sábado, 28 de fevereiro de 2026

 "Recomendo, bom passeio para final de semana"


Fazenda da Vargem, muito bem cuidada...Grandes lembranças de uma época que não volta mais, mas continua viva nos nossos corações...Muitas energias boas...Uma relíquia para a cidade de Nova Era, óbvio, para todos os familiares, também...Muito orgulho, como familiar, em fazer parte dessa linda história...Muito gratificante em ver a Fazenda da Vargem bem cuidada e muito visitada por turistas de toda parte do país...O livro de assinaturas de visitantes, na entrada da fazenda mostra isso, muito visitada por turistas o ano todo....

 



Foram tempos de calma e tranquilidade para um homem dinâmico, Antonio Andrade Martins da Costa - Vô Tineco


Com seu dinamismo na condução de seus negócios na área rural, onde administrou a fazenda da vargem com criatividade, perspicácia e muita paixão e seu caráter discreto, mas genial, o nosso Avô Tineco nos deixou um grande legado que vai muito além da fazenda da vargem.
Sua contribuição imensurável na criação de seus filhos, foi fundamental para que, hoje, seus netos se sintam orgulhosos de pertencer essa prole maravilhosa que ele construiu, juntamente com Vovó Alice Vidigal.
Revivendo uma parte da minha infância que passei aí na fazenda da vargem, juntamente com mamãe, cujos preciosos conselhos estão sendo ouvidos até hoje, dados por Vô Tineco, tem um que não esqueço; "não puxa o rabo de duque que ele te morde".
Bons tempos, velhos tempos que não voltam mais!
Ainda por algumas horas, gostaria de poder reviver, a alegria de viver esses momentos.

Cristóvão Martins Torres


Vô Tineco


A Mula Palmeira volta para casa

Na década de 50, meu avô Tineco tinha uma mula pêga, animal resistente, adequado para longas viagens. Nela viajou por toda a região do Prata, Nova Era e de Itabira.
Após a morte de meu avô, o animal, que o serviu por longo tempo, teve tratamento especial por parte da família: tio Feliciano, que morava na Fazenda da Vargem, reconhecendo os serviços que Palmeira tinha prestado a meu avô, deu a ela tratamento especial, concedendo-lhe um dos melhores pastos da fazenda. Palmeira havia se tornado um animal de estimação da família.
A atividade leiteira era uma tradição na Fazenda da Vargem, passando de geração para geração. Na década de 50 a fazenda se tornou uma referência na produção de leite e, além disso, produzia arroz, feijão, café, milho e gado de corte de boa raça.
Desde a sua inauguração, a Fazenda da Vargem passou por três gerações da família, tendo sido meu avô Tineco seu último dono. Após seu falecimento, a fazenda encerrou suas atividades produtivas.
Na década de 60, em uma de minhas idas à Fazenda da Vargem, meu tio Feliciano me ofereceu a Mula Palmeira. Por ter sido ela um animal de estimação de meu avô, aceitei, com muito gosto, aquele presente do tio Feliciano. Acompanhado do amigo José Helvécio, segui para o Prata no lombo da mula, que, por já estar muito velha e ter uma deficiência no casco da pata esquerda, mancava muito. Além disso, Palmeira parava a todo instante, olhava para trás, em direção à fazenda, demonstrando querer ficar na casa onde tanto tempo tinha vivido. Por isso demoramos muito para chegar ao Prata.
A viagem foi longa e divertida. Saímos da fazenda após o almoço e chegamos ao Prata quando já estava escurecendo.
Quando chegamos ao Prata, meu pai ficou emocionado ao ver Palmeira, pois sabia que ela era o animal de estimação de Tineco. Em tom de espanto, disse: “- está ficando louco? Volta com essa mula para a Vargem! Ela não vai se adaptar aqui! O quintal é pequeno para ela, ela está acostumada com pastos grandes.”
Soltamos Palmeira no quintal da nossa casa. No meio da madrugada, acordamos todos com muito barulho: Palmeira estava batendo suas patas no portão, até que ele arrebentou. A barreira que impedia Palmeira de voltar para sua casa, a Fazenda da Vargem, caiu.   
O motivo que fez Palmeira voltar para a Fazenda da Vargem foi a saudade de seu verdadeiro lar. Mas, no Prata, a versão que ficou, e que passou a integrar o folclore da cidade, foi a seguinte: como Palmeira tinha uma falha grande na dentição superior, eu teria pedido a meu pai para fazer uma dentadura para a mula. Ele teria se negado a fazer a dentadura, e Palmeira, chateada com isso, teria nos deixado.

Cristóvão Martins Torres



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