sexta-feira, 5 de maio de 2017

Consulado em Portugal une apaixonados pelo Galo e vira família

Para aqueles que optam por construir uma vida longe de seu país de origem, a saudade da terra natal, dos familiares, do clima e até da gastronomia local se coloca como um grande obstáculo. Para atleticanos que vivem fora de Minas Gerais, a distância do time do coração também pesa. Por isso, alguns torcedores têm criado uma forma de fortalecer a paixão pelo Galo e se unir com outros fanáticos.
Foi o que Thiago Lisboa fez em Portugal. O atleticano mora no país europeu há 23 anos e teve a ideia de criar um consulado do Galo depois que o time foi campeão da Copa Libertadores 2013. A campanha alvinegra no torneio fez o torcedor sofrer e extravasar sozinho em horário inapropriado, já que as partidas eram transmitidas de madrugada em Lisboa, pelo fuso horário diferente do Brasil.
O aficionado decidiu arrumar um local mais adequado para assistir os jogos, de preferência, com outros atleticanos empolgados com o novo momento que o time atravessa depois do título inédito da Libertadores. Assim nasceu o PortuGalo.
“Foi quando o Atlético foi campeão da Libertadores, em 2013. Com o fuso horário, era umas 4h da manhã. Eu gritei em casa quando o Victor defendeu um pênalti depois dos 90 minutos, no jogo contra o Tijuana. E acordei toda a gente em casa! Nesse dia, eu disse: ‘Não, não pode ser’. A mulher estava ‘ahhh!’, com o meu filho pequeno, com dois anos de idade. Eu disse: ‘Não, eu tenho que arranjar aqui alguns outros malucos’. Foi uma necessidade que eu tive”, contou Thiago, fundador e presidente do consulado, ao portal luso Público.
Distante da família, Thiago usou a reunião com atleticanos também como pretexto para criar novos vínculos de amizade em Lisboa. Os encontros acontecem em um bar de brasileiros do Rio de Janeiro, que parece ser temático nos dias de jogos, já que fica totalmente decorado com bandeiras e camisas do Atlético.

“Nós temos três funções principais. A primeira é o jogo do Galo. Estamos aqui todos reunidos em volta do Galo. Segundo é a integração dos 'atleticanos' que vêm de fora e estão aqui de passagem. O terceiro ponto é a integração com a comunidade local”, disse.
“Nunca pensei que fosse ganhar esta dimensão em tão pouco espaço de tempo. Nós passamos de sete pessoas no nosso primeiro encontro este ano, já vamos no nosso sexto encontro oficial e estamos com uma média de quase 30 pessoas. É muita coisa…”, comemora Thiago, que explicou que, pelo horário dos jogos, nem sempre é possível realizar as reuniões do PortuGalo. A meta é de pelo menos dois jogos por mês.
Referência
O PortuGalo é hoje o maior consulado do Atlético na Europa. São 51 comunidades no total, 36 no Brasil e 15 em outros países. O clube mineiro já vinculou o grupo e impulsiona a divulgação dos encontros pelas redes sociais.
No ano passado, o PortuGalo promoveu um encontro com outros consulados europeus, com a participação do Coq Fou (Galo Doido) de Paris, MadruGalo, de Barcelona, Consulado Galo Dublin, na Irlanda, e o Galondres, da capital inglesa.
A reunião ocorreu em Barcelona e contou com cerca de 50 atleticanos, com direito a cerveja e muito tropeiro. O próximo, este ano, será em Lisboa, e segundo o presidente do PortuGalo, terá a presença de membros da diretoria alvinegra.
Para além do futebol
Outros membros do consulado comentaram também sobre a importância que o PortuGalo tem na trajetória dos brasileiros como imigrantes.
“É mais do que encontrar uma torcida, encontrei uma família, que me acolheu e fazemos parte dela com muita raça e com muito orgulho, como diz o nosso hino”, destacou Marcos Vinícius, o Marvin.

“É muito mais que o futebol. Você poder compartilhar momentos, emoções. É uma forma também de você lembrar da sua pátria, da sua cultura. Você está na mesma sintonia, mesma língua. É um elo muito forte. Uma coisa mesmo inexplicável. A gente sabe como é que a gente está aqui. Com as dificuldades que a gente passa aqui, estamos aqui torcendo por um time que a gente gosta mesmo! A gente se alimenta nisso!” completou Alexandre Moraleida, membro da diretoria do consulado português.
O Tempo

Nenhum comentário:

Postar um comentário