza brasileira. A instituição atua para que a conservação da biodiversidade seja priorizada nos negócios e em políticas públicas e apoia ações que aproximem diferentes atores e mecanismos em busca de soluções para os principais desafios ambientais, sociais e econômicos. Já investiu cerca de R$ 80 milhões em mais de 1.600 iniciativas em todo o País. Protege duas áreas de Mata Atlântica e Cerrado – os biomas mais ameaçados do Brasil –, somando 11 mil hectares. Com mais de 1,2 milhão de seguidores nas redes sociais, busca também aproximar a natureza do cotidiano das pessoas. A Fundação é fruto da inspiração de Miguel Krigsner, fundador de O Boticário e atual presidente do Conselho de Administração do Grupo Boticário. A instituição foi criada em 1990, dois anos antes da Rio-92 ou Cúpula da Terra, evento que foi um marco para a conservação ambiental mundial.



Renato Santana de Jesus
Assessor de Imprensa

Achataram a Pirâmide de Maslow com a pandemia do Coronavírus

O que virá depois da quarentena?
Perdemos a capacidade de sonhar?
O Coronavírus não pode nos impedir de sonhar

O psicólogo americano Abraham Harold Maslow foi o criador da famosa Hierarquia das Necessidades Humanas, que utiliza uma pirâmide para demonstrar como o ser humano busca satisfazer suas necessidades (fisiológicas, segurança, afeto, estima e autorrealização). Para ele, primeiro precisamos realizar nossas necessidades fisiológicas (comida, moradia, saúde, emprego) para depois buscarmos a satisfação em autoconfiança, reconhecimento social, autocontrole, criatividade, entre outras coisas.
O que isto tem a ver com a pandemia de coronavírus?
Para Maslow, o ser humano cresce, se desenvolve, consome e busca a felicidade quando tem planos para a realização de seus sonhos. Em pesquisa recente realizada pelo time de Insights & Analytics Integrated Brasil do Google, os pesquisadores estão sugerindo que por conta da pandemia, os seres humanos e, portanto, consumidores, estão voltando ao mais básico, criando uma nova estrutura em termos de necessidades.
  1. Necessidades Funcionais: que envolvem finanças, segurança, informação e necessidade de uma redução na burocracia das organizações, uma maior exigência de rapidez e eficiência na resposta do atendimento aos clientes.
  2. Necessidades Emocionais: que envolvem saúde, nosso estado mental e emocional, nossa diversão, passado, pensamentos, relações e desejos.
  3. Necessidades Aspiracionais: que envolvem nossas demandas mais sofisticadas, como ser humano, conquistas, sonhos, pertencimento, identidade.
  4. Necessidades Sociais: que envolvem o consumidor enquanto indivíduo social, envolve a expansão de limites pessoais, incluindo, potencialmente, a experiência de ideias espirituais, como considerar-se parte integrante do universo
Além desta nova classificação, o estudo analisa o seu funcionamento durante a crise e a divide em duas etapas, chamadas de primeira e segunda onda. Na 1ª onda os indivíduos estão diretamente impactos pela crise pandêmica. Pessoas, empresas, organizações, governos, política e sociedade estão envolvidos e impactados, suas ações se baseiam em um cenário incerto e sem alternativas testadas. Já na 2ª Onda, vivemos os impactos de uma pandemia em andamento, mas com uma clara visão de que seu impacto será profundo, duradouro e muito além das expectativas de um curto período de tempo de reclusão e isolamento social.
A 1ª Onda gerou um cenário de insegurança e medo, onde a busca por informações sobre o que é o coronavírus, suas formas de contágio, os impactos nos empregos, na renda e nos negócios dominaram os sites de busca na internet. Necessidades emocionais, Aspiracionais e Sociais não figuravam como algo importante a ser analisado, ou algo para se preocupar.
Na 2ª onda, que aliás ainda não tem prazo para acabar, tomamos consciência do impacto da crise pandêmica, não sabemos quanto tempo irá durar, mas sabemos que além das necessidades funcionais, precisamos urgentemente de apoio emocional. O isolamento tem afetado claramente nossa capacidade de planejar o futuro, pensar em novas aspirações e sonhos para nossas vidas pessoais e profissionais.
Mesmo com o achatamento da pirâmide, nas duas ondas mencionadas no estudo, as necessidades sociais não aparecem no horizonte de futuros das pessoas, indicando que suas aspirações e emoções ainda estão abaladas, gerando preocupações para com o futuro.
Mas você deve estar se perguntando o que fazer em relação ao seu futuro, do seu negócio e clientes. Para o time de Insights & Analytics de Integrated Brasil do Google, existem caminhos a serem trilhados:
  • As empresas, governos, políticos e órgãos de classe devem mostrar que o futuro ainda pode ser bom, gerando nas pessoas a necessidade de planejar o futuro, a realização de sonhos, em suma mexer com suas aspirações;

  • Precisamos estimular o novo, o uso das novas tecnologias, a possibilidade de encontros online com amigos, parentes, pais e avós, mostrar que o distanciamento é apenas físico, mas que podemos estar juntos virtual e emocionalmente;

  • Que é possível encontrar apoio online, shows, música, filmes, missas e atendimento médico virtual, estudar e aprender com vídeos, textos, livros digitais, nos mantendo integrados em lives e transmissões nas redes sociais;

  • Precisamos diminuir a sensação de medo, de que o risco existe, mas que o isolamento social, a reclusão e o uso de máscaras são essenciais para nos mantermos seguros, e que a maior parte das pessoas sobrevive ao Coronavírus;

  • Que fazemos parte de uma empresa, escola, igreja, associação de classe, grupo de amigos que joga futebol, que pesquisam juntos, que pertencemos a algo maior que nos completa. O Coronavírus pode ter mudado a forma como vivemos nossa vida, mas não nos distanciou dos grupos a que pertencemos;

  • Crie grupos de discussão com amigos, clientes, pesquisadores, seja ajudado e ofereça ajuda a aqueles que estão sós, que estão se sentindo deixados de lado, que estão tendo dificuldades de gerir seus sentimentos devido a ansiedade e ao isolamento.
O que sabemos é que a crise gerada por esta pandemia será diferente para cada um de nós, para cada empresa, município, estado ou região, que afetará empregos e renda, o que precisamos fazer é recuperar nossa capacidade de sonhar, de realizar planos, de aspirar coisas novas em nossas vidas e para a nossa sociedade. Afinal de contas estamos todos na mesma tempestade, mas em barcos e distâncias diferentes do continente.

Autor: Elton Schneider é diretor da Escola Superior de Gestão e Negócios do Centro Universitário Internacional Uninter

Parabéns, Alexandre Kalil, o momento é de pensar e preservar a vida, vai vencer mais esse jogo, contra a Pandemia. Você sabe vencer jogos difíceis."Prefeito nota mil"

O Estádio Raimundo Sampaio, mais conhecido como Estádio Independência, já foi palco de jogos históricos, não só de times mineiros, mas também de jogos de Copa do Mundo. Construído para a copa de 1950, nele foram realizados três jogos daquele campeonato mundial: Iugoslávia 3 x 0 Suíça (dia 25 de junho de 1950),  Estados Unidos 1 x 0 Inglaterra (29 de junho de 1950) e Uruguai 8 x 0 Bolívia (2 de julho de 1950). Dentre os três jogos, chama atenção não só a goleada do Uruguai sobre a Bolívia, mas sobretudo a vitória dos Estados Unidos sobre a Inglaterra, considerada uma das maiores zebras da história do futebol.
O novo Estádio ficou muito bom: arquitetura moderna, cabines de imprensa adequadas, sanitários de excelente qualidade e bares internos com bom  atendimento. Pena que existem alguns problemas que maculam o Estádio: falta de estacionamento e alguns pontos cegos que impedem a visão dos torcedores.


Na foto acima, vista panorâmica interna do novo Estádio Independência

Alexandre Kalil, o melhor presidente que passou pelo Atlético Mineiro

O Circo Chegou, Respeitável Público

O circo foi a primeira forma de expressão artística que existiu no mundo, por isso não pode morrer.
Nas crianças estimula o sonho e a fantasia, nos adultos reanima as emoções e resgata a paixão pela vida.
É um universo de diversões, onde impera a magia e a criatividade; um palhaço conta uma piada já pensando na outra e com alegria brota um sorriso no rosto de uma criança.
Dentre os números mais difíceis está o malabarismo, que exige muito treino dos artistas.
Tenho uma relação de amor muito grande com o circo, porque na minha infância ele foi o instrumento de informação artística, educacional e social para mim.
Lembro-me quando o circo chegava no prata, era só alegria.
Ele nos fazia sair da rotina e criar uma curiosidade de conhecimento artístico e informação muito grande.
Durante sua permanência na cidade, era muito comum a meninada acompanhar o palhaço de perna de pau pelas ruas, para ganhar entrada franca nos espetáculos.
O refrão mais cantado pelos meninos era; hoje tem espetáculo tem sim senhor...hoje tem marmelada tem sim senhor...eu vou ali e volto já...vou apanhar maracujá!
Olha o sol...olha a lua...olha o palhaço no meio da rua!
Além de muita diversão os espetáculos circenses tinham sempre uma peça teatral, que nos proporcionavam um crescimento cultural muito grande.
Minha infância foi com sonhos de imaginação de criança; andar de bicicleta, jogar futebol, andar a cavalo, soltar pipas, jogar sinuquinha, jogar birosca e finca,  andar de patinetes, nadar no rio prata, tomar ducha nas cachoeiras, ir aos circos, etc.
Tivesse eu que voltar ao ponto de partida, afirmo que faria tudo de novo quanto fiz até hoje, passaria pelos mesmos caminhos.
Embalados pelos sonhos da infância, na juventude mudei os meus rumos e criei o hábito da leitura, ler bons livros é o meu divertimento principal até hoje.
Com os artistas circenses aprendemos a lição; pelo fato de viajarem muito, interagem rápido e bem com as pessoas, tratam todas elas com a devida importância, onde sua verdadeira recompensa são os aplausos.
Como se dissessem; esqueçam os sentimentos e se concentrem no modo como tratam uns aos outros.
Como as ações humanas são impulsionadas pelas consequências de comportamento, faz muitos anos que passo meu aniversário em um circo, neste dia gosto de me presentear assistindo a um espetáculo circense.
Hoje, se ficar muito tempo sem assirtir um espetáculo circense, evidente que alguma coisa vai estar faltando em minha vida.
E é algo muito importante, óbvio o circo.

Cristóvão Martins Torres

Palhaçada com toda a estrutura, sim, senhor!

O TEMPO

“Há 30 anos, quase todos os bairros de Belo Horizonte tinham um circo. Era só falar na associação do bairro, achar um terreno e erguer sua lona. Mas, com o crescimento das cidades, a especulação imobiliária, a burocracia para ter o mínimo de infraestrutura, ficou cada vez mais difícil. Parece que começaram a nos rejeitar”, observa com desgosto Waldir Braga, 53, o Palhaço Pimentão, morador de Ibirité, na região metropolitana, que há meio século sobrevive de fazer os outros rirem.
O cenário de abandono da atividade circense na capital, porém, parece ter tido uma reviravolta animadora agora. Isso porque, após dez anos de reivindicações da classe artística, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) finalmente assinou um termo de cooperação, nesta semana, para construir o Centro de Referência do Circo, já apelidado de Cidade do Circo. As obras do projeto, que contou com apoio e divulgação do humorista Dedé Santana para sair do papel, estão previstas para começar em dezembro, mas ainda não há data de inauguração. A Cidade do Circo vai ocupar um terreno de 12 mil metros quadrados na antiga Estação Ferroviária da Gameleira, com dezenas de atividades, incluindo uma pioneira formação profissional.
O local, abandonado há décadas pelo poder público, resgata os primórdios da atividade circense no Estado. “Há muitos anos, artistas do circo usavam a linha férrea para se deslocar para Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia e o interior de Minas. De alguma forma, eles estarão próximos de novo de suas raízes. E, principalmente, terão um espaço nada burocrático para levantar suas lonas, estudar, trocar informações”, avalia Sula Mavrudis, fundadora da Rede de Apoio ao Circo (RAC), que encabeça a proposta.
Na prática, a Cidade do Circo será um grande complexo dividido em várias áreas. Na Escola do Circo, por exemplo, um caráter prioritário será a formação profissional. Além de workshops, oficinas e cursos livres, uma parceria com a Spasso Escola de Circo irá trazer formação reconhecida pelo Ministério da Educação (MEC) para trapezistas, malabaristas, mágicos, entre outros. Com a medida, a capital mineira será inclusa nos poucos locais que fornecem formação profissional para palhaços, como acontece hoje apenas na Escola Livre de Palhaços e na Escola Nacional do Circo, ambas no Rio de Janeiro.
Cristiano Penna, palhaço do grupo Fanfalhaça, há 20 anos atua na formatação de oficinas e agora será um dos parceiros a ministrar o curso profissional de palhaços na Cidade do Circo. “Nós trabalhamos principalmente no interior, com oficinas de 20 a 50 horas de duração e nem sempre é suficiente. Nossa tradição é o ensino familiar, a aprendizagem do ofício de palhaço meio na marra. Agora, teremos a chance de fazermos um curso mais longo, similar a uma faculdade, incentivando a formação de palhaços diversos”, avalia Penna.
Além da formação, a Cidade do Circo vai dedicar um espaço para abrigar circos itinerantes – tentando sanar o principal problema das pequenas lonas. A proposta é abrigar um circo de até 30 m circulares de cada vez, com permanência média entre uma e duas semanas, tendo à disposição estrutura completa de água, luz, banheiros, área para lavagem de roupas e descanso e espaço para acomodação dos trailers.
A novidade é um alento para os cerca de 130 circos itinerantes de Minas Gerais. Para Xisto Siman, responsável pelo Circovolante – Festival Internacional de Circo, que aconteceu recentemente em Mariana reunindo centenas de grupos do Brasil e do mundo, esta será a chance para vários grupos do interior do país se deslocarem para a capital. “Quando as trupes tiverem uma referência fixa de espaço, naturalmente elas vão preenchê-lo. Além disso, a Cidade do Circo também vai atiçar a curiosidade de grupos de teatro por pesquisas no circo-teatro. Com a parte educacional, haverá uma importante construção da memória do circo, os artistas poderão estudar a fundo”, avalia Siman.
A estrutura educacional, aliás, pretende ser reforçada com a criação de um Centro de Memória do Circo, reunindo material jornalístico, audiovisual, fotos e registros de entrevistas com personagens fundamentais da história da arte em Belo Horizonte.

Essa é a oportunidade que Waldir Braga, o Palhaço Pimentão, espera para trazer a família de volta ao Fantástico Circo Show, que estreia nova temporada em Belo Horizonte no próximo dia 5, no Alípio de Melo. Com as dificuldades dos últimos anos, dois dos três filhos que trabalhavam no circo tiveram que conciliar a arte com outros empregos. “A família é formada por 12 pessoas, e todo mundo era sustentado pelo circo. Hoje, um também trabalha na manutenção elétrica e o outro com montagem de móveis. Diminuiram as apresentações por falta de espaço, mas espero frequentar bastante a Cidade do Circo. Por que, na tristeza ou na alegria, eu posso te garantir que minha vida é ser palhaço”, diz Walmir.

O Tempo