sábado, 23 de dezembro de 2017

Contra 13º em quatro parcelas, servidores cogitam até greve

O anúncio da escala de pagamento do 13º salário não foi suficiente para pacificar a relação entre o governo de Minas e os servidores públicos. Os professores consideram a possibilidade de entrar em greve – o que poderá atrasar o início do período letivo – e outros sindicatos entraram com ações na Justiça para garantir o pagamento do benefício até janeiro. Associações que já haviam decidido judicializar a questão também vão manter os processos.
O único efeito positivo após a divulgação do calendário de pagamento do 13º em quatro parcelas, anunciado nessa quinta-feira pelo secretário de Governo, Odair Cunha, foi a suspensão da greve dos trabalhadores do Instituto de Previdência dos Servidores do Estado de Minas Gerais (Ipsemg). A presidente do Sindicato dos Servidores do Ipsemg, Maria Abadia de Souza, afirma, porém, que a medida não teve relação com o anúncio do cronograma e que a insatisfação com o governo permanece.
“A decisão por suspender a greve ocorreu para não penalizar o servidor duplamente. O Ipsemg presta atendimento aos trabalhadores do Estado e suspender esse serviço no momento em que eles já estão com os salários atrasados seria uma penalização dupla”, disse.
Maria informou que a categoria continua indignada com o tratamento diferenciado dado aos agentes de segurança pública, do Hemominas e da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig). Eles são os únicos que vão receber o 13º salário em duas parcelas. “As manifestações estão mantidas e entramos com uma ação na Justiça para garantir o nosso pagamento também em duas parcelas”, detalhou.
Já os professores afirmam que se o governo não abrir um diálogo para rever o cronograma de pagamento, será discutida a possibilidade de paralisações que poderão atrasar a volta às aulas, prevista para fevereiro. “Se o governo não alterar essa escala, começamos o ano em mobilização, inclusive com a possibilidade de uma greve”, avaliou a presidente do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação (Sind-UTE), Beatriz Cerqueira.
Ela questionou a forma como foi definida a escala, sem abertura para a apresentação de uma contraproposta dos trabalhadores, como a alternativa de priorizar o pagamento de quem ganha menos. “O governo não abriu nenhuma possibilidade de diálogo. O que questionamos é tratar os altos salários da mesma forma de quem recebe salário mínimo”, reclamou.

O Sind-UTE também entrou com uma ação na Justiça para receber o 13º na mesma escala dos agentes de segurança. Os outros sindicatos que decidiram garantir o pagamento por medidas judiciais foram o Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público de Minas Gerais (SindPúblicos) e o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas (SindFisco).
Antecipação.
Em meio ao impasse, o governador Fernando Pimentel (PT) anunciou ontem a antecipação do pagamento da terceira parcela dos salários de dezembro. Em vídeo postado em suas redes sociais, Pimentel afirmou que o pagamento foi possível graças a uma receita extraordinária, oriunda da quitação de uma dívida tributária por parte de uma empresa.  A terceira parcela estava prevista para cair no dia 28 e foi depositada ontem juntamente com a segunda. A medida beneficia, na prática, os servidores que ganham acima de R$ 6.000

O Tempo

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