quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Amor traz mais felicidade que dobrar o salário, diz pesquisa

Ter uma boa saúde mental e estar em um relacionamento deixam as pessoas mais felizes que dobrar sua renda, aponta um novo estudo. A pesquisa feita pela London School of Economics, no Reino Unido, analisou as respostas de 200 mil pessoas de Austrália, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos sobre os fatores que mais influenciam sua sensação de bem-estar.

De acordo com o psicólogo Gustavo Teixeira, mestre em análise do comportamento, o resultado não é surpreendente. “O que traz bem-estar são as funções sociais, e não as coisas em si. Como seres sociais, era esperado que as relações fossem mesmo fonte de grande bem-estar ou, também, de grande sofrimento. Portanto, apostar em bons relacionamentos é uma aposta em um retorno maior (em felicidade)”, racionaliza.

Segundo a pesquisa, em uma escala de um a dez, dobrar o salário de alguém eleva sua felicidade em menos de 0,2, segundo o estudo. Os pesquisadores dizem que isso se deve ao fato de as pessoas se importarem mais com sua renda em comparação com a dos outros do que com como isso as afeta.

Já estar em um relacionamento elevou a felicidade em 0,6 – e perder um parceiro, seja por causa de uma separação ou de morte, teve o mesmo impacto no sentido contrário. O maior impacto foi gerado por sofrer de depressão e ansiedade. Na pesquisa, o nível de felicidade caiu 0,7.

“Nós nascemos da espécie humana e nos tornamos humanos a partir da relação com o outro, que nos ajuda a entender quem somos, nos apresenta a cultura, a linguagem, os valores”, diz Teixeira.

Prevenção. A pesquisa aponta ainda que o principal fator para prever a satisfação de uma pessoa com sua vida adulta é sua saúde emocional durante a infância. “A maioria das pesquisas sobre o bem-estar infantil se concentra no desempenho acadêmico, que é muito afetado pela renda familiar. Mas a saúde emocional de uma criança é mais determinante no seu bem-estar no futuro. Isso pode ser impactado em alguma medida pela renda familiar, mas, acima de tudo, depende da saúde mental da mãe”, traz o texto da pesquisa, segundo a rede BBC.
Diante desses resultados, o coautor do estudo, Richard Layard, defende ser necessário que governos desempenhem um papel diferente para contribuir para a felicidade dos cidadãos. Em vez de se preocuparem com a “geração de riqueza”, eles deveriam se concentrar na “geração de bem-estar”.

“No passado, o Estado combateu incansavelmente a pobreza e o desemprego e problemas na educação e de saúde física. Mas é igualmente importante hoje fazer o mesmo com a violência doméstica, o alcoolismo, a depressão e a ansiedade e o isolamento de jovens, entre outros. É isso que deveria estar no centro das atenções”, disse ele à BBC.
Grau de felicidade. No Butão, na África, em vez de medir o bem-estar da população com o PIB, essa métrica é feita de acordo com o índice de felicidade, que leva em conta diversas questões.

Brasil. Grande parte da população ainda não conquistou o básico, como acesso à saúde, diz Gustavo Teixeira. Ações de geração de renda são centrais.
O Tempo

quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Sérgio Moro diz ser 'lamentável' ação de Lula contra Polícia Federal


O Tempo

PEDIDO

PUBLICADO EM 08/12/16 - 21h26

O próprio Moro é alvo de uma ação movida pela defesa de Lula por abuso de autoridade






"Lamentável que autoridades públicas, no exercício de seu dever legal, fiquem sujeitas a retaliações por parte de investigados ou acusados que confundem o exercício do dever funcional com ilícitos." Assim o juiz federal Sérgio Moro, dos processos em primeira instância da Operação Lava Jato, deferiu acesso à Advocacia Geral da União, em despacho desta quinta-feira, 8, para que ela defenda a Polícia Federal em ação movida pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, contra a equipe de investigações do caso Petrobras.
O próprio Moro é alvo de uma ação movida pela defesa de Lula por abuso de autoridade.
Lula foi indiciado pela PF em julho e é alvo de pelo menos outros quatro inquéritos da Lava Jato em Curitiba. Sua defesa moveu ação de indenização contra o delegado Filipe Hille Pace, em que cobra R$ 100 mil por danos morais. O petista pede reparação pela associação de seu nome ao "Amigo", identificado nas planilhas de propinas da Odebrecht.
No despacho, o juiz da Lava Jato informa que a autoridade policial comunicou o juízo que Lula, por meio de seus advogados de defesa, moveram ação de indenização contra um delegado "em decorrência de atos praticados no exercício de sua função". A ação nº 1027158-14.2016.8.26.0564 tramita na 5ª Vara Cível, em São Bernardo do Campo (SP).
A AGU, que assumiu a defesa da equipe da Lava Jato, pediu acesso a dois procedimentos criminais sob a guarda de Moro.
"O interesse público reclama o deferimento do requerido para que a defesa da autoridade policial não fique prejudica, já que a demanda não é apenas contra ela, mas também contra o serviço policial federal", registra Moro, em seu despacho, em que deferiu acesso à AGU, aos autos.
Danos morais
A defesa do ex-presidente Lula quer que o delegado da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba pague ao petista R$ 100 mil por danos morais após afirmar, no relatório de indiciamento do ex-ministro Antonio Palocci, que o codinome "Amigo" na planilha de propinas encontrada com executivos da Odebrecht seria uma referência ao ex-presidente.
"O réu inseriu em documento público afirmação ofensiva e mendaz relativa ao autor - sobre tema que sequer estava sob sua esfera funcional", assinalam os criminalistas Roberto Teixeira, Cristiano Zanin Martins, Maria de Lourdes Lopes e Mauro Roberto G. Aziz, que defendem o petista.
"Tal fato teve grande repercussão em São Bernardo do Campo, onde reside o autor, assim como em todo Brasil e no exterior", segue a ação.
Pace indiciou Palocci em outubro, o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht e outros quatro investigados por corrupção no inquérito da Lava Jato que apura se o ex-ministro teria atuado para beneficiar a empreiteira no governo federal.
"Luiz Inácio Lula da Silva era conhecido pelas alcunhas de 'Amigo de meu pai' e 'Amigo de EO', quando usada por Marcelo Bahia Odebrecht e, também, por 'Amigo de seu pai' e 'Amigo de EO', quando utilizada por interlocutores em conversas com Marcelo Bahia Odebrecht", diz o relatório do delegado.
O Tempo

Sexo casual ainda é tabu, mas é grande aliado contra o estresse

“Amizade colorida”, “amigos com benefícios”, “sexo sem compromisso”. Parece lista de comédia romântica de Hollywood. Mas não importa como você prefira chamar o sexo casual, fato é que ele está cada vez mais presente em nossa sociedade, principalmente com a crescente oferta de aplicativos que vão direto ao ponto: encontros casuais, sem a necessidade de um vínculo afetivo. Apesar de ainda ser uma relação certas vezes ligada a arrependimento ou ressaca moral, ela pode ser encarada com mais naturalidade, principalmente como fonte poderosa contra o estresse.
Essa pelo menos é a mensagem promovida por um vídeo educativo no site Science of Us, que se baseia nas conclusões da pesquisa dirigida pela professora de sexualidade humana Zhana Vrangalova, do departamento de Psicologia da Universidade de Nova York, nos Estados Unidos, que observou a reação emocional de 371 universitários após manterem ou não relações sexuais ocasionais.
Segundo o jornal “El País”, uma das conclusões foi que, diferentemente das pessoas que não se interessavam em ir para a cama com alguém que não fosse seu parceiro habitual, quem recorria ao sexo casual experimentava uma maior sensação geral de bem-estar – aumentando, inclusive, a autoestima.
“Qualquer encontro erótico satisfatório, seja sem compromisso ou com o parceiro estável, traz todos os tipos de benefícios, tanto em nível orgânico como para o estado de ânimo. Equilibra e melhora os níveis de estresse, as endorfinas e a serotonina, entre outros”, afirma Ana Fernández Alonso, sexóloga, presidenta da Associação Asturiana para a Educação Sexual (Astursex) e membro da Associação Estatal de Profissionais da Sexologia (AEPS).
Diferença. Por outro lado, esses benefícios não são aproveitados por todos. Zhana Vrangalova menciona um estudo realizado com 20 mil estudantes universitários que observou que 80% dos homens tiveram orgasmo na última relação sexual, enquanto isso só aconteceu para 40% das mulheres. Em uma pesquisa com 311 universitários, 82% dos homens entrevistados após uma noite de sexo casual afirmaram estar felizes com o que fizeram. Entre as mulheres, o número foi de 57%.
Entre mulheres, os relatos dão conta de vergonha e culpa. Nos homens, o arrependimento está ligado aos atributos físicos da parceira.
Ou seja, por mais abertas que algumas pessoas estejam com relação à possibilidade de um encontro casual, não se pode negar que o tema ainda é tabu. “Nossa sociedade ocidental é muito influenciada por questões morais derivadas de certas ideologias religiosas, que condenavam qualquer conduta erótica que não fosse no marco do casamento estável. E continuamos ancorados nisso”, afirma Ana Fernández Alonso.

CASUALSEXPROJECT.COM

Site abriga relatos de quem se aventura

Em 2014, a professora de sexualidade humana da Universidade de Nova York Zhana Vrangalova passou a dedicar seus estudos sobre o efeito do sexo casual em estudantes. Ela se dizia farta de ouvir sobre os benefícios da relação com amor e inconformada em aceitar que essas vantagens não seriam encontradas nos encontros casuais.
Assim, ela monitorou os efeitos do sexo casual em um grupo de estudantes universitários por 12 semanas consecutivas. Depois, voltou a acompanhá-los após um semestre e, então, um ano.

Com base em um vasto material adquirido no estudo, a terapeuta resolveu lançar o portal Casualsexproject.com, em que as pessoas compartilham suas experiências. Os relatos são bastante variados – alguns lembram até contos eróticos. “Ela ficou de pé e se inclinou, pedido para ser possuída no estilo ‘cachorrinho’”, relatou um usuário. “Então nos abraçamos e começamos a nos beijar apaixonadamente”, relatou outro participante do site.
O Tempo

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Tempos de crise

O Tempo

Meu Dinheiro

PUBLICADO EM 07/12/16 - 03h00


Em tempos de economia instável é bastante difícil guardar dinheiro, ainda mais para fazer uma reserva financeira. Porém, entendo que é nesse momento que preciso manter a disciplina. Como continuar poupando quando o orçamento está apertado? Qual deve ser o foco: reduzir as despesas para continuar poupando, reduzir o valor mensal das economias ou suspender as economias por um período planejado? (Flávia – Contagem/MG)
Flávia, a sua pergunta já traz a resposta. Em qualquer situação é importante manter a disciplina de poupar, pois com os recursos economizados é que será possível realizar seus sonhos. Entre as suas estratégias para concretizá-los deve estar a formação de uma reserva financeira que, também, lhe permitirá tranquilidade diante dos imprevistos que, por ventura, venham a acontecer na sua vida. E como fazer isso em um cenário de crise, que acaba trazendo aperto para o orçamento, uma vez que os ganhos já não aumentam como antes e os gastos estão tão altos?
É uma boa pergunta e, talvez, a única resposta para ela seja: começar a refletir sobre os nossos hábitos financeiros. É importante perceber que se existe algo positivo em um momento como o que estamos vivendo é o fato de que o contexto nos obriga a repensar nossas rotinas e a corrigir alguns hábitos financeiros. Em momentos de euforia econômica, como o Brasil viveu em um passado recente, é comum desenvolver hábitos ruins que podem acabar mascarados pelas condições favoráveis da economia.
Agora, vivemos outra realidade. Hábitos ruins, como não ter o controle do orçamento, com certeza, trarão resultados desagradáveis para a vida financeira. Por isso, mais do que nunca, é fundamental saber onde o dinheiro está sendo gasto e, a partir disso, repensar as escolhas, definindo claramente quais são as prioridades. E, assim, se não está sobrando dinheiro para guardar, e essa é uma prioridade, temos que fazer sobrar. O primeiro e importante passo nesse processo de repensar os hábitos financeiros é eliminar os desperdícios, reduzindo os gastos dos quais não usufruímos dos benefícios.
Controlar o consumo de energia não deixando a luz acesa em ambientes vazios, desligar aparelhos que não estão sendo utilizados. Será que assistimos a todos os canais do pacote da assinatura da TV? Um pacote mais básico não nos atenderia? E em relação ao telefone celular? Será possível trocar o pacote ou mesmo mudar de operadora buscando uma redução de custos? Em relação aos gastos no supermercado, duas atitudes simples podem trazer uma boa economia: fazer uma lista de compras para adquirir somente o necessário e pesquisar os preços, pois, com o aumento da inflação, cresceu também a diferença entre os preços nas diversas redes de supermercados. No lazer também é possível buscar formas de diminuir os gastos. Para aqueles que têm filhos, uma boa alternativa é trocar os passeios com gastos elevados, como ir ao cinema, por atividades ao ar livre em praças e parques. Para os adultos, as saídas para bares e restaurantes podem ser substituídas por encontros gastronômicos em casa ou na residência dos amigos.
Por tudo isso, percebemos que o grande erro das pessoas é se acomodar no momento da crise, já que é mais fácil deixar de guardar dinheiro do que repensar os próprios hábitos. Não cometa esse erro. Continue priorizando os seus sonhos, mesmo na crise.
Os leitores interessados em adquirir o livro “Meu Dinheiro 2”, lançado no último dia 24 de novembro, podem enviar um e-mail para cefcosta@hotmail.com que retorno com as indicações de como proceder. No livro são discutidos temas importantes sobre finanças pessoais de uma forma que ajude aos leitores a melhorar o seu relacionamento com o dinheiro. Agradeço os elogios dos leitores que já estão lendo o “Meu Dinheiro 2”!
Mandem dúvidas e sugestões para o e-mail carloseduardo@harpiafinanceiro.com.br
O Tempo

De camelô a empresário

O Tempo

EXPOSIÇÃO

Mostra no Museu da Imagem e do Som de São Paulo abre nesta quarta (7) mostra sobre a trajetória do fenômeno Silvio Santos

PUBLICADO EM 07/12/16 - 03h00






SÃO PAULO. Cerca de 400 peças representam os momentos mais importantes da vida e da carreira de um dos mais importantes nomes da comunicação brasileira na exposição “Silvio Santos Vem Aí!”, que abre nesta quarta (7) no Museu da Imagem e do Som (MIS) de São Paulo, com entrada a R$ 12 e a R$ 30.
A mostra é aguardada por reunir raridades sobre o apresentador Silvio Santos, 85. Há áudios do dono do SBT na rádio Nacional do Rio, nos anos 50, vídeos de programas clássicos que ele apresentou, LPs, fotos, textos explicativos e revistas em que Silvio Santos saiu, como ele mesmo e até como um rebelde sem causa, em uma fotonovela de 1958.
“Depois da mostra sobre o programa ‘Castelo Rá-Tim-Bum’, percebemos que a televisão caberia tranquilamente em uma exposição. A mostra sobre o cineasta Tim Burton foi a primeira que fizemos com o homenageado vivo. Então, queríamos unir as duas coisas e chegamos ao nome do Silvio Santos”, explica Gabrielle Araújo, cocuradora da exposição.
Mas a mostra não se limita a narrar a trajetória do apresentador. “Silvio Santos Vem Aí!” se confunde com o próprio nascimento da comunicação brasileira. O visitante poderá ver, por exemplo, as primeiras câmeras usadas em transmissões televisivas.
“É uma justa homenagem a todos que fizeram e fazem TV no Brasil”, diz Elmo Francfort, consultor e diretor do Museu Pró-TV, entidade parceira do MIS na exposição.
A enfermeira Denise Castilho, 36, fã de Silvio, está ansiosa. “Será interessante ver a trajetória de alguém que começou do nada e chegou a ser dono de uma emissora de TV que, mais do que uma empresa, parece uma família”, afirma ela.
A mostra é ainda a oportunidade de saber mais sobre um homem famoso por não dar entrevistas. O motivo seria o alerta de uma cigana: ela teria dito que, se ele desse entrevista, morreria no dia seguinte.
Ajuda. O MIS contou com uma ajuda especial para montar a exposição “Silvio Santos Vem Aí!”. Dono de cerca de mil itens relacionados ao apresentador, o produtor de vídeos Levy Fioriti emprestou algumas de suas preciosidades para a mostra.
Há 15 anos, ele pesquisa a carreira de Silvio Santos. Mas a admiração vem de antes. “O Silvio fez parte da minha infância. Lembro com carinho dos domingos na casa da minha avó com ele na televisão”, conta.
Foi o apresentador que despertou em Fioriti, hoje com 32 anos, a vontade de saber mais sobre os bastidores da televisão. “Quando a internet surgiu, no fim dos anos 90, procurava na web histórias e objetos interessantes, e não encontrava. Passei eu mesmo a procurá-los. Como o Silvio tem muitas histórias, passei a focar nele”.
Seu interesse fez com que achasse relíquias do apresentador, como uma fotonovela de 1958 (em que Silvio é um jovem encrenqueiro) e a capa da revista “Melodias”, de 1971, em que ele aparece careca (uma montagem feita pela publicação).
Sobre esta, Fioriti conta uma história interessante: “A revista pertencia a Plácido Manaia Nunes, grande amigo de Silvio, e estava com dificuldades financeiras. O próprio apresentador sugeriu que ele aparecesse na capa, sem cabelo, para alavancar as vendas. Deu certo”, conta.
A curadoria do MIS ainda tenta restaurar a capa pertencente a Fioriti para expô-la antes que a mostra chegue ao fim, em março.
O Tempo

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Não vai ser fácil levar essa Taça nem comemorar

O Tempo
Chico Maia

PUBLICADO EM 06/12/16 - 03h00

Assim como o Grêmio fez 3 a 1 no Mineirão, o Atlético pode construir um placar que lhe interessa em Porto Alegre, levando a decisão para os pênaltis ou até obter a conquista no tempo normal. É jogo entre gigantes, em que os nervos estarão à flor da pele de ambos os lados e qualquer resultado é imprevisível. Difícil para qualquer um. Mas difícil mesmo será o pós-jogo. Seja quem for o campeão da Copa do Brasil, não será fácil comemorar, levantar a taça e partir para a festa. Jogadores, dirigentes e imprensa do Brasil inteiro continuam quase em estado de choque pelo ocorrido com a Chapecoense. Se uma pessoa morta, abala, imagine 71 colegas de atividade!
Crer, desconfiando I
No sábado, a imprensa nacional deu destaque para as bandeiras da Galoucura e Máfia Azul, lado a lado, harmonicamente, na Arena Condá, estádio onde os corpos do voo da Chapecoense estavam sendo velados em Chapecó.
Crer, desconfiando II
Domingo li na Gazeta Esportiva: “… Em uma cena que seria difícil de imaginar não fosse o atual contexto pelo qual o futebol está passando, a Independente, do São Paulo, a Gaviões da Fiel, do Corinthians, a Mancha Verde, do Palmeiras, e a Torcida Jovem, do Santos, levantaram todos as suas bandeiras que levam as cores de seus times de coração, no entanto, para entoar o mesmo grito: o de solidariedade pela Chapecoense…”
Crer, desconfiando III
Cenas como estas estão sendo registradas em todo o país, em que inimigos (sim, entre grupos como esses não há rivalidade, mas ódio e outros interesses) se confraternizam neste momento de comoção mundial. Infelizmente eu sou obrigado a ficar ressabiado da mesma maneira que o experiente e ótimo jornalista Sérgio Xavier Filho, que twittou: @sxavierfilho “Da série “tomara que eu esteja enganado”: o tal ato das organizadas no Pacaembu é o dia de bonzinho do Tony Soprano”. O passado dessa turma nos leva à desconfiança e nos faz pensar em ações de oportunismo.
Sem defesa
Afirma a Declaração dos Direitos do Homem que “todo acusado tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa”. No entanto, será que este Miguel Quiroga, o piloto que não obedeceu as normas de voo, merece ter estes mesmos direitos?
Nada a ver
Muita gente diz que devemos aceitar essa tragédia como “desígnios de Deus”. Não dá! Foi ganância, tragédia anunciada, que pegou a Chapecoense, mas poderia ter sido a seleção da Argentina ou uma das outras quatro delegações que viajaram com essa LaMia, com limite de voo sem direito a nenhum imprevisto. Só que, nessa roleta-russa do piloto Quiroga, dessa vez, houve um contratempo.
Desapego
Ao contrário de incontáveis jogadores de futebol e outros profissionais do mundo do esporte que não sabem o momento certo de parar, o piloto Nico Rosberg surpreendeu sexta-feira ao anunciar que chegou onde queria: campeão mundial de Fórmula 1, pronto para parar, no auge da carreira, com o objetivo de vida cumprido, aos 31 anos. Demonstração de controle da própria vaidade.
Menos mal
O vice-presidente do Internacional, Fernando Carvalho, que foi infeliz ao dizer que o clube dele também passa por uma “tragédia”, pediu desculpas e disse que “se cair, o Inter cairá com dignidade”. Ainda bem. Trata-se de um dirigente que sempre foi muito respeitado como um dos mais sérios e brilhantes do futebol brasileiro. Deu uma derrapada em uma frase, enfrentou as consequências, mas está consertando. Por ser gente do bem, estará absolvido pelo público em geral já, já.
Boa força
Direto de Luque (da grande Assunção/Paraguai), o site oficial da Confederação Sul-Americana de Futebol informou ontem à tarde: “CONMEBOL otorga el título de Campeón de la #CopaSudamericana 2016 a Chapecoense”. Muito bom, e não é pouca coisa. Garante o time catarinense na Libertadores 2017 e decisão da Recopa, justamente contra o Nacional de Medellín, que foi o autor da ideia de dar do título à Chapecoense.
O Tempo

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Governo de Minas decreta calamidade financeira

O governo do Estado anuncia como será pago o 13º do funcionalismo nesta quarta-feira. A expectativa é que o benefício também seja parcelado, como já vem ocorrendo com os salários. O decreto de calamidade financeira pode ajudar a justificar o parcelamento e evitar ações judiciais dos servidores.

Neste ano, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul decretaram estado de calamidade financeira. A legislação brasileira não especifica esse tipo de calamidade, mas acredita-se que um decreto assim possa flexibilizar alguns itens da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), como cumprir prazos de controle de despesas de pessoal.
O Tempo